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COVID-19 e demência: informações e cuidados aos pacientes

COVID-19 e demência: informações e cuidados aos pacientes

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Sanar Medicina

4 min há 362 dias

Pacientes com COVID-19 e demência encontram-se em situação vulnerável. Devido à idade avançada naqueles com esta patologia, associado à presença de comorbidades, pacientes com demência têm risco aumentado de desenvolvimento de doença grave, admissão em UTI e morte. Portanto, há recomendação enfática para adoção de medidas de proteção, como por exemplo o distanciamento social.

Essas medidas podem levar a deterioração cognitiva mais rápida, bem como piora dos sintomas comportamentais e psicológicos da demência. Pretendemos então trazer neste post informações que auxiliam no cuidado desses pacientes.

Demência e manifestações iniciais da COVID-19

Devido ao declínio cognitivo presente nos pacientes com demência, diagnosticar precocemente COVID-19 pode ser tornar um desafio, já que os sintomas iniciais podem demorar de serem percebidos pelo paciente ou por seus cuidadores. 

Além disso, dados preliminares do Reino Unido mostram que a manifestação inicial pode ser diferente da observada em indivíduos mais jovens e sem comorbidades.

Indivíduos acima de 70 anos e com comorbidades, como a demência, podem apresentar como sintomas iniciais diarreia, confusão ou até mesmo delirium, ao invés dos sintomas clássicos de febre e tosse. 

Dessa forma, torna-se importante a orientação fornecida pelo médico aos cuidadores para que prestem atenção aos sintomas referidos, bem como às anormalidades comportamentais que fujam do padrão de doença do paciente. 

O cuidado dos pacientes com demência

Pacientes com demência podem rotineiramente sentirem-se isolado em suas próprias casas. Medidas de isolamento social pioraram mais ainda a situação. Portanto, orientar cuidadores em como amenizar os danos causados pelas medidas restritivas constitui parte do trabalho do médico. 

Comunicação é essencial

Pode ser um desafio explicar conceitos de isolamento e distanciamento social, lavagem das mãos, uso de máscara, etc., para alguém com demência, já que estes apresentam dificuldades de compreensão para informações complexas.

Ainda assim, assegurar que as informações foram explicadas de forma clara e compreendidas, associado à repetição constante, pode ajudar a evitar agitação dos pacientes e ajudar-lhes a promover o seu autocuidado. Outra estratégia é deixar lembretes espalhados pela casa. 

Caso o parente mais próximo não seja o cuidador do paciente, pode ser necessário restrições das visitas. Nestes casos, permanecer em contato utilizando os meios de comunicação disponíveis é essencial.

Garanta que o paciente tenha fácil acesso caso sinta necessidade de comunicar-se com os seus, reforce a importância de estar presente, mesmo à distância. 

Outra estratégia interessante é a de encorajar hobbies e atividades físicas (apropriadas para a idade) que possam ser realizadas dentro da própria casa do paciente. 

O uso da Telemedicina

Diferente de outras doenças neurológicas, de maneira geral, pacientes com demência não requerem visitas frequentes, principalmente após estabelecimento do diagnóstico e conduta.

Porém, como as perspectivas para o futuro são incertas, e novos surtos de COVID-19 não podem ser descartados, os médicos estão sendo forçados a desenvolver novas formas de garantir o cuidado mínimo necessário aos seus pacientes. 

A Academia americana de Neurologia publicou documento  mostrando evidências do papel da teleneurologia no cuidado de pacientes com desordem neurológica durante a crise da COVID-19.

É importante lembrar que há, inevitavelmente, importantes limitações na realização do exame neurológico. Todavia, consultas de seguimento podem ser em parte supridas por videoconferências, especialmente na avaliação das atividades diárias e da cognição global.

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