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Pandemia, epidemia e endemia: significados e diferenças | Colunistas

Pandemia, epidemia e endemia: significados e diferenças | Colunistas

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Elisa Salomão Henrique

6 minhá 252 dias

Os termos pandemia, epidemia e endemia são dos mais antigos na medicina e sua distinção não pode ser feita com base apenas na maior ou menor incidência de determinada enfermidade em uma população.

Epidemia

Se para epidemia a principal característica se constitui no elevado número de casos novos e sua rápida difusão, para endemia, que vem do grego clássico e significa “originário de um país, referente a um país”, não basta somente o critério quantitativo, o que define o caráter endêmico de uma doença é o fato de ser a mesma peculiar a um povo, país ou região.

Pandemia

Já a pandemia, palavra de origem grega, foi usada pela primeira vez por Platão com um sentido genérico, referindo-se a qualquer acontecimento capaz de alcançar toda a população, e o seu conceito moderno é o de uma epidemia de grandes proporções, que se espalha a vários países, em mais de dois continentes, aproximadamente ao mesmo tempo, como foi a Gripe Espanhola, a Influenza H1N1 e, a mais recente, do COVID-19. A maior mobilidade e o número de viagens realizado em todo o planeta são a principal causa pela qual uma pandemia pode ser desencadeada.

Pandemia, epidemia e endemia segundo a OMS

A definição de epidemia para a OMS corresponde à propagação de uma nova doença em um grande número de indivíduos, sem imunização adequada para tal, em uma região específica.

Por sua vez, a pandemia diz respeito a uma doença que se alastrou em escala mundial, em mais de dois continentes.

Segundo uma especialista em doenças infecciosas da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, Rosalind Eggo, “uma infecção endêmica está presente em uma área permanentemente, o tempo todo, durante anos”, como a varicela e a malária; epidemia “é o aumento nos casos, seguido por um pico e depois diminuição” e pandemia “é a epidemia que ocorre ao redor do mundo aproximadamente ao mesmo tempo”.

Depois de entender a definição de cada um dos termos, para poder definir uma condição como epidêmica ou endêmica, ou, depois, até mesmo pandêmica, deve-se estabelecer quais seriam os possíveis níveis habituais de ocorrência de uma doença ou condição de saúde na população de uma determinada área, naquele período de tempo, realizando um levantamento de número de casos novos, no caso a incidência, do agravo em um período de tempo não epidêmico, como, por exemplo, no Brasil, o aumento de casos de dengue no período chuvoso do ano é comum, mas em alguns locais ocorre aumento excessivo de casos, resultando, assim, em uma situação epidêmica e como foi o caso, em 2003, da epidemia do SARS, outro coronavírus vindo também da Ásia, que se propagou pelo mundo, mas não foi considerado pandêmico, alegado, pela OMS, que o vírus havia sido contido rapidamente e que a maior parte dos casos ficou concentrada em alguns países.

Alguns fatores determinantes e condicionantes podem ser: diversas situações econômicas como a miséria, a falta de saneamento básico e água tratada; culturais, com hábitos alimentares de risco como ingestão de peixe cru ou ostras e alimentos exóticos; ecológicas como a poluição atmosférica e as condições climáticas; psicossociais, incluindo estresse e o uso de drogas; e biológicos com as mutações de um agente infeccioso, transmissibilidade do agente e indivíduos suscetíveis às infecções.  

Esses determinantes podem variar de acordo com as características dos agentes etiológicos e estão intimamente relacionados à sua forma de transmissão. As doenças infecciosas podem ser transmitidas por contato direto (secreções respiratórias, fecal-oral, sexual) ou contato indireto (vetor, ambiente, objetos e alimentos contaminados).

A globalização e a pandemia

Nos dias atuais, a globalização constitui outro importante determinante, resultado de um intenso fluxo de pessoas e alimentos por todo o mundo. A rapidez de deslocamento das pessoas proporcionada pela facilidade de acesso ao transporte aéreo permite que agentes causadores de epidemias sejam transmitidos rapidamente para pessoas de várias regiões do planeta em um curto espaço de tempo, como, por exemplo, o Influenza H1N1, que causou, em 2009, uma pandemia em menos de seis meses, e, atualmente, o COVID-19, em menos de três meses.

Enfrentamento

Para o enfrentamento de situações endêmicas e epidêmicas é necessário um planejamento a nível local, quando pandêmica visa-se a nível global, destacando-se vigilância do território, organização assistencial, articulação intersetorial e o trabalho em conjunto com a equipe de controle de zoonoses (para doenças de transmissão vetorial) e o primeiro passo é a adequação dos protocolos à realidade local.

A pandemia do novo coronavírus

Em relação ao novo Coronavírus e à mudança de classificação pela OMS, no dia 11 de março de 2020, não se deve à gravidade da doença, e sim à disseminação geográfica rápida que o vírus tem apresentado. “A OMS tem tratado da disseminação em uma escala de tempo muito curta”, afirmou Tedros Adhanom, diretor geral da Organização Mundial da Saúde, quando declarou a mudança de estado da contaminação à pandemia.

Desde 31 de dezembro de 2019, quando a China informou à OMS sobre o vírus desconhecido que estava se espalhando pelo país, a transmissão já se alastrou por mais de 160 países, com mais de 200mil casos e 9mil mortes.

Em meio a essa atual pandemia, pode-se fazer uma comparação com os primeiros casos de AIDS, que foram descritos em junho de 1981 e foram necessários mais de dois anos para identificar o vírus causador e, desde os primeiros casos do coronavírus que foram relatados na China em 31 de dezembro de 2019, no dia 7 de janeiro o vírus já havia sido identificado e seu genoma já estava disponível no dia 10 do mesmo mês.

A partir do dia 13 de janeiro já se disponibilizou, para todo o mundo, o teste de RT-PCR, usado para detectar o vírus. Com as fortes medidas de controle e isolamento adotadas pelo governo da China, a situação no país começa a melhorar, já é de conhecimento mundial da cura, onde existem aproximadamente 13 vezes mais casos de pacientes curados do que letais, o vírus é facilmente inativado com a higiene adequada, a existência de mais de 150 artigos científicos sobre o COVID-19, protótipos de vacinas e mais de 80 ensaios clínicos com antivirais em andamento mostra como o mundo está se organizando e nunca esteve tão preparado para poder combater a infecção.

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Autora: Elisa Salomão, Estudante de medicina

Instagram: @elisa_salomao

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