Farmacologia

Tudo sobre Inibidores seletivos da recaptação de serotonina

Tudo sobre Inibidores seletivos da recaptação de serotonina

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Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) são as drogas de 1ª escolha, pois apresentam menor custo e menos risco de efeitos colaterais. Além disso, também são drogas de 1ª escolha no tratamento da dor crônica neuropática.

Em 1988, uma nova classe de antidepressivos surgiu, inaugurada,,
inicialmente, pela fluoxetina e seguida por vários outros: paroxetina,
sertralina, citalopram e fluvoxamina.

Esses fármacos apresentam vantagens em relação aos antidepressivos convencionais: demonstrou seletividade em relação à captação de 5-HT,
especialmente à norepinefrina, suas meias-vidas prolongadas permitem administração em dose única diária, contribuindo assim para maior adesão ao tratamento; podem ser usados também no tratamento do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno do pânico, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de ansiedade social (fobia social) e bulimia; possuem baixo risco de toxicidade se ingeridos em doses altas e têm menos efeitos anticolinérgicos que os ADT.

Lista com proporção de captura dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina.
Seletividade de inibição da captura de norepinefrina (NE) e 5-HT por vários
antidepressivos.

Principais drogas

  • Fluoxetina: prozac – 20mg (primeiro Inibidores seletivos da recaptação de serotonina);
  • Sertralina: zoloft – 50mg- 100mg;
  • Paroxetina: aropax – 20mg;
    • Tem efeito anticolinérgico, mesmo sendo ISRS.
  • Fluvoxamina: luvox – 100 mg;
  • Citalopram: cipramil – 20mg;
  • Escitalopram: laxapro.

Farmacocinética

Os ISRS são absorvidos de forma lenta e completa pelo trato gastrointestinal e não sofrem alterações significativas nas suas concentrações plasmáticas quando ingeridos na presença de alimentos. Suas concentrações máximas são atingidas entre 3 e 8 horas após administração oral.

Possuem meias-vidas que variam entre 15,6 horas (tluvoxamina) e 15 dias (tluoxetina). Todos os ISRS sofrem metabolização hepática pelas enzimas do
citocromo P450.

Os ISRS são eliminados através da urina e das fezes. A tluvoxamina, a paroxetina e a sertralina têm clearance alto, em torno de 1-3 L/min; o citalopram e a tluoxetina têm clearance de 0,5 L/min.

Farmacodinâmica

Inibem seletivamente a recaptação de serotonina (e não da dopamina), aumentando a concentração de serotonina na fenda sináptica. Ao fazerem essa inibição seletiva, esses fármacos não têm efeito anti-alfa-1, anti-histamínico, anticolinérgico, ou toxicidade cardiovascular como os tricíclicos. São benéficos, pois os pacientes têm melhor tolerabilidade, não são letais em doses elevadas e promovem uma melhor adesão ao tratamento.

Contraindicações

O uso concomitante de ISRS e IMAO pode desencadear a síndrome
serotoninérgica, que é uma hiperestimulação do sistema serotoninérgico
caracterizada por: hipertermia, irritabilidade, rigidez, dor de cabela, hipotensão, hiperreeflexia, tremor, confusão. As complicações potenciais são coagulação intravascular disseminada, rabdomiólise e morte (assim como a hipertermia maligna da sínrome neuroléptica). O tratamento consiste em interromper abruptamente o agente toxico, cuidados de suporte e pode-se usar o dantrolene (relaxamente mucular de ação central utilizado também na síndrome neuroléptica) e/ou a ciproheptadina.

Interações medicamentosas

Embora os ISRS não pareçam interagir com o álcool, seu uso deve
ser evitado concomitantemente.

Todos os ISRS inibem a CYP2D6, e a paroxetina, a fluoxetina e a fluvoxamina são as mais potentes. Assim, se usada concomitantemente a aminas terciárias, teofilina, cafeína, propranolol, diazepam, alprazolam, clozapina e varfarina, pode provocar elevação dos níveis plasmáticos desses.

O uso concomitante de tluoxetina e terfenadina deve ser evitado, pois a nortluoxetina inibe a isoenzima CYP 3A4, aumentando as concentrações plasmáticas de terfenadina, que em altas doses se torna uma substância cardiotóxica.

O citalopram, o escitalopram e a sertralina, apesar de serem inibidores da CYP 206, não parecem promover interações farmacocinéticas clinicamente significativas, e são considerados mais seguros em pacientes polimedicados.

Efeitos colaterais

Os efeitos adversos comuns incluem náuseas, anorexia, insônia, perda da libido e frigidez. Alguns desses efeitos adversos são resultantes do aumento da estimulação dos receptores 5-HT pós-sinápticos, como resultado de os fármacos aumentarem os níveis extracelulares de 5-HT. Isso pode ser tanto estimulação do tipo de receptor errado de 5-HT (p. ex., receptores 5-HT2 , 5-HT3 e 5-HT4), quanto estimulação do mesmo receptor que fornece o benefício terapêutico (p. ex., receptores pós-sinápticos 5-HT1A), porém na região cerebral errada (i. e., o aumento da estimulação dos receptores de 5-HT pode resultar tanto em respostas terapêuticas quanto adversas).

Toxicidade aguda

Caso sejam ingeridos em altas doses (superdosagem), os ISRS apresentam, ao contrário dos ADT, baixo risco de toxicidade. São relativamente seguros em pacientes com forte potencial para uso excessivo de
substâncias (ideação suicida)

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