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Foliculite: etiologia, tipos, diagnóstico e tratamento

apresentacao clinica da foliculite na pele

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A foliculite é uma infecção de pele que geralmente é motivada por uma infecção bacteriana ou fúngica. Essa condição se apresenta no formato de pequenas espinhas, de pontas brancas, em torno de um ou mais folículos pilosos.

O diagnóstico desses quadros é clínico. O profissional de medicina precisa ficar atento a casos mais graves e recorrentes de foliculite merecem atenção redobrada. Isso porque nesses casos pode-se levar a perda permanente do pelo e o desenvolvimento de cicatrizes. Continue lendo para saber mais sobre o tema!

Definição de foliculite

A foliculite é uma condição da pele que ocorre quando os folículos pilosos ficam inflamados. Confira conceitos básicos que vale a pena revisar:

  • Folículo é uma estrutura anatômica que forma uma espécie de bolsa ou saco e pode ter funções específicas dependendo do local em que está presente no corpo.
  • Folículos pilosos são estruturas microscópicas na pele que abrigam a raiz do pelo. Ele é composto por várias camadas de células e está situado na derme, a camada mais profunda da pele.
  • O folículo piloso é responsável pelo crescimento do cabelo e é conectado a glândulas sebáceas, que produzem óleo para lubrificar o cabelo e a pele.
  • Ciclo de vida do cabelo ocorre no folículo piloso, passando por fases de crescimento (anágena), repouso (telógena) e queda (exógena).

Etiologia

Os folículos pilosos da pele podem ficar inflamados devido a infecções bacterianas, fúngicas, virais ou pela simples irritação da pele. A foliculite pode ocorrer em várias partes do corpo, sendo mais comum no couro cabeludo, rosto, pescoço e axilas.

Geralmente, é provocada por bactérias como Staphylococcus aureus ou Pseudomonas aeruginosa. Um fator predisponente é a oclusão causada por roupas muito apertadas.

Etapas do desenvolvimento da foliculite

  1. Dano ou irritação ao folículo piloso ao se barbear, depilar e pelo fricção constante.
  2. Após o dano, patógenos como bactérias (como o Staphylococcus aureus), fungos (Malassezia) ou vírus (como o herpes simplex), podem entrar no folículo piloso.
  3. A invasão do folículo pelo patógeno pode levar à infecção. Os patógenos se multiplicam dentro do folículo, causando inflamação e outros sintomas característicos da foliculite.
  4. O corpo responde à infecção desencadeando uma resposta inflamatória. Isso resulta em vermelhidão, inchaço e a formação de pápulas ou pústulas ao redor dos folículos pilosos.
  5. Manifestação dos sintomas característicos, incluindo prurido, sensação de queimação e, em alguns casos, dor localizada.

*A presença de pápulas ou pústulas é evidente durante o exame físico.

Outras pontuações sobre o assunto

Pacientes que fazem uso crônico de antibióticos podem desenvolver foliculite causada por bactérias gram-negativas.

Nesses casos, há um desequilíbrio entre a flora normal da pele e as bactérias gram-negativas (Enterobacter, Klebsiella, Escherichia, Serratia e Proteus), propiciando o oportunismo dos agentes bacterianos.

A etiologia é bastante variada. Infecções, fricção, trauma folicular, excesso de transpiração e oclusão estão inclusas nas causas e fatores que predispõem. No entanto, alguns casos permanecem com origem idiopática.

Como fazer o diagnóstico da foliculite?

O diagnóstico das foliculites é feito com base na avaliação clínica e realização de exame físico conduzido por um profissional de medicina capacitado, normalmente um dermatologista. Dessa forma, os estudos laboratoriais são, na maioria das vezes, desnecessários.

Em casos resistentes a terapêuticas habituais, pode-se fazer a coleta de material para cultura bacteriana, assim como a coloração pelo Gram. Nos quadros crônicos, cabe investigar a colonização familiar nasal por Staphylococcus aureus.

É importante considerar os possíveis diagnósticos diferenciais, que podem incluir desde dermatoses infecciosas até condições autoimunes e inflamatórias.

