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Os diferentes tipos de parto | Colunistas

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Lanna Carvalho

29 min há 112 dias

Índice

Parto vaginal

• A criança nasce naturalmente pelo canal vaginal.

• O parto é conduzido, monitorizado e registrado pelo médico. A mulher será submetida à vários toques vaginais, a qual será avaliado á consistência e o esmaecimento do colo uterino e a dilatação. Tudo será  registrado no partograma, tais como o toque, o padrão de contração, a altura da cabeça do bebê, sendo este preenchido de hora em hora e objetiva anotar tudo o que ocorre.

 • O médico se torna o agente ativo no período expulsivo do parto, auxiliando na extração fetal.

• Pode ser feito com anestesia ou não.

• Uso de ocitocina para indução, evolução e períodos clínicos do parto.

• Quando o espaço para o bebê passar for insuficiente, é realizada uma episiotomia (corte cirúrgico feito na região perineal) auxiliando a expulsão do bebê e evita a  ruptura dos tecidos perineais.

Vantagens

• Permite o contato mais rápido entre a mãe e o filho.

• Oportunidade da criança sugar no peito nos primeiros momentos de vida e reduz as doenças respiratórias nas crianças, uma vez que a força exigida no nascimento faz o bebê expelir o líquido presente no pulmão.

• O estresse do trabalho de parto, permite a liberação de cortisol, a qual é muito importante para sensibilizar o miométrio, faz com que a ocitocina endógena seja produzida, promove as contrações uterinas, prevenindo quadros de atonia uterina pós parto e maturação pulmonar fetal. Além do cortisol, a liberação de prolactina é significativa, e contribui muito para a lactação.

• Os bebês são introduzidos a uma microbiota vaginal normal, ou seja aos lactobacilos, e consequentemente um melhor desenvolvimento do sistema imunológico, reduzindo o risco de doenças alérgicas, tais como atopia, doença celíaca

• Recuperação mais rápida e redução do risco de hemorragia.

 Lacerações do parto normal

• A descida do bebê, faz com que a vagina e o períneo se estiquem, e esta passagem, em sua saída, pode deixar algum corte no trajeto, pois o tecido se esticou muito a ponto de se separar, e rasgar-se.

• Lacerações de 1°grau são superficiais, se limitam aos pequenos lábios e não exigem suturas, pois cicatrizam por conta própria.

• Lacerações de 2° grau  vão além dos pequenos lábios, da pele perineal e mucosa, acometendo a porção de tecido muscular, sendo mais profundos e geralmente precisam dar pontos para auxiliar na cicatrização.

• Lacerações de 3° grau são lesões que acometem a porção muscular, caminhando até a região do esfíncter anal, podendo acometer parcialmente ou completamente este.

• Lacerações de 4° grau é a mais profunda e grave e causa ruptura superficial, muscular, do esfíncter anal e da mucosa retal.

• As lacerações normalmente não evoluem para complicações pós parto, mas em alguns casos mais extremos como as lesões de 3° e 4° podem gerar incontinência urinária e fecal, a dor perineal crônica, alargamento vaginal, com consequente perda da sensibilidade, eliminação de flatos vaginais durante o ato sexual, ausência de orgasmo e a dispareunia

• Além do períneo, outras lacerações podem ocorrer, tais como o topo da vagina, a laceração periuretral, normalmente de pequeno tamanho, não envolvem músculos, cursa com ardência na micção e precisam de alguns pontos ou nenhum e melhoram naturalmente.  

Critérios de aplicabilidade para o parto vaginal

• Feto insinuado.

• Dilatação completa. Resultado das contrações uterinas e exibindo dilatação em torno de 10 cm.

• Bolsa rota. Processo baseado na ruptura da membrana amniótica, na ausência de trabalho de parto, caracterizado por extravasamento de quantidade considerável de líquido amniótico.

