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Emergências neurológicas: como atender as principais queixas na emergência?

Emergências neurológicas: como atender as principais queixas na emergência?

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As emergências neurológicas representam uma área crucial da medicina, envolvendo condições de saúde que demandam intervenção médica imediata devido ao risco potencial para a vida e a função cerebral.

Essas emergências podem ocorrer repentinamente e podem afetar pessoas de todas as idades, desde crianças até idosos. As emergências neurológicas têm um impacto significativo na saúde global.

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das principais emergências neurológicas. Além disso, é considerada a segunda causa de morte em todo o mundo. Estima-se que a cada 2 segundos, uma pessoa sofra um AVC, totalizando cerca de 17 milhões de casos anualmente.

Quais são as principais causas de emergências neurológicas?

As emergências neurológicas podem ser desencadeadas por uma variedade de condições subjacentes que afetam o sistema nervoso central. Essas patologias podem surgir de forma aguda, o que exige uma intervenção médica imediata para evitar danos cerebrais graves ou até mesmo risco de vida.

As principais causas de emergência neurológica são:

  • Acidente Vascular Cerebral (AVC)
  • Traumatismo Cranioencefálico (TCE)
  • Convulsões
  • Infecções do Sistema Nervoso Central
  • Tumores Cerebrais

Acidente vascular cerebral (AVC)

O AVC é uma das principais causas de emergência neurológica. Pode ocorrer quando um vaso sanguíneo que irriga o cérebro é obstruído (AVC isquêmico) ou quando há ruptura de um vaso sanguíneo, causando sangramento cerebral (AVC hemorrágico).

A falta de fluxo sanguíneo adequado para o cérebro resulta em danos às células cerebrais, levando a sintomas súbitos, como:

  • Paresia em um lado do corpo
  • Afasia
  • Perda de visão
  • Vertigem

Traumatismo Cranioencefálico (TCE)

Os TCEs são causados por impactos na cabeça que resultam em lesões cerebrais. Essas lesões podem ser concussões, em que ocorre uma breve perda de consciência. Também podem ser lesões cerebrais traumáticas mais graves, como hematomas intracranianos, contusões cerebrais ou lesões axonais difusas.

Os TCEs são frequentemente resultado de:

  • Acidentes automobilísticos
  • Quedas
  • Agressões
  • Lesões esportivas.

Convulsões

As convulsões ocorrem quando há uma atividade elétrica anormal e excessiva no cérebro. Elas podem ser causadas por:

  • Epilepsia: uma condição crônica caracterizada por convulsões recorrentes
  • Febre alta em crianças (convulsões febris)
  • Distúrbios metabólicos
  • Infecções cerebrais
  • Tumores cerebrais
  • Trauma.

Durante uma convulsão, a pessoa pode apresentar movimentos involuntários, perda de consciência e alterações do estado mental.

Infecções do Sistema Nervoso Central

Infecções que afetam o sistema nervoso central podem levar a emergências neurológicas. A meningite, por exemplo, é uma infecção das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, causada principalmente por vírus ou bactérias.

A encefalite é outra condição grave, caracterizada pela inflamação do cérebro, geralmente devido a infecções virais. Essas infecções podem causar sintomas como:

  • Cefaleia intensa
  • Rigidez de nuca
  • Febre
  • Confusão mental
  • Convulsões.

Tumores cerebrais nas emergências neurológicas

Embora nem todos os tumores cerebrais sejam emergências neurológicas, certos tipos de tumores podem apresentar crescimento rápido. Isso acaba resultando em compressão cerebral, edema, hemorragia ou obstrução do fluxo de líquido cefalorraquidiano.

Além disso, pode levar a sintomas agudos, como:

  • Cefaleia intensa
  • Alterações na visão
  • Convulsões
  • Paresia

Como fazer um exame físico neurológico?

O exame físico neurológico é uma avaliação sistemática das funções cerebrais, nervos cranianos, sistema motor e sensorial, equilíbrio e coordenação.

