Aprenda como realizar a conduta do paciente com quadros neurovasculares. Saiba tudo desde os sintomas, diagnósticos e tratamento!
Quadros neurovasculares referem-se a condições que envolvem o sistema nervoso central e as estruturas vasculares que o suprem, como as veias e as artérias. Elas podem acontecer de forma temporária ou permanente.
Essas doenças neurovasculares podem também ser chamadas de doenças cerebrovasculares. Confira mais sobre o assunto!
Classificação das doenças neurovasculares
Os quadros neurovasculares são causados por doenças que podem ser classificadas em duas categorias principais: doenças cerebrovasculares e doenças neurovasculares não cerebrovasculares.
Doenças cerebrovasculares
- Acidente Vascular Cerebral (AVC) – Isquêmico e Hemorrágico
- Hemorragia Subaracnóidea (HSA)
- Trombose Venosa Cerebral (TVC)
- Doença Arterial Periférica (DAP)
- Doença Carotídea
Doenças neurovasculares não cerebrovasculares
- Malformações arteriovenosas (MAVs)
- Aneurismas intracranianos
- Malformações cavernosas
- Fístulas arteriovenosas durais
- Vasculites cerebrais
Etiologia e fisiopatologia das principais doenças neurovasculares
As doenças neurovasculares têm etiologias e fisiopatologias diversas. Compreender esses aspectos é crucial para o manejo adequado dos pacientes.
De forma geral, esses quadros acontecem por:
- Sangramento;
- Fluxo sanguíneo restrito por uma estenose;
- Formação de coágulos por uma trombose ou uma embolia;
- Ruptura dos vasos sanguíneos causando hemorragias.
Abaixo, apresentamos algumas das principais doenças e suas características:
Quadros neurovasculares: Acidente Vascular Cerebral (AVC)
- Isquêmico: obstrução do fluxo sanguíneo cerebral devido a trombose, embolia ou estenose arterial.
- Hemorrágico: ruptura de um vaso sanguíneo intracraniano, causando sangramento no tecido cerebral.
Quadros neurovasculares: Hemorragia Subaracnóidea (HSA)
- Geralmente causada pela ruptura de um aneurisma cerebral.
- O sangramento ocorre na subaracnóidea, espaço entre as meninges do cérebro.
Quadros neurovasculares: Malformações arteriovenosas (MAVs)
Defeitos congênitos nos vasos sanguíneos, resultando em conexões anormais entre as artérias e veias do cérebro.
Fatores de riscos associados aos quadros neurovasculares
Vários fatores podem aumentar a suscetibilidade às doenças neurovasculares. Conhecê-los é crucial para o diagnóstico precoce e a prevenção. Alguns dos principais fatores de risco incluem:
- Idade avançada
- Hipertensão arterial
- Diabetes mellitus
- Tabagismo
- Dislipidemia (níveis elevados de colesterol e triglicerídeos)
- Obesidade
- Sedentarismo
- Histórico familiar de doenças neurovasculares
- Uso de contraceptivos orais (em casos específicos)
Como realizar o manejo dos principais quadros neurovasculares?
O manejo adequado de pacientes com quadros neurovasculares envolve uma abordagem multidisciplinar e individualizada.
De forma geral, é fundamental realizar o diagnóstico e avaliação do paciente. Coletar a história clínica completa, exame físico minucioso. Solicitar exames complementares, como tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética (RM), angiografia cerebral, exames laboratoriais, entre outros.
O médico pode prescrever medicamentos para controlar fatores de risco. Anti-hipertensivos, estatinas e anticoagulantes, além de medicamentos específicos para cada doença neurovascular, conforme a necessidade.
Em casos selecionados, intervenções endovasculares, como a embolização de aneurismas ou a oclusão de malformações arteriovenosas, podem ser indicadas. Em outras situações é necessário realizar procedimentos cirúrgicos, como a clipagem de aneurismas ou a ressecção de malformações arteriovenosas.
A reabilitação neurológica é essencial para minimizar sequelas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Programas de reabilitação física, ocupacional e fonoaudiológica podem ser necessários.
Confira o manejo das principais doenças neurovasculares abaixo.
Quadros neurovasculares: Acidente Vascular Cerebral (AVC)
No caso do AVC, é importante definir se é hemorrágico ou se é isquêmico isso porque o tratamento para o acidente vascular cerebral isquêmico e hemorrágico pode diferir devido à natureza e às causas distintas dessas condições.
Tratamento para AVC isquêmico
Terapia de reperfusão:
- Terapia trombolítica: Se o paciente atender aos critérios de elegibilidade e o AVC isquêmico for diagnosticado dentro de um determinado período de tempo, a administração de agentes trombolíticos, como o ativador do plasminogênio tecidual (tPA), pode ser considerada para dissolver o coágulo sanguíneo e restabelecer o fluxo sanguíneo no cérebro.
- Trombectomia mecânica: Em casos selecionados, a trombectomia pode ser realizada para remover o coágulo diretamente do vaso sanguíneo cerebral. Isso é feito inserindo um cateter no vaso afetado e usando dispositivos especializados para remover ou fragmentar o coágulo.
Medidas de suporte
- Monitoramento dos sinais vitais e dos níveis de oxigênio.
- Controle da pressão arterial, evitando hipertensão ou hipotensão.
- Manutenção da hidratação e do equilíbrio eletrolítico.