Passos para conduzir o diagnóstico com excelência

  • História clínica: o médico deve fazer perguntas sobre os sintomas, duração e qualquer fator desencadeante potencial, como exposição a substâncias irritantes, práticas de cuidados com a pele, ou histórico de lesões na pele.
  • Exame físico: avaliação da aparência da pele afetada.
  • Coleta de amostras: em alguns casos, o médico pode optar por coletar uma amostra da lesão cutânea para análise laboratorial. Isso pode ser feito através de uma raspagem da área afetada ou, em casos mais graves, por uma pequena biópsia da pele.
  • Análise laboratorial: a amostra coletada pode ser examinada microscopicamente para identificar o tipo de agente patogênico presente. Essa análise vai ajudar na determinação da causa específica.
  • Descarte de outras condições: o médico também pode considerar outras condições de pele que podem se apresentar de maneira semelhante à foliculite, como acne, dermatite ou outras infecções cutâneas.
  • Avaliação de fatores contribuintes: o profissional de medicina pode questionar sobre fatores de riscos subjacentes, como diabetes e imunossupressão.
  • Diagnóstico diferencial: pode acontecer de optar por essa frente de diagnóstico para distinguir o quadro de outras condições de pele.

Tipos de foliculite

As foliculites são tradicionalmente divididas em superficiais e profundas.

A foliculite superficial apresenta múltiplas pequenas pápulas e pústulas com base eritematosa e orifício folicular central, apesar do pelo não ser sempre visualizado.

As formas profundas causam dor mais intensa e por vezes drenagem de aspecto purulento.

Foliculites superficiais

Foliculite Ostial ou Impetigo de Bockhart

É a forma mais comum de foliculite, tendo como causa a infecção por Staphylococcus aureus.

Caracteriza-se por pequenas pústulas muito superficiais, em quantidade variável, no centro localiza-se o pelo, atingindo qualquer região do corpo. Inicialmente, tendem a ser extremamente pruriginosas.

Na criança são comuns no couro cabeludo, com reação ganglionar regional, enquanto, no adulto, atingem mais comumente a face anterior e interna das coxas e das nádegas. A depilação de áreas extensas, com uso de cera ou lâmina, favorece sua instalação.

Foliculite por Pseudomonas

Também chamada de foliculite úmida, tende a aparecer de 8 a 48h após o paciente ter tido contato com águas contaminadas. Caracteriza-se pela presença de pústulas e pápulas concentradas nas áreas da roupa de banho.

O paciente apresenta sintomas sistêmicos como febre, cefaleia, dor de garganta, mal-estar e distúrbios gastrointestinais. A condição é autolimitada e é resolvida de 7 a 14 dias.

Foliculite Pitirospórica

É observada tipicamente em adultos jovens, com uma leve predominância feminina. Apresenta-se por meio de pápulas ou pústulas uniformes e pruriginosas na região do dorso, tórax e ombros.

Essas erupções possuem como agente etiológico o fungo Malassezia furfur. A ocorrência desse tipo é mais frequente em clima quente e úmido. Também em pacientes imunocomprometidos ou naqueles que façam uso prolongado de antibióticos.

Foliculites profundas

Foliculite Decalvante

 Apresenta pústulas relativamente superficiais, mas que provocam a depilação definitiva da área comprometida. Possui evolução crônica e vai estendendo-se centrifugamente.

Como ocorre fibrose, vários fios podem emergir da mesma abertura folicular, dando um aspecto que é chamado de “cabelo de boneca”.

Mais incidente em homens adultos, a foliculite decalvante localiza-se frequentemente no couro cabeludo, barba e membros inferiores.

Foliculite Queloidiana

Possui uma localização típica na nuca. As pústulas formadas confluem e levam à formação de fístulas e fibrose que possuem um aspecto queloidiano.

Trata-se de um quadro bastante crônico, rebelde e peculiar do homem adulto, com predomínio na raça negra.

Foliculite da Barba ou Sicose

Caracteriza-se por sua localização – região da barba – e elevada cronicidade. As pústulas podem apresentar-se isoladas ou confluentes, formando verdadeiras placas infiltradas. É exclusiva do homem adulto.

