Câncer de estômago: tipos, sintomas e tratamento!

Câncer de estômago: tipos, sintomas e tratamento!

SanarFlix
10 min401 days ago

O adenocarcinoma é a lesão maligna mais comum do estômago, representando de 90 a 95% de todos os cânceres gástricos. Aproximadamente 3% dos tumores malignos do estômago são do grupo dos linfomas.

Epidemiologia

A incidência de câncer gástrico varia conforme a região, Europa Oriental, Japão, Chile, Costa Rica possuem incidência até 20 vezes maior do que na América do Norte e Europa.

O câncer de estômago é um dos tumores malignos mais comuns e uma importante causa de morte, sobretudo pela dificuldade de se detectar a doença em fases iniciais.

O estômago é o sítio extranodal mais frequente do linfoma não Hodgkin. Os sarcomas, incluindo o leiomiossarcoma, lipossarcoma, sarcoma neurogênico e o fibrossarcoma são tumores malignos relativamente raros. O leiomiossarcoma do estômago representa cerca de 1% dos cânceres gástricos.

No Japão 35% dos novos casos detectados são cânceres gástricos iniciais, tumores limitados à mucosa e à submucosa, graças a programas de mapeamento endoscópico.

Entretanto esses programas de mapeamento em massa não são viáveis onde a incidência da doença é baixa. Além disso, menos de 20% dos casos são detectados em um estágio inicial na América do Norte e no norte da Europa.

Os pacientes costumam procurar assistência médica tarde demais, porque os sintomas na fase inicial (potencialmente curável) são discretos e inespecíficos.

No Brasil, excetuando-se o câncer de pele não melanoma, o câncer gástrico é a terceira causa de câncer no sexo masculino e a quinta entre as mulheres.

É mais frequente no sexo masculino (2:1), com um pico de incidência entre 50-70 anos para ambos os sexos. O câncer gástrico é raro antes dos 35 anos de idade.

Nos Estados Unidos, as taxas de câncer gástrico diminuíram em mais 85% durante o século vinte. O adenocarcinoma do estômago foi a causa mais comum de morte por câncer nos Estados Unidos em 1930, caindo para apenas 2,5% atualmente, no entanto ela continua sendo uma causa líder de morte por câncer no mundo. Declínios similares foram relatados em muitos outros países ocidentais, sugerindo que os fatores ambientais e da dieta sejam os responsáveis.

O motivo da redução total no câncer gástrico ainda é desconhecido. Uma explicação possível é o consumo decrescente de carcinógenos na dieta, tais como compostos N-nitrosos e benzo[α]pirenos, graças ao uso reduzido de sal e fumaça para a preservação de alimentos e a disponibilidade muito difundida de refrigeração de alimentos.

Contrariamente, a ingestão de vegetais verdes folhosos e frutas cítricas, que contêm antioxidantes tais como vitamina C, vitamina E e beta-caroteno, e está correlacionada ao risco reduzido de cânceres gástricos, pode ter aumentado como resultado da melhora nas redes de transporte de alimentos.

O câncer gástrico é mais comum em grupos socioeconômicos baixos e em indivíduos com atrofia de mucosa multifocal e metaplasia intestinal.

A doença ulcerosa péptica (DUP) não apresenta alto risco de câncer gástrico, mas pacientes que tiveram gastrectomias parciais pela DUP ou outras razões, como cirurgia bariátrica apresentam um risco levemente mais alto de desenvolver câncer na porção gástrica residual como resultado de hipoclorídria, refluxo de bile e gastrite crônica.

Tipos de câncer gástrico

Os adenocarcinomas gástricos podem ser divididos cm dois tipos, segundo a classificação de Lauren (1995): intestinal e difuso.

Tipo intestinal

O tipo intestinal encontra-se tipicamente no estômago distal, com ulcerações, frequentemente é precedido por lesões pré-malignas.

