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ECG em Fibrilação Atrial

ECG em Fibrilação Atrial

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Carreira Médica

6 minhá 15 dias

Introdução – O que é Fibrilação Atrial?

Primeiramente, devemos conceituar a fibrilação atrial para entender sua expressão no ECG. A fibrilação atrial é a arritmia sustentada mais comum da prática clínica e está associada à morbidade substancial e mortalidade, pressagiando, assim, uma carga significativa para os pacientes, saúde social e economia da saúde¹.

A prevalência atualmente estimada de FA em adultos está entre 2% e 4%, e um aumento de 2 a 3 vezes é esperado², devido à extensa longevidade na população em geral e intensificação da busca por casos não diagnosticados de FA.

Além disso, a classificação da fibrilação atrial começa com a distinção de um primeiro episódio detectável, independentemente de ser sintomático ou autolimitado³. Assim, podemos classificar a FA como:

  • Paroxística: episódios de FA que terminam espontaneamente em 7 dias (a maioria dos episódios dura menos de 24 horas);
  • Persistente: episódios de FA que duram mais de 7 dias e podem exigir intervenção farmacológica ou elétrica para terminar;
  • Persistente de longa data: FA que persiste por mais de 12 meses, seja porque a cardioversão falhou ou porque a cardioversão não foi tentada;
  • Permanente: quando o paciente e o médico decidem abortar quaisquer estratégias de restauração adicionais após a tomada de decisão clínica compartilhada.

Termos como “fibrilação atrial isolada”, por exemplo, devem ser abandonados, por serem potenciais confundidores. Além disso, também não deve ser usado o termo “FA crônica”.

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Diagnóstico eletrocardiográfico

Como na FA ocorre uma ativação atrial irregular a uma taxa de 350-700bpm com condução irregular através do nó atrioventricular (AV), então ela aparece no ECG como taquicardia de complexo estreito “irregularmente irregular”.

As ondas fibrilatórias (f) podem ser evidentes ou ausentes. A menos que o coração esteja sob estimulação simpática ou parassimpática excessiva, a frequência ventricular está geralmente entre 80 e 180 bpm – figuras 1, 2 e 34. O QRS é, comumente, da mesma largura do que se estivesse em ritmo sinusal. Entretanto, com uma anormalidade no sistema de condução intraventricular, os complexos QRS podem se tornar largos.

As ondas f podem ter várias conformações. Assim, desde a forma grosseira (FA coarse ou FA de “onda grossa”), alternando várias vezes a sua morfologia, até a forma de FA com “onda fina”, que pode traduzir a presença de um átrio doente com dilatação, fibrose e uso de digoxina.

Mas é importante lembrar que, embora a arritmia possa ocorrer em átrios normais, a doença geralmente é progressiva, inicialmente alternando entre ritmo sinusal e FA e, com o passar dos anos, tende a assumir o ritmo permanente de FA.

A FA de “onda grossa” pode confundir alguns leitores com o flutter atrial. Então, aqui estão os critérios que diferenciam as duas entidades: (a) a variação de morfologia e de frequência das “f” é característica da atividade desorganizada da FA e é raramente vista no FLA; (b) a frequência das F acima de 350 por minuto fala a favor de FA; (c) o ritmo dos complexos QRS não ajuda a diferenciar FA de FLA, pois ambos podem ser irregulares (Figura 4).

Por fim, a FA de “ondas finas” está exemplificada na Figura 5.

Figuras

fibrilação arterial ecg
1 (FA – Ritmo irregular sem onda P visível e com ondas f presentes)
fibrilação arterial ecg
2 (FA de baixa resposta ventricular)
fa ecg
3 (FA de alta resposta ventricular)
fa ecg
4 (FA de “ondas grossas” ou coarse. Assim, perceba a variação da morfologia e frequência das ondas “f” em V1 e D2.)
fibrilação atrial
5 (FA de “ondas finas”. Assim, perceba que, em algumas derivações, é possível verificar a presença de ondas “f” de baixa amplitude, com morfologias e frequências variáveis.)

Referências

  1. Benjamin EJ, Muntner P, Alonso A, Bittencourt MS, Callaway CW, Carson AP, et al. Heart Disease and Stroke Statistics-2019 Update: A Report From the American Heart Association. Circulation. 2019 Mar;139(10):e56–528.
  2. Chugh SS, Havmoeller R, Narayanan K, Singh D, Rienstra M, Benjamin EJ, et al. Worldwide epidemiology of atrial fibrillation: A global burden of disease 2010 study. Circulation. 2014;129(8):837–47.
  3. Hindricks G, Potpara T, Dagres N, Arbelo E, Bax JJ, Blomström-Lundqvist C, et al. 2020 ESC Guidelines for the diagnosis and management of atrial fibrillation  developed in collaboration with the European Association of Cardio-Thoracic Surgery (EACTS). Eur Heart J. 2020 Aug;
  4. Alencar Neto JN de. Manual de ECG. Sanar; 2019.

Sobre o Autor

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José Nunes de Alencar Neto é Cardiologista Eletrofisiologista intervencionista pela UNIFESP (São Paulo) e pelo Hospital de Santa Cruz (Lisboa, Portugal). Além disso, é Assistente do serviço de Pronto Socorro do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (São Paulo).

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