Psiquiatria

Tricotilomania: o que você precisa saber

Tricotilomania: o que você precisa saber

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A tricotilomania foi alocado pelo manual diagnóstico e estatístico dos transtornos mentais em sua 5º edição (DSM-5), dentro do capítulo de transtornos relacionados ao transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), devido, principalmente, a evidências crescentes em relação a validadores diagnósticos, utilidade clínica e muita sobreposição entre elas no mesmo paciente (juntamente com o transtorno dismórfico corporal).

Epidemiologia

Arrancar fios de cabelo normalmente começa um pouco antes ou depois da puberdade. Em um determinado ponto no tempo, cerca de 1 a 2% das pessoas têm o transtorno. Cerca de 90% dos adultos com tricotilomania são mulheres.

Etiologia

Sua etiologia parece ser multifatorial, com fatores genéticos, neurobiológicos e psicossociais envolvidos, porém mais estudos são necessários para evidenciar melhor a magnitude de cada fator.

  • Fatores genéticos: Vários estudos familiares mostraram maior taxa de transtorno em parentes de 1º grau de pacientes com tricotilomania, além de maior histórico familiar de transtornos ansiosos e de humor
  • Fatores psicossociais: Em relação a tricotilomania o que temos de mais consistente seriam as teorias neuropsicológicas e comportamentais em que evidencia-se que boa parte dos pacientes relatam breve alívio de sentimentos aversivos (tristeza, ansiedade, tédio ou raiva) ao arrancar o cabelo, criando assim um reforço para tal comportamento

Sintomas

  1. Qualquer área corporal que tenha pilificação pode ser alvo do paciente. Áreas mais comuns são: couro cabeludo, sobrancelhas e cílios.
  2. O paciente pode descrever gatilhos para tal ação, como sensações de prurido no couro cabeludo, incômodo com a espessura ou comprimento do fio.
  3. Também temos gatilhos emocionais como sentir-se ansioso ou tenso, estar com raiva ou tédio.
  4. A tricotilomania pode vir seguida de vários rituais como tentar retirar a raiz capilar intacta, manipular o pelo tanto com as mãos como de forma oral, chegando até a engoli-lo
  5. Relutância em buscar atendimento especializado
  6. Curso crônico com remissões e recidivas se não tratado.

Diagnóstico

Validadores diagnósticos

  1. Ato recorrente de arrancar o próprio cabelo ou pelos.
  2. Tentativas repetidas de reduzir ou parar essa ação.
  3. O comportamento traz sofrimento e prejuízo significativo em várias áreas para o paciente, seja social, acadêmica, familiar e até estética.
  4. Esse comportamento não é mais bem explicado por doença dermatológica ou outro transtorno mental, como por exemplo: tentar melhorar falhas percebidas na aparência, que caracteriza o transtorno dismórfico corporal.

Comorbidades

Diagnóstico diferencial

Remoção/manuseio normal dos cabelos

O diagnóstico de tricotilomania não deve ser feito se a remoção dos cabelos for feita por uma questão estética (tipos de cortes de cabelo). Indivíduos podem enrolar ou brincar com o cabelo utilizando a mão, ou podem também apenas mordê-los, sendo que esses comportamentos não são critérios diagnósticos.

TOC e transtornos relacionados

O TOC é caracterizado por pensamentos obsessivos intrusivos seguidos de compulsões que podem envolver rituais como de simetria, fazendo o paciente acabar arrancando o cabelo pela questão simétrica.

Transtornos do neurodesenvolvimento

Arrancar o cabelo pode ser estereotipias de transtornos do neurodesenvolvimento, como Tourette, Prader-Willi, sendo mais observados em crianças.

Transtornos psicóticos

O ato de arrancar o cabelo pode ocorrer por causa de alucinações ou delírios. Nesses casos a tricotilomania não é diagnosticada.

Outras condições médicas

Devemos aqui descartar condições dermatológicas.

Tratamento

Farmacológico

Para a tricotilomania não há muitos ensaios clínicos com medicações, e mesmo os existentes mostraram poucas evidências de eficácia de qualquer classe medicamentosa, ficando o uso da farmacoterapia mais indicada para o tratamento de comorbidades psiquiátricas.

As medicações mais utilizadas até o momento são antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), clomipramina (antidepressivo tricíclico), e n-acetilcisteína um mucolítico é que vem mostrando resultados mais promissores como medicamento. Antipsicóticos atípicos (olanzapina, aripiprazol e quetiapina) também podem ser utilizados. No caso do aripiprazol há um maior risco de acatisia e no caso da olanzapina e quetiapina, piora o perfil glicêmico e lipídico.

Não farmacológico

Além da psicoeducação, a psicoterapia é um dos pilares no tratamento desses pacientes, com maiores evidências de eficácia quando é associada à farmacoterapia.

  • Terapia cognitivo comportamental: técnica com mais evidências científicas de eficácia. Consiste em modificar cognições e comportamentos inadequados, que podem estar levando à manutenção de um determinado transtorno psiquiátrico, para comportamentos mais adaptados que causem menos sofrimento.
  • Reversão de hábitos: compartilha princípios essenciais da TCC, tem como objetivo reverter o reforço positivo (arrancar o cabelo ou beliscar a pele para amenizar condições emocionais desagradáveis). Ao concluir a terapia, os pacientes aprendem a monitorar e aumentar efetivamente a consistência de seu comportamento disfuncional
  • Suporte social: pode melhorar o prognóstico, quando associado a outras modalidades de tratamento discutidas. É importante a elucidação do quadro para as pessoas que convivem com a paciente, podendo oferecer uma rede de apoio maior, e deixar a convivência menos estressante para o indivíduo.

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Perguntas Frequentes:

1 – Quais áreas mais comuns de serem afetadas?

Áreas mais comuns são: couro cabeludo, sobrancelhas e cílios.

2 – Quais comorbidades mais associadas?

Depressão maior e skin picking

3 – Quais medicamentos utilizados?

As medicações mais utilizadas até o momento são antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), clomipramina (antidepressivo tricíclico), e n-acetilcisteína.

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