O subtipo intestinal é um tumor bem diferenciado, com formação de estruturas glandulares (tal como o adenocarcinoma de cólon, explicando a nomenclatura “intestinal”).

Este subtipo é o mais comum no Brasil e em outros países com alta incidência de Ca gástrico predominando em homens (2:1), idade média em torno de 55-60 anos, e manifestando-se como lesões expansivas, polipoides e ulceradas na endoscopia, mais comumente encontrado no estômago distal.

Sua disseminação é quase sempre hematogênica.

Tipo difuso

Em contrapartida, o tipo difuso promove um espessamento disseminado do estômago, especialmente na cárdia, e com frequência acomete pacientes mais jovens.

O subtipo difuso é um tumor indiferenciado sem formações glandulares, apresentando as famosas células em anel de sinete (acúmulo de muco no citoplasma deslocando o núcleo para a periferia).

É um tumor “infiltrativo”, manifestando-se na endoscopia com úlceras infiltradas ou linite plástica (infiltração difusa do órgão – estômago não distensível, sem pregas e luz estreitada pela infiltração da parede gástrica pelo tumor).

Acomete mais o estômago proximal (cárdia) e tem prognóstico pior que o subtipo intestinal (maior probabilidade de metástases precoces, inclusive com disseminação intraperitoneal).

Incide igualmente em ambos os sexos e a idade média de apresentação é mais precoce (em torno dos 40-48 anos).

Sua disseminação se faz mais comumente por contiguidade (transmural) e pela via linfogênica (metástases nodais).

As características histopatológicas chave no câncer gástrico compreendem do grau de diferenciação, invasão através da parede gástrica, comprometimento de linfonodos e presença ou ausência das células em anel de sinete dentro do próprio tumor.

Tipos
                                            Classificação de Lauren. Fonte: Sabiston 19ª ed

Influência do H. pylori…

O H. pylori contribui para o surgimento do câncer gástrico por razões inflamatórias na qual a interleucina-11 pode ser central.

A infecção crônica pelo H. pylori também promove uma gastrite atrófica crônica resultando em acloridria que, por sua vez, favorece o crescimento bacteriano e a conversão de nitratos (componentes alimentares) em nitritos. Os nitritos, em combinação com fatores genéticos, promovem uma proliferação celular anormal, mutações genéticas e eventualmente câncer.

Manifestações clínicas

Em seus estádios iniciais, o câncer gástrico pode muitas vezes ser assintomático ou provocar apenas sintomas inespecíficos, o que dificulta o diagnóstico precoce.

Os sintomas tardios incluem inchaço, disfagia, dor epigástrica ou saciedade precoce.

Os sintomas mais comuns são a perda ponderal (62%), dor epigástrica (52%), náusea (34%), anorexia (32%), disfagia (26%), melena (20%), saciedade precoce (17%) e dor semelhante à da úlcera péptica (17%).

A dor costuma ser constante, sem irradiação e não aliviada com a ingestão de alimento. Em alguns pacientes o alívio temporário pode ser obtido com o uso de antissecretores do ácido gástrico.

Nos estádios iniciais do câncer gástrico, o exame físico é normal!

Nos estádios tardios, os pacientes se tomam caquéticos e é possível palpar uma massa epigástrica. Se houver metástase hepática é possível encontrar hepatomegalia com icterícia e ascite.

O comprometimento de linfonodo supraclavicular esquerdo é chamado de nódulo de Virchow, e o linfonodo periumbilical é chamado de linfonodo da irmã Mary Joseph.

O teste do sangue oculto nas fezes pode estar positivo.

A metástase no ovário é denominada tumor de Krukenberg.

Como chegar ao diagnóstico?

O diagnóstico pode ser dado por uma endoscopia digestiva alta com biopsia da lesão em até 95% dos casos.

Os tumores podem surgir como pequenas ulcerações da mucosa, um pólipo ou uma massa.

Uma úlcera gástrica benigna é sugerida pela presença de base regular e lisa, enquanto uma úlcera maligna se manifesta com uma massa em torno da lesão, pregas irregulares e base irregular.