- Monitoramento e tratamento de complicações, como edema cerebral, convulsões ou infecções.
Saiba mais sobre AVC isquêmico com nosso artigo completo: AVC Isquêmico: diagnóstico e conduta na emergência!
Tratamento para AVC hemorrágico
Controle da pressão arterial: A pressão arterial elevada pode agravar a hemorragia cerebral, portanto, é essencial controlar a pressão arterial de maneira cuidadosa e gradual.
Medidas de suporte
- Monitoramento e tratamento de complicações, como edema cerebral, aumento da pressão intracraniana e convulsões.
- Restrição de atividades físicas e repouso adequado.
- Controle da dor e administração de analgésicos, se necessário.
- Tratamento de outras condições médicas subjacentes que possam contribuir para o AVC hemorrágico.
Em ambos os casos, a reabilitação é uma parte crucial do tratamento após a fase aguda do AVC. Isso pode incluir fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia, conforme necessário, para ajudar na recuperação funcional e maximizar a independência do paciente.
Saiba mais sobre AVC hemorrágico no nosso artigo completo: AVC hemorrágico: o que você precisa saber
Quadros neurovasculares: Hemorragia Subaracnóidea (HSA) e o aneurisma cerebral
O tratamento para o aneurisma cerebral pode variar dependendo do tamanho, localização e características do aneurisma, bem como da condição clínica do paciente. Existem duas opções principais de tratamento: o tratamento endovascular e o tratamento cirúrgico.
Tratamento endovascular
- Embolização por cateter: Nesse procedimento minimamente invasivo, um cateter é inserido por meio de um vaso sanguíneo (geralmente na virilha) e guiado até o aneurisma.
- Pequenas molas ou dispositivos de metal (coils) são então liberados dentro do aneurisma para promover a formação de um coágulo e prevenir o risco de ruptura. Em alguns casos, pode ser utilizado um stent para reforçar a parede do vaso sanguíneo.
- Implante de dispositivos de fluxo desviado: Essa técnica envolve a colocação de um dispositivo em forma de treliça (como um stent) no vaso sanguíneo próximo ao aneurisma. Esse dispositivo desvia o fluxo sanguíneo do aneurisma, reduzindo a pressão e promovendo a cura gradual do mesmo.
Tratamento cirúrgico
- Clipagem cirúrgica: Nesse procedimento, uma pequena abertura é feita no crânio do paciente para acessar o aneurisma. Em seguida, um clipe metálico é colocado na base do aneurisma para interromper o fluxo sanguíneo e prevenir a ruptura.
- Ressecção do aneurisma: Em casos mais complexos, quando a clipagem não é viável, pode ser necessária a remoção cirúrgica do aneurisma e a reconstrução do vaso sanguíneo afetado.
A escolha do tratamento dependerá de vários fatores, como a localização, o tamanho, a forma do aneurisma, a idade e o estado de saúde geral do paciente.
Aprenda mais sobre HSA. Acesse no artigo completo: Hemorragia subaracnóide espontânea (HSA): você sabe reconhecer?
Quadros neurovasculares: Malformações arteriovenosas (MAVs)
O tratamento das Malformações Arteriovenosas (MAVs) envolve uma abordagem personalizada, considerando as características individuais do paciente, a localização da MAV, o tamanho, a presença de sintomas e o risco de complicações.
As opções de tratamento incluem:
Observação
Em casos assintomáticos ou com baixo risco de complicações, a opção de observação com acompanhamento regular pode ser considerada. Isso é feito para monitorar qualquer mudança na MAV ao longo do tempo e intervir apenas se necessário.
Tratamento endovascular
- Embolização: É o procedimento mais comum para tratar MAVs. Consiste em inserir um cateter até a MAV e liberar materiais embólicos (como colas ou molas) para bloquear o fluxo sanguíneo dentro da malformação, reduzindo assim o risco de hemorragia ou aliviando sintomas.
- Oclusão de shunt: Se houver uma comunicação anormal entre as artérias e veias na MAV, pode ser realizado um procedimento para bloquear essa conexão, interrompendo o fluxo sanguíneo indesejado.
Tratamento cirúrgico
- Ressecção: Em alguns casos, a remoção cirúrgica da MAV pode ser uma opção. Isso é realizado por meio de uma craniotomia, na qual a malformação é cortada e removida do tecido cerebral circundante.
- Radiocirurgia estereotáxica: Também conhecida como terapia de feixe de radiação focalizada, é um procedimento não invasivo que usa radiação de alta precisão para tratar a MAV. A radiação danifica os vasos sanguíneos anormais, fazendo com que se fechem gradualmente ao longo do tempo.
O tratamento ideal dependerá de vários fatores, como a localização e o tamanho da MAV, os sintomas presentes, a idade e a saúde geral do paciente.
Após o tratamento, é necessário um acompanhamento regular.
Leia nosso artigo completo sobre o tema: Malformações Arteriovenosas (MAVs): o que são?
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Referências
- YAMAMOTO, F. I. Doenças cerebrovasculares. Manual de doenças cerebrovasculares para os alunos de graduação.
- TAKAYANAGUI, O. M. T. TRATADO DE NEUROLOGIA DA ACADEMIA BRASILEIRA DE NEUROLOGIA, 2ªED. 2019.
- NITRINI, R; BACHESCHI, L. A. A neurologia que todo médico deve saber.