Endocrinologia

Tumor na hipófise: causas, sintomas e tratamento

Tumor na hipófise: causas, sintomas e tratamento

Compartilhar
Imagem de perfil de Dr. Alexandre Câmara

Neste artigo, entenda tudo sobre o Tumor na Hipófise e saiba o que fazer com pacientes que possuem a doença.

Bons estudos!

A hipófise

A hipófise, também conhecida como pituitária, é um dos maiores exemplos que tamanho não é documento!

Apesar de pequena (mais ou menos do tamanho de uma ervilha), ela controla diversas funções do nosso organismo, ganhando até o apelido de “glândula maestro”, e é composta por duas regiões distintas:

• Anterior: onde são produzidos os hormônios hipofisários regulados pelo hipotálamo (TSH, ACTH, FSH, LH, GH e prolactina).

• Posterior: porção onde são “armazenados” os hormônios que já vem prontos do hipotálamo (ADH e ocitocina).

Por isso, doenças hipofisárias podem causar repercussões muito importantes!

O Tumor na hipófise

Apesar de ser pouco diagnosticado, é muito prevalente! Para ter uma ideia, estima-se que 15 a 20% das pessoas tenham algum microadenoma hipofisário (tumores com tamanho menor que 10 mm), mas 99% delas nunca irá saber nem terá nenhum problema relacionado a eles. Pois, felizmente, grande parte dos tumores da hipófise são adenomas benignos, não produtores de hormônios e menores que 10 mm (microadenomas).

Mas podemos encontrar tumores produtores de hormônios, grandes (macroadenomas: > 10 mm), adenomas invasivos e até carcinomas/malignos. Por sorte, este último é apenas 1 de cada 1000 tumores diagnosticados.

Os adenomas podem secretar hormônios hipofisários, o tipo de hormônio depende do local da hipófise que surgir o tumor, as patologias hipersecretoras mais comuns são os prolactinomas (mais prevalente e produtor de prolactina), doença de Cushing (ACTH) e Acromegalia (Hormônio do crescimento/GH).

Saiba mais sobre a Pós-graduação SANAR em Medicina de Emergência

Sintomas do tumor na hipófise

Adenomas hipofisários podem causar problemas de diferentes maneiras:

  1. Compressão de estruturas vizinhas, causando cefaleia e alteração visual. A visão é afetada porque logo a cima da hipófise passa o quiasma óptico, assim, tumores muito grandes podem comprimir estes nervos, levando a alterações que vão desde redução do campo da visão (hemianopsia bilateral) até cegueira.
  2. Comprometimento de outras células na pituitária. Neste caso, o tumor atrapalha o funcionamento da porção saudável, complicando com deficiência de um ou mais hormônios, chamado de pan hipopituitarismo. Esta situação gera diversas manifestações, tais como:
    • Anemia: deficiência de andrógenos e de TSH.
    • Hipoglicemia: deficiência de ACTH e GH.
    • Dislipidemia com aumento de LDL e triglicérides: deficiência de TSH e GH.
    • Baixa massa óssea: deficiência gonadotrófica e de GH.
  3. Secreção de hormônio em excesso. As manifestações clínicas dependem do hormônio envolvido::
    • Excesso de prolactina: Infertilidade, alterações menstruais (irregularidade e amenorreia) e galactorreia nas mulheres. Queda na libido ou disfunção erétil em homens.
    • Excesso de GH , também chamada “acromegalia”: leva ao crescimento de algumas partes do corpo (especialmente as mãos, pés e mandíbula), as mudanças em face chamam atenção – o lutador de MMA Pezão é um exemplo . Quando essa condição ocorre em crianças, elas podem crescer mais rápido e tornam-se muito altas, nesse caso denominamos a doença de “gigantismo”.
    • Excesso de ACTH, que causa “síndrome de Cushing”: ganho de peso, diabetes, hipertensão, osteoporose e fraqueza muscular.
    • Excesso de TSH, tumor raro denominado de tireotropinoma, que leva ao “hipertireoidismo”: ansiedade, palpitação, insônia e bócio na tireoide.

Felizmente, apesar de potencialmente perigosos, a maior parte dos casos os tumores hipofisários são adenomas benignos, que não trazem maiores riscos nem levam a nenhum sintoma.

Causas do tumor na hipófise

Os adenomas geralmente são esporádicos, ou seja, não tem causa definida,  e surgem ao acaso. Porém, até 10% podem estar associados a síndromes genéticas, das quais a mais conhecida é a Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 1 (NEM1), que também apresenta tumores em pâncreas e paratireoide.

Curiosamente, ela foi a primeira doença publicada da história de medicina e com certeza você já ouviu falar… Foi o caso de Golias, da história de Davi e Golias, publicada na Bíblia.

Como assim? O Golias tinha NEM1, na “publicação” está claro: ele era gigante (Acromegalia), tinha comportamentos bizarros (hipoglicemia pelo insulinoma no pâncreas), não conseguiu ver quando Davi foi para o lado dele (redução do campo visual pelo macroadenoma) e uma pedra conseguiu afundar o crânio dele: obviamente ele tinha hiperparatireoidismo, que leva a osteoporose.

Outras síndromes raras são: McCune Albright; Acromegalia familiar isolada/Mutações do AIP e Complexo de Carney.

Diagnóstico

Para abordagem correta destes tumores é necessária a ressonância magnética de hipófise ou sela túrcica. Em casos de macroadenomas, adicionalmente é indicado o exame neuro-oftalmológica com campimetria visual.

Para a avaliação dos níveis hormonais, é importante ressaltar que, além das dosagens habituais dos hormônios hipofisários, feitas em jejum pela manhã, é preciso realizar testes especiais de estímulo e supressão hormonal, pois a liberação da maioria dos hormônios é pulsátil e cíclica.

Tratamento do tumor na hipófise

A primeira pergunta que escutamos quando avaliamos alguém com tumor hipofisário é: Doutor, eu preciso operar?

Para responder esta pergunta é preciso saber se o tumor produz algum hormônio ou comprime alguma estrutura perto da hipófise.

Se o tumor for produtor de prolactina, a primeira opção são os agonistas dopaminérgicos (Cabergolina e Bromocriptina) e a cirurgia é reservada para os casos que não respondem ao medicamento.

Para outros tumores produtores, como Acromegalia e Cushing, e macroadenomas não produtores, a cirurgia é o tratamento padrão, que pode ser por craniotomia ou via transesfenoidal, para esta abordagem, o neurocirurgião faz uma pequena incisão ao longo do septo nasal e retira o tumor pelo nariz!

Para os pacientes que não curaram ou que não realizaram a cirurgia, seja por recusa ou chance de cura baixa, o tratamento farmacológico é a melhor escolha. Outra opção terapêutica é a radioterapia, no entanto, esta pode levar ao pan-hipopituitarismo.

Tumores muito pequenos (microadenomas) e que não produzem hormônios podem ser observados clinicamente, sem necessidade de tratamento clínico ou cirúrgico.

Após o tratamento, é preciso acompanhamento regular para garantir que o tumor não volte a crescer nem a produzir hormônios em excesso. Pacientes com hipopituitarismo precisam de reposição hormonal a longo prazo.

Saiba mais sobre o curso gratuito: “Você melhor no plantão!”

Posts relacionados