As lesões frequentemente iniciam no lábio superior, propagando-se mais tarde para o queixo e mandíbula. Deve-se diferencia-la de dermatofitoses, herpes simples e pseudofoliculite. Em casos graves, tende a deixar cicatrizes.

Foliculite Necrótica

Apesar de caracterizar-se por lesões foliculares superficiais, evolui com necrose que deixa cicatriz varioliforme.

É também conhecida como acne necrótica, sendo essa nomenclatura imprópria para tal infecção. Atinge a região da face em adultos seborreicos.

Foliculite Perfurante

Localiza-se no nariz, onde inicialmente há o comprometimento de uma vibrissa, que acaba perfurando a pele e elevando-se por uma lesão cutânea inflamatória.

Foliculite por Bactéria Gram-negativa

Esse tipo de foliculite costuma estar associada ao uso prolongado de antibióticos para o tratamento da acne. Esses medicamentos alteram o equilíbrio normal da pele, fazendo com que as bactérias gram-negativas se desenvolvam. As lesões manifestam-se como pústulas, sobretudo na região nasal.

Foliculite Eosinofílica

Com etiologia desconhecida, ocorre em pacientes jovens, com estágio avançado de imunossupressão. Caracteriza-se por pápulas, pústulas foliculares e perifoliculares, pruriginosas, em disposição anular ou policíclica, localizando-se, principalmente, na face e parte superior do tronco e dos braços.

Furúnculo e Carbúnculo

O furúnculo inicia-se por uma lesão eritematoinflamatória muito dolorosa, centrada pelo pelo, com evolução aguda, evoluindo com necrose central, que acaba por se eliminar.

Forma-se uma tumoração eritematosa, com vários pontos necróticos, que progride para grande área ulcerada. Mais comum quando há confluência, ao mesmo tempo e no mesmo lugar de vários furúnculos, o quadro é denominado de carbúnculo.

Possíveis complicações

Na grande maioria dos casos, a foliculite é uma condição benigna, que bem tratada cursa com boa evolução.

Porém, quando não for tratada adequadamente ou ocorrer repetidamente, pode ocasionar em complicações. Algumas das possíveis complicações da foliculite incluem:

  • Infecção secundária;
  • Cicatrizes;
  • Desenvolvimento de celulite;
  • Foliculite profunda;
  • Cistos ou abscessos e infecções de camadas mais profundas da pele.

Qual a indicação de tratamento para foliculite?

As indicações de tratamento podem variar com base na causa subjacente e na gravidade da condição.

Em casos leves, a foliculite pode ser autolimitada, desaparecendo sem a necessidade de qualquer tratamento. Naqueles que são persistentes ou até recorrentes poderá ser necessário a instituição de tratamento, o qual vai depender do tipo, do local e da gravidade.

Terapêutica medicamentosa

Habitualmente, se faz o uso de antibióticos por via oral ou tópica. Em casos de infecções fúngicas, é indicado o uso de antifúngicos.

Também é indicado medicamentos antivirais para casos de infecções virais específicas.

No caso dos furúnculos e carbúnculos, pode ser necessário realizar a drenagem para alívio dos sintomas.

Cuidados locais

 Algumas medidas gerais também devem ser orientadas aos pacientes, como a higienização da área com sabão neutro ou anti-séptico, aplicação de compressas mornas sobre a região para reduzir prurido e dor.

Tratamentos a laser

Em casos de foliculite persistente ou cicatrizes, tratamentos a laser ou luz pulsada podem ser considerados para melhorar a aparência da pele.

Educação e prevenção

O paciente deve receber orientações sobre práticas de prevenção, incluindo a importância de evitar fatores desencadeantes.

Referências

  1. Belda Junior W, Chiacchio Di N, Criado PR. Tratado de Dermatologia. 3ª edição. São Paulo: Ed. Atheneu, 2018.
  2. AZULAY, R. D. Dermatologia, 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. FIGUEIREDO, I. B.
  3. Artigo da Sociedade Brasileira de Dermatologia

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