Analgesia para o parto normal(vaginal)

A sensação de algia do parto tem origem em diferentes vias, dependendo da fase do trabalho de parto::

– Durante o 1° período, ou período de dilatação a dor têm origem em especial de estímulos nociceptivos aos receptores químicos e mecânicos existentes no colo uterino e no miométrio. Os mecanorreceptores reagem ao estirão do colo uterino e às modificações pressóricas vindas das contrações. Os quimiorreceptores respondem à liberação de mediadores inflamatórios vindos das lesão das miofibrilas, tais como serotonina, histamina, bradicinina, acetilcolina e íons potássio. Essa dor é do tipo visceral, sob a forma de cólicas, é difusamente sentida e sua via aferente alcança o SNC aos níveis de L1 a T10, e por volta de 3 a 4 cm de dilatação, a dor se intensifica, atingindo também as fibras sacrais S2 a S4.

– O 2° período, ou período expulsivo se baseia na dor de origem somática, através da distensão e tração do assoalho pélvico e do períneo. Basicamente, estes estímulos aferentes são transportados pelo nervo pudendo até os níveis S2 a S4 da medula, além de outros nervos tais como, o ileoinguinal, o cutâneo posterior da coxa e o genitofemoral sendo esta dor aguda e bem localizada.

– A dor do parto eleva a ansiedade e a resposta do estresse materno, resultando em um aumento dos níveis de catecolaminas circulantes. Sendo este aumento relacionado à redução do fluxo sanguíneo uterino, incoordenação contrátil e mudanças cardiotocográficas, levando a ciclo vicioso em que o aumento da dor gera alterações na dinâmica do parto, e vice versa.

A sensação dolorosa eleva o volume corrente e a frequência respiratória, gerando quadros de hipocapnia e alcalose respiratória.

A administração de analgesia reduz a circulação de catecolaminas, em especial adrenalina, com potencial efeito inibidor da contratilidade uterina.

Indução do parto vaginal

• Gestação superior a 40 semanas.

• Incompatibilidade de RH, a qual o curso gestacional expõe a criança aos anticorpos.

• Diabetes.

• Injúria fetal por passagem mal-sucedida.

Parto de Cócoras:

– Se trata de um parto natural, o diferencial se baseia na mudança de posição da mãe, que ao invés de ficar na posição ginecológica normal, mantém-se de cócoras.

– Se trata de um parto de desfecho mais rápido, pois é auxiliado pela gravidade, é mais cômodo para a mulher e mais saudável para o bebê, decorrente da ausência de compressões de vasos sanguíneos que ocorre com a mulher deitada de costas.

– Altamente indicado em gestações de curso saudável e livre de problemas tensionais.

– As principais vantagens desta opção são: a maior mobilidade dada à mulher no momento do nascimento, a ausência de métodos invasivos e a recuperação imediata.

Parto humanizado:

• Não se trata necessariamente de um tipo de parto, mas sim à assistência prestada à mulher e ao bebê durante o pré-natal, parto e pós-parto. Além de buscar reduzir intervenções clínicas desnecessárias ou de risco para a mãe e o recém-nascido.

• Humanizar é acreditar na fisiologia da gestação e do parto.

• Ocorre uma discussão do plano de parto durante o pré-natal.

• A visão do parto como um evento multidimensional, holístico, biopsicossocial e espiritual.

• Uso das melhores evidências científicas para tomada de decisões que respeitam o parto e tornam o nascimento seguro.

• Baseado em total comando da gestante, ou seja todas as decisões pertencem a essa que vivencia o nascimento de seu filho de forma ativa e participativa.

• É permitido um acompanhante para oferecer suporte emocional e uma Doula.

• O ambiente deve ser especial, seja no hospital ou no domicílio, junto com música suave, redução da luz e conta com massagens na região lombar da parturiente pois beneficia conforto a essa.

• Não são utilizados meios para indução e evolução do parto. A equipe de parto humanizado busca técnicas não- farmacológicas para propiciar relaxamento e desfecho, medidas como lavagem estomacal é um ato que desumaniza o parto.

A violência obstétrica é o contrário do parto humanizado

A violência obstétrica se dá quando predomina o desrespeito e agressão da mulher tanto física quanto psicologicamente.