A classificação macroscópica mais utilizada para o adenocarcinoma gástrico invasivo é a de Borrmann, que subdivide as lesões em cinco categorias.

Borrmann I ‒ Carcinoma Polipoide. Esta lesão é bem demarcada com áreas de tecido normal em toda a sua volta. Sobrevida média em cinco anos de 40%.

Borrmann II ‒ Carcinoma Ulcerado com margens bem demarcadas e nenhuma infiltração. Esta lesão é impossível de ser diferenciada, somente pelo aspecto endoscópico, da úlcera gástrica benigna. Sobrevida média em cinco anos de 35%.

Borrmann III ‒ Carcinoma Ulcerado e Infiltrante com margens rasas e pouco definidas; geralmente há infiltração da submucosa, muscular própria e serosa.

Esta é a apresentação mais comum do câncer gástrico no momento do diagnóstico. Sobrevida média em cinco anos de 20%.

Borrmann IV ‒ Carcinoma Infiltrativo difuso. Lesão difícil de ser definida. Ela se estende por todas as camadas do estômago e em todas as direções.

A extensão do tumor ultrapassa significativamente as lesões visíveis. Quando há infiltração de todo o estômago, este tipo é chamado de linite plástica.

Borrmann V ‒ Câncer gástrico, cuja definição não se encaixa em nenhuma das anteriores.

Borrmann
Fonte: Sabiston, 19ªed

Tratamento

A cirurgia é o único tratamento curativo para a doença, e também a forma final de determinar o estadiamento.

O câncer de estômago pode ser classificado no sistema TNM quando ao grau de invasão do tumor, ao numero de linfonodos acometidos e à presença ou não de metástases.

O prognóstico depende do estágio da doença e da localização do tumor.

A cirurgia curativa deve ser tentada na ausência de metástases à distância; o cirurgião, sempre que possível, deve ressecar toda a extensão da neoplasia (mesmo no estágio T4 – tumor invadindo a serosa ou estruturas adjacentes).

Devido à tendência do câncer gástrico em se disseminar de forma intramural, o tumor deve ser ressecado com uma ampla margem de segurança.

Nas neoplasias de terço distal pode ser feita a gastrectomia subtotal com reconstrução Billhoth II, no entanto as lesões mais próximas da cárdia devem ser tratadas com gastrectomia total e reconstrução em Y de Roux.

A linfadenectomia é obrigatória!

Nos casos onde o estadiamento pós-cirúrgico mostra acometimento linfonodal ou de órgãos adjacentes alguns pacientes podem ter benefício na sobrevida com a radioquimioterapia adjuvante (após a cirurgia).

Referências bibliográficas

  1. GOLDMAN, Lee; AUSIELLO, D. A. (Ed.). Cecil medicina. 23. ed. Rio de Janeiro, RJ: Elsevier Saunders, c2009. 2 v.
  2. Wingo PA et al.: Long-term trends in cancer mortality in the United States, 1930–1998. Cancer 97:3133, 2003.
  3. Devesa SS et al.: Changing patterns in the incidence of esophageal and gastric carcinoma in the United States. Cancer 83:2049, 1998.
  4. ABBAS, Abul K; FAUSTO, Nelson; KUMAR, Vinay; COTRAN, Ramzi S; ASTER, Jon C; ROBBINS, Stanley L.: Robbins e Cotran: Patologia – Bases patológicas das doenças. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. P 790
  5. SABISTON. Tratado de cirurgia: A base biológica da prática cirúrgica moderna. 19.ed. Saunders. Elsevier
  6.  OLIVEIRA, Gustavo Carvalho de et al . O megaesôfago tratado cirurgicamente: perfil epidemiológico dos pacientes operados no Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas entre 1989 e 2005. Rev. Soc. Bras. Med. Trop., Uberaba , v. 41, n. 2, p. 183-188, Apr. 2008
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