Câncer de próstata: saiba tudo sobre manifestações clínicas, diagnóstico e mais!
Devido a alta incidência desse tipo de câncer, Novembro foi concebido como o mês de conscientização e é uma iniciativa nacional, que busca desmistificar o câncer de próstata. Estudos mostram que a melhor prevenção para o câncer de próstata é o diagnóstico precoce da doença.
De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil, esse tipo de neoplasia é o segundo mais comum entre os homens, ficando atrás do câncer de pele não melanoma. Para o Instituto Nacional do Câncer é estimado que haja 62,95 casos novos a cada 100 mil homens. No mundo, a taxa de incidência é maior nos países desenvolvidos em comparação aos países em desenvolvimento.
Dentre os pacientes acometidos pela doença, cerca de 75% ocorre nos pacientes com mais de 65 anos. Por conta disso, o câncer de próstata é considerado um câncer da terceira idade.
Qual etiologia e fisiopatologia do câncer de próstata?
É possível dividir os cânceres de próstata em dois grupos, são eles:
- Câncer de origem epitelial
- Câncer de origem estromal (não-epitelial)
Dentre os principais aspectos necessários para o desenvolvimento do câncer de próstata, está a testosterona. Isso ocorre porque os cânceres de próstata expressam níveis altos de receptores androgênicos, e a sinalização por meio do receptor androgênico resulta em crescimento, progressão e invasão pelo câncer de próstata.
Quando há uma redução cirúrgica ou farmacológica das concentrações de testosterona, tem-se uma apoptose e involução do câncer de próstata. Apesar dessas informações, ainda não se sabe os eventos biológicos que cercam o desenvolvimento clínico do câncer de próstata androgênio-resistente.
Fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de próstata
Dos diversos fatores de risco envolvidos nesta patologia, os mais importantes são:
- Idade: a incidência aumenta rapidamente a partir dessa idade, atingindo pico entre 65 e 74 anos
- Etnia: mais comum em homens negros do que em brancos ou hispânicos
- Fatores genéticos e hereditários: homens com histórico familiar de câncer de próstata em ambos lados da família, particularmente aquele com um parente de primeiro grau diagnosticado com idade < 65 anos, possuem um risco maior
Quais os sintomas?
A maioria dos pacientes que estão acometidos com a doença no estágio inicial, restrita ao órgão, são assintomáticos.
Quando aparecem, os sintomas costumam ser miccionais obstrutivos:
- Hesitação
- Fluxo urinário intermitente
- Nictúria
- Perda de força do fluxo
Os tumores localmente avançados também podem resultar em hematúria e hematospermia. Além disso, quando há metástase para os linfonodos pélvicos, é possível que esses pacientes sejam acometidos com edema dos membros inferiores ou desconforto nas áreas pélvicas e perineais.
Como é realizado o diagnóstico?
O diagnóstico do câncer da próstata é realizado através do estudo histopatológico do tecido obtido pela biópsia da próstata. A biópsia deve ser realizada quando houver anormalidade no toque retal ou na dosagem do PSA.
Por meio do relatório anátomo-patológico é possível obter informações quanto à graduação histológica, o que ajuda na definição da provável taxa de crescimento do tumor e sua tendência à disseminação. Além disso, é através das características histológicas que é possível decidir o principal tratamento para o paciente.
Quando é recomendado fazer o exame de toque prostático?
O exame de próstata é realizado, no geral, quando se há sintomas que possam estar ligados a uma inflamação da próstata como uma incontinência urinária.
Para rastreamento de câncer de próstata, não existem evidências que mostrem que a realização desse exame diminua a mortalidade por esse câncer. Dessa forma, o Instituto Nacional do Câncer (INCA), ligado ao Ministério da Saúde, recomenda que o médico e o paciente conversem sobre os riscos e benefícios da realização desse exame.
A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) segue a mesma orientação. Contudo, a SBU recomenda que homens negros ou com histórico familiar de câncer de próstata façam exames diagnósticos a partir dos 45 anos, cabendo ao médico estipular a periodicidade.
É possível prevenir o câncer de próstata?
A melhor forma de prevenir o câncer de próstata é fazer um diagnóstico precoce da doença. Com base nas evidências científicas disponíveis até o momento e entendendo que o conjunto das estratégias de detecção precoce e tratamento de um câncer deva resultar em mais benefício do que dano, tanto na perspectiva do indivíduo quanto da população, é recomendado:
- Não indicar o rastreamento populacional, baseado na ausência de evidências da efetividade das modalidades terapêuticas propostas para o câncer em estádios iniciais e do risco de seus efeitos adversos.
- Sensibilizar a população masculina para a adoção de hábitos saudáveis de vida
- Indicar o rastreamento oportunístico (case finding), ou seja, a sensibilização de homens com idade entre 50 e 70 anos que procuram os serviços de saúde
Desenvolva seu raciocínio clínico e saiba como diagnosticar precocemente o câncer de próstata
Durante todos os atendimentos, é necessário que o médico tenha um bom raciocínio clínico e saiba fazer diagnósticos diferenciais para o seu paciente. Ao desenvolver essa habilidade, o profissional é capaz de dar diagnósticos cada vez mais precoces relacionados a neoplasias e demais patologias.
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Referência bibliográfica
- GOLDMAN, L. Cecil Medicina. Elsevier, 24º ed.
- MINISTÉRIO DA SAÚDE. Câncer de próstata. Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cancer_da_prostata.pdf>. Acesso em 04 de Novembro de 2022.
- ROBBINS. Patologia. 9ºed.
- JAMESON, J. L.; KASPER, D. L.; LONGO, D. L.; FAUCI, A. S.; HAUSER, S. L., LOSCALZO, J. Medicina interna de Harrison. 20. ed. Porto Alegre: AMGH, 2020.
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