Alguns achados de violência obstétrica são: o abuso físico, sexual, verbal, qualquer discriminação, negligência durante o parto e condições precárias do sistema de saúde. Além destes, alguns procedimentos e o modo como são feitos se enquadram nessa classificação, as quais são a episiotomia de rotina, uso de ocitocina sintética sem necessidade, a manobra de Kristeller (compressão da porção superior do útero para otimizar a saída do bebê), a lavagem intestinal e a impossibilidade de motilidade ou posição durante o parto.

 Parto cirúrgico ou cesariana

• O nascimento se dá por meio de incisão cirúrgica abdominal, ou seja laparotomia e incisão uterina (histerotomia). Neste ato, são cortados 7 camadas de pele até alcançar o útero por uma incisão de 10 cm feita acima dos pêlos púbicos, ao localizar o bebê o médico ira extrai-lo suavemente e a equipe removerá a placenta do corte será oculto por pontos.

• A OMS recomenda que apenas 15% dos partos sejam por via cesárea

• Pode ser programado, ou seja conta com data e hora marcada antecipadamente ou também pode ser feito de urgência.

• Apresenta todos os riscos de qualquer outra cirurgia, sejam eles anestésicos ou até mesmo após o parto.

• Recuperação mais demorada.

Desvantagens

– O bebê é introduzido em contato com as bactérias cutâneas, em especial o Staphylococcus que é uma bactéria maléfica, faz com que a colonização intestinal deste bebê fique alterada.

– Certo atraso da amamentação, resultando da privação do bebê aquela primeira hora o “Golden Hour”, a qual é muito importante não só pelo aleitamento, mas também pelo contato pele a pele.

– Maior dor e dificuldade para andar.

– Maior risco de ter febre, infecção, hemorragia,

• Fatores de risco para cesárea

– Indução do parto, em especial o grupo das nulíparas com colo desfavorável.

– Oligoâmnio: a redução da produção de líquido amniótico proporcional ao tempo e à intensidade da carência de oxigênio pelo feto, é oriunda da hipoxemia fetal crônica a qual desencadeia o processo de redistribuição do débito cardíaco fetal, culminando em isquemia renal e decréscimo da diurese fetal.

– Idade materna avançada.

– Obesidade.

– Excesso de rotação axial do cordão umbilical: sendo este relacionado ao aumento na incidência de restrição do crescimento fetal, desacelerações da frequência cardíaca fetal durante o trabalho de parto e trombose vascular com subsequente estenose dos vasos umbilicais.

Principais fatores para aumento de  cesáreas

– Fetos em apresentação pélvica.

– Maior ocorrência de obesidade.

– Altas ocorrências de danos ocorridos durante o parto vaginal, logo muitos obstetras abreviam o tempo de nascimento por operação cesariana.

– Cesáreas eletivas para preservação do assoalho pélvico.

– Cesáreas eletivas por opção da mãe, em cumprimento à autonomia do paciente.

 Fatores para cesáreas de emergência:

– Sofrimento fetal.

– Anormalidades cardiotocográficas.

– Síndromes hemorrágicas. Entre as principais estão a DDP (descolamento prematuro da placenta) PP (placenta prévia) e traumas maternos.

– Iminência de rotura uterina.

– Cesárea post mortem. Quando há óbito da mãe sob vigilância médica, o feto pode ser salvo se a intervenção operatória ocorrer até 20 minutos após o ocorrido. O sucesso desse ato é influenciado pela idade gestacional, o intervalo entre o óbito materno e a cesárea e a natureza e rapidez da morte da mãe, em razão de a morte lenta piorar o prognóstico neonatal.

– O prolapso do cordão umbilical. Fenômeno que ocorre durante o trabalho de parto após a rotura de membranas, espontânea ou artificial, exibindo uma série de fatores de risco, tais como: apresentação pélvica incompleta, alta e móvel junto com polidrâmnio. Para se evitar esse evento, cautela durante a amniotomia e exame cuidadoso em casos de membranas rotas.