Ele é realizado para identificar possíveis disfunções neurológicas. Além de auxiliar no diagnóstico de doenças ou lesões que afetam o sistema nervoso. Os principais passos para realizar um exame físico neurológico básico, são:

  1. Histórico médico: medicamentos em uso e quaisquer eventos relevantes, como trauma ou infecções anteriores
  2. Observação geral: observar o estado mental do paciente, incluindo nível de consciência, orientação e comportamento geral
  3. Nervos cranianos: avaliação de cada um dos 12 pares de nervos cranianos. Isso inclui testar a visão, movimentos oculares, audição, paladar, força e sensibilidade facial, entre outros.
  4. Força e tônus muscular: avaliação da força muscular em diferentes partes do corpo. Para isso, é possível solicitar ao paciente que execute movimentos específicos (como apertar as mãos ou levantar os braços).
  5. Sensibilidade: teste da sensibilidade do paciente em diferentes regiões corporais. Para isso, utilize estímulos táteis (toque leve) e dolorosos (pinçamento suave) para verificar a resposta sensorial.
  6. Reflexos: avaliação dos reflexos dos tendões profundos. Os principais são o reflexo patelar e o reflexo aquileu, utilizando um martelo de reflexos.
  7. Coordenação e equilíbrio: testes para avaliar a coordenação motora, como o teste de dedo-nariz e o teste de calcanhar-joelho. Observe também o equilíbrio do paciente durante a marcha.
  8. Funções cerebelares: testes específicos para avaliar as funções cerebelares, como o teste de índex-nariz e o teste de disdiadococinesia.

Quais os protocolos essenciais que o médico deve saber para atuar na emergência neurológica?

Na atuação em emergências neurológicas, os médicos devem estar familiarizados com diversos protocolos que visam garantir um atendimento rápido, preciso e eficiente.

Esses protocolos são essenciais para realizar o diagnóstico correto, estabilizar o paciente e encaminhá-lo para tratamento especializado.

Atendimento inicial

Um dos protocolos fundamentais é o de Atendimento Inicial, que envolve a avaliação primária do paciente. Nessa etapa, é crucial realizar a avaliação das:

  • Vias aéreas, respiração e circulação (ABC – Airway, Breathing, Circulation), garantindo a estabilização e o suporte vital adequado.
  • Avaliação neurológica inicial para identificar possíveis déficits motores, sensitivos e alterações no estado mental.

Escala de como de Glasgow

Outro protocolo relevante é a aplicação da Escala do Coma de Glasgow (ECG). Essa escala é amplamente utilizada para avaliar o nível de consciência do paciente, considerando:

  • Abertura ocular
  • Resposta verbal
  • Resposta motora.

Com base na pontuação total obtida, é possível determinar a gravidade do comprometimento neurológico. Além de auxiliar nas decisões quanto ao tratamento adequado.

Escala de Cincinnati

No caso de emergências neurológicas decorrentes de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), existem protocolos específicos. Esses protocolos incluem o uso da escala de Cincinnati para identificar:

  • Sinais de AVC
  • Administração de terapia trombolítica, como o ativador do plasminogênio tecidual (tPA), em casos selecionados de AVC isquêmico agudo
  • Triagem para possíveis intervenções neurocirúrgicas, como a remoção de coágulos.

Como atender as principais queixas neurológicas na emergência?

Para atender as principais queixas neurológicas é necessário que o médico saiba fazer um exame físico com qualidade e precisão. Além disso, é necessário saber o protocolo para as principais doenças neurológicas.

No manejo das convulsões agudas, por exemplo, é crucial seguir protocolos que visam a proteção das vias aéreas e a administração de medicamentos anticonvulsivantes. Os principais medicamentos são:

  • Diazepam
  • Fenitoína

Além disso, é importante investigar a causa subjacente das convulsões e determinar se o paciente precisa de tratamento contínuo com medicamentos antiepilépticos.

Há também protocolos específicos para situações de hidrocefalia aguda. Nessa doença ocorre o acúmulo rápido de líquido cefalorraquidiano no cérebro, levando ao aumento da pressão intracraniana.

Nesses casos, a colocação urgente de uma derivação ventricular pode ser necessária para drenar o excesso de líquido ou a realização de uma cirurgia.

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Referência bibliográfica

  • TAKAYANAGUI, O. M. T. TRATADO DE NEUROLOGIA DA ACADEMIA BRASILEIRA DE NEUROLOGIA, 2ªED. 2019.
  • NITRINI, R; BACHESCHI, L. A. A neurologia que todo médico deve saber. Acesso em 10 maio 2023.

Sugestão de leitura complementar