Psiquiatria

Tudo sobre transtorno dismórfico corporal

Tudo sobre transtorno dismórfico corporal

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O transtorno dismórfico corporal (TDC) foi alocado pelo manual diagnóstico e estatístico dos transtornos mentais em sua 5º edição (DSM-5), dentro do capítulo de transtornos relacionados ao transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), devido, principalmente, a evidências crescentes em relação a validadores diagnósticos, utilidade clínica e muita sobreposição entre elas no mesmo paciente.

O TDC é uma condição psicológica que se caracteriza pela preocupação, sem controle, com a aparência. Seus portadores dão importância exagerada a defeitos pequenos que, apesar de imperceptíveis para outras pessoas, assumem uma dimensão enorme aos seus olhos.

Epidemiologia

O transtorno dismórfico corporal geralmente começa durante a adolescência e possivelmente ocorre com um pouco mais de frequência em mulheres. Aproximadamente 2% a 3% das pessoas apresentam o transtorno.

Etiologia

Sua etiologia parece ser multifatorial, com fatores genéticos, neurobiológicos e psicossociais envolvidos, porém mais estudos são necessários para evidenciar melhor a magnitude de cada fator.

Fatores psicossociais como histórico de negligência, abuso sexual e outras situações traumáticas na infância são mais frequentes em pessoas com TDC quando comparadas com a população em geral.

Sintomas

  1. Qualquer parte do corpo pode ser alvo dessa sensação de inadequação, mais comumente a pele, o nariz, os pelos e a massa muscular.
  2. Esses indivíduos geralmente tentam disfarçar os defeitos percebidos com maquiagem pesada, por exemplo.
  3. Podem buscar vários especialistas médicos para tentar corrigir o defeito percebido.
  4. Curso crônico, geralmente iniciado antes dos 18 anos.

Diagnóstico

Validadores diagnósticos

  1. Preocupação com um ou mais defeitos ou falhas percebidas na aparência física que não são observáveis ou que parecem leves para os outros.
  2. Em algum momento durante o curso do transtorno, o indivíduo executou comportamentos repetitivos (por exemplo, verificar-se no espelho, arrumar-se excessivamente, beliscar a pele), ou atos mentais(por exemplo, comparando sua aparência com a de outros), em resposta à preocupação com sua aparência.
  3. A preocupação causa sofrimento significativo, com prejuízo em áreas como acadêmica, familiar, trabalho.
  4. Podem apresentar insight prejudicado e as vezes até crenças delirantes.

Comorbidades

Diagnóstico diferencial

Preocupação normal sobre um defeito físico real

Importante ressaltar que se a pessoa realmente tem um defeito físico importante ou bem perceptível, não devem ser diagnosticadas com TDC. Temos que ter cuidado na avaliação, pois pacientes com TDC podem acabar causando autolesões no intuito de “corrigir” sua aparência (por exemplo, manipular até causar ferimento em uma pequena acne, o que geraria uma cicatriz visível)

Transtornos alimentares

Em indivíduos com transtorno alimentar, as preocupações desses pacientes em serem gordos, devem ser considerados sintomas do transtorno alimentar e não um transtorno dismórfico corporal. No entanto, algumas pessoas com TDC podem apresentar preocupações em relação ao peso.

Outros transtornos obsessivo-compulsivos e transtornos relacionados

No TDC, os comportamentos repetitivos e os pensamentos intrusivos são sempre relacionados à aparência, diferente do TOC, que apresenta obsessões e comportamento ritualísticos de vários conteúdos (limpeza, checagem, simetria)

Transtorno depressivo maior

Pessoas com TDC podem apresentar sintomas depressivos secundários a insatisfação com seus supervalorizados ou imaginados “defeitos físicos”. Na depressão maior as ruminações, os pensamentos negativos, a desesperança e o sentimento de inadequação abrangem mais conteúdos do que apenas a aparência.

Transtornos de ansiedade

Evitar ativamente situações sociais pode ser comum no TDC, com características semelhantes ao que acontece na ansiedade social, porém no TDC existe uma preocupação proeminente em relação à aparência, que pode ser delirante, e comportamentos evitativos.

Transtornos psicóticos

Indivíduos com TDC podem ter crenças delirantes sobre a aparência, casos que devem ser diagnosticados como TDC com insight ausente/crenças delirantes e não como transtorno delirante. Esquizofrenia ou transtorno esquizoafetivo possuem maior desorganização no pensamento e no comportamento.

Tratamento

Farmacológico

A farmacoterapia tem demonstrado efetividade para melhorar os principais sintomas da TDC, diminuir sintomas depressivos, ansiosos e reduzir o risco de comportamento suicida.

As medicações mais utilizadas até o momento são antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), clomipramina (antidepressivo tricíclico), alguns antipsicóticos, lamotrigina, naltrexona e n-acetilcisteína. Associação de ISRS com antipsicóticos ainda carecem de maior evidência científica.

Não farmacológico

Além da psicoeducação, a psicoterapia é um dos pilares no tratamento desses pacientes, com maiores evidências de eficácia quando é associada à farmacoterapia.

  • Terapia cognitivo comportamental: técnica com mais evidências científicas de eficácia. Consiste em modificar cognições e comportamentos inadequados, que podem estar levando à manutenção de um determinado transtorno psiquiátrico, para comportamentos mais adaptados que causem menos sofrimento.
  • Suporte social: pode melhorar o prognóstico, quando associado a outras modalidades de tratamento discutidas. É importante a elucidação do quadro para as pessoas que convivem com a paciente, podendo oferecer uma rede de apoio maior, e deixar a convivência menos estressante para o indivíduo.

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Perguntas Frequentes:

1 – O que é transtorno dismórfico corporal?

No transtorno dismórfico corporal, a preocupação com um ou mais defeitos inexistentes ou sutis da aparência causa forte angústia ou prejudica a capacidade funcional.

2 – Qual o curso da doença?

Curso crônico, geralmente iniciado antes dos 18 anos.

3 – Qual o tratamento?

 Tratamento com determinados antidepressivos (ISRS) associado a terapia cognitivo comportamental.

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