– A distocia funcional incorrigível, se baseia em distúrbios da contratilidade uterina, resultando na involução do parto. São impostas, várias terapêuticas, tais como a amniotomia, a infusão de ocitocina, sedação e analgesia. Em casos de insucesso, a indicação da cesariana torna-se viável.

– Acidentes de punção, tais como a amniocentese e a cordocentese.

– Sofrimento fetal por insuficiência placentária crônica grave.

Fatores para cesáreas eletivas:

A cesárea eletiva se trata de uma cirurgia planejada com base em uma série de razões maternas, fetais e placentárias, ou simplesmente por demanda.

– Malformações fetais.

– Apresentações anômalas.

– Macrossomia fetal.

– Gestações múltiplas.

– Aloimunização fetomaterna.

– Fatores obstrutivos da via de parto vaginal, tais como atresia vaginal, condiloma acuminado volumoso, varizes vulvovaginais, estenose cicatricial de colo uterino, carcinoma invasivo e tumores uterinos e ovarianos.

-Intercorrências gestacionais graves; em especial a síndrome HELLP, eclâmpsia e casos de feto com muito baixo peso.

– Casos de placenta prévia ou acretismo placentário.

– Cicatriz uterina prévia. Em razão de o segmento miometrial estar enfraquecido e mais suscetível ao risco de rotura uterina durante o trabalho de parto.  

– Cesáreas prévias. A alta indicação de cesárea em gestantes que realizaram previamente duas ou mais cesáreas.

– A cesárea pode prevenir anormalidades e outros danos no diafragma pélvico, tais como a incontinência anal, urinária e fistulas.

A Cesária opcional ou por demanda

Faz referência a um nascimento por via abdominal de gestação com feto único, vivo e a termo, na ausência de qualquer indicação médica ou obstétrica.  

A cesárea a pedido não deve ser efetivada antes de 39 semanas gestacionais e não é recomendada para mulheres que desejam uma prole muito grande.

A escolha para o parto cesárea está altamente relacionado com idade entre ou superior aos 35 anos, alto nível de escolaridade, infertilidade prévia, tabagismo, qualidade de informação e maior segurança.

Parto natural

– A criança nasce através do canal vaginal, mas ao contrário do parto normal, este busca respeitar ao máximo o processo fisiológico da mãe, sendo mais humanizado.

– Está via de parto exige preparo desde a gestação, em razão da necessidade de fortalecer os músculos da pélvis. Logo, exercícios como pilates e yoga são muito bem indicados.

– A paciente conduz o trabalho de parto e são feitas técnicas não farmacológicas para o alívio da dor.

– O médico é passivo durante o trabalho de parto e durante o período expulsivo, apenas observa e assegura o bem estar materno-fetal.

Parto domiciliar

• Pode entrar na categoria de parto humanizado ou natural. Sendo este efetivado no próprio domicílio da parturiente.

• Considerado mais aconchegante e confortável  permitindo a participação de toda a família.  

• Indicado em gestantes que não tem alto risco para o parto e deve ser feito por profissional habilitado.

Parto na água

• Indicado para gestantes sem nenhuma complicação na gestação.

• É relaxante para a parturiente durante o estresse das contrações.

• A água deve estar na temperatura ideal.

• Não oferece nenhum risco para o bebê, pois ele está sendo oxigenação pelo cordão umbilical. Assim que o bebê nasce, é preciso garantir que ele não perca calor, sendo essencial secá-lo e aquecê-lo rapidamente.

Parto de cócoras

• Se trata de um parto vaginal natural, diferenciando apenas a posição da mãe, que ao invés da posição ginecológica usual mantém-se de cócoras no momento de expulsão do bebê.

• Altamente indicado para corrigir distócias durante o trabalho de parto, em especial as de ombro. O feto também apresenta um melhor Apgar.

• A ação da gravidade auxilia no desprendimento do bebê pelo canal de parto, favorece também a rotação do feto no canal de parto, abrevia o período expulsivo, maior alargamento da pelve, relaxamento facilitado dos músculos da região, menores dores no momento da expulsão e trauma perineal.

Parto de Fórceps

• Sua ocorrência se dá quando o parto normal apresenta algumas dificuldades para a saída do bebê.

• O fórceps é um instrumento destinado a ajudar na extração fetal através da preensão do polo cefálico, reduzindo a duração do 2° período do parto.  

• São relatados que o PH sanguíneo do feto reduz gradativamente no período expulsivo e que, decorrido os 30 minutos iniciais deste, uma leve acidose é desenvolvida. Em casos em que o feto exibe desaceleração tardia, a pressão parcial de oxigênio tende a cair. Logo, em casos de suspeitas de injúria fetal, a abreviação do período expulsivo através do fórcipe é muito útil em se evitar a anóxia e ou hipóxia fetal.

Indicações maternas para aplicação do fórcipe

– Doenças cardíacas.

– Comprometimento pulmonar.

– Infecções amnióticas.

– Algumas condições neurológicas.

– Exaustão.

– Falha no progresso após determinado período de espera ou 2° período do parto prolongado, em especial em ocorrências de sofrimento fetal concomitante, sendo necessário a abreviação deste por meio do fórcipe baixo ou de alívio.

Indicações fetais para aplicação do fórcipe

Qualquer situação que evidencie sofrimento fetal, exige o fim do período expulsivo de modo breve e seguro.

– Prolapso do cordão umbilical.

– Cabeça insinuada nas apresentações cefálicas.

– Cabeça derradeira nas pélvicas.

Condições para se aplicar o fórcipe :

O binômio mãe e feto devem seguir certas  condições.

A mãe deve obedecer a:

– Total dilatação do colo.

– A bolsa das águas rota e estreito médio e inferior compatíveis com o volume cefálico.

O feto deve:

– Estar com vitalidade conceptual.

– A cabeça insinuada.

– Volume cefálico normal.

A classificação do fórcipe é baseada na aplicação de acordo com o nível de descida e à variedade de posição da apresentação fetal e o grau de rotação do polo cefálico

• Fórcipe de alívio (outlet): o couro cabeludo é visível no introito vaginal, mas sem abrir os grandes lábios. O polo cefálico alcançou o assoalho pélvico. A sutura sagital está no diâmetro anteroposterior ou nos diâmetros oblíquos anterior/posterior e a rotação não excede os 45°.

• Fórcipe baixo (low): o polo cefálico não chegou ao assoalho pélvico, certo grau de rotação pode estar presente.

• Fórcipe médio (midforceps): o polo cefálico está insinuado mas não atingiu a pelve.

Funções do Fórcipe

Este instrumento exerce uma tríade funcional a qual são: a preensão, rotação e tração.

Tratando-se que todas essas funções exigem certa técnica e cuidado para ser bem sucedida e não causar nenhum dano.

A função preensora deve seguir as seguintes orientações

– As colheres devem ser aplicadas em pontos diametralmente opostas, sobre as regiões parietomalares, ou seja deve se evitar posicionar as colheres só na metade posterior da fronte e do occipício. Em situações que não sigam este preceito, as colheres podem deslizar horizontalmente, e a cabeça escapa para diante.

– A extremidade anterior das colheres nas apresentações fletidas deve ultrapassar a arcada zigomática bilateralmente; e nas defletidas, as bolsas parietais. Caso contrário, as colheres podem deslizar verticalmente, ou seja a posição do fórcipe só na porção mais alta da fronte e do occipício resulta na preensão inadequada.

– A pega ideal é a parietomalar. As colheres devem ser aplicadas no sentido do diâmetro sagital.

A função tratora deve seguir os seguintes cuidados

– Não ser abusiva, prevenindo manobras intempestivas e exageradas. A tração deve ser elegante e, de certo modo, suave.

– A tração deve coincidir com as contrações e entre elas deve ser interrompida.

– Para auxiliar o desprendimento cefálico deve se fazer a tração vertical do estreito superior para o médio.

– Acompanhar o eixo da porção preensora das colheres.

A função rotatória pode ser feita anteriormente (púbica) ou posteriormente (sacra), podendo ser de 45°, 90° e 135°, devendo seguir

– Circundação ampla dos cabos, em especial aos fórcipes com alta curvatura pélvica. Está técnica evita lacerações de fundo de saco vaginal e deve ser feito na bacia mole.  

– Chave em fechadura é altamente indicado em fórcipes de baixa curvatura pélvica. Este foi abandonada por resultar em muitos casos de traumas vaginais graves, compostos por lacerações bilaterais das paredes vaginais laterais, desde o fundo de saco vaginal até a vulva.

– Abaixamento dos cabos contra o sacro materno, com consequente rotação para a apresentação occipitopúbica. Sendo uma manobra de fácil execução e a rotação se dá pela forma em baioneta do fórcipe.  

Analgesia obstétrica:

Métodos farmacológicos

• Sistêmicos: os mais usuais são a petidina, morfina, fentanila, alfentanila e a remifentanila.

Casos possíveis em se administrar por meio de bomba de infusão controlada pela paciente, essa via deve ser preferida.

A meperidina é administrada em doses de 50 A 100 mg, por via intramuscular, ou 25 a 50 mg, pela via intravenosa.

• Técnicas de bloqueio regional de condução são consideradas o padrão-ouro para o alívio da dor do parto.

As principais contraindicações à analgesia de condução no trabalho de parto são: infecção no local de punção, hipotensão ou hipertensão arterial acumulada, hipovolemia por anemia ou desidratação, uso de anticoagulantes e neuroplégicos, doenças medulares ou neurológicas acometendo a região ou recusa da paciente.

Complicações podem ser:

Imediatas:

– Hipotensão materna: definida como pressão sistólica inferior a 100 mmHg ou redução de 25% na média pressórica prévia ao bloqueio. Oriunda da vasodilatação periférica induzida pela administração da droga, relacionada à redução do estímulo doloroso. Considerar que leves quedas não possuem efeito fetal, mas a hipotensão grave pode amenizar o fluxo placentário e resultar em alterações cardiotocográficas e até comprometer fetos com reserva de oxigênio limítrofe. Logo a expansão volêmica da mãe com soluções isotônicas como Ringer lactato ou solução fisiológica simples precedendo o início do bloqueio é suficiente para evitar quedas graves na pressão arterial materna; mas não causar hiperidratação, a qual reduz a contratilidade uterina.

– Retenção urinária.

– Convulsões.

– Parada cardíaca induzidas pelo anestésico local, em especial em casos de injeção inadvertida de drogas no espaço raquidiano ou na circulação sistêmica em dose calculada para administração peridural.

Tardia

– Cefaleia pós-punção. Atualmente sua incidência se reduziu após ao surgimento das “agulhas em ponta de lápis”.

– Dor lombar transitória.

– Meningite.

– Abscesso peridural.

– Déficit neurológico permanente.

– Peridural: injeta-se entre as vértebras da região lombar, no espaço epidural, através da punção e, com o auxílio de um cateter, é administrada a anestesia, de forma contínua ou espaçada, de acordo com a necessidade de cada caso. A agulha em questão possui 10 cm de comprimento e espessura fina em torno de 0.9. Com a anestesia peridural, a paciente não sofre as dores do trabalho de parto, mas se encontra totalmente consciente.

Conhecida pela grande quantidade de anestésicos administrados. Atualmente, com a introdução dos opioides e o uso de infusões contínuas para complementação após a dose inicial, a qual possibilita reduzir as altas dosagens de anestésicos locais empregados e melhorou a mobilidade das parturientes sob analgesia.

Altamente indicada para casos de parto normal, em razão de manter as contrações, apesar de não senti-las, e pode durar o tempo que for necessário, devido ao privilégio de administrar as doses por meio do cateter.

Pode ser eleita em pacientes que exibem maior instabilidade hemodinâmica, tais como quadros de pré-eclâmpsia ou cardiopatia, pois o início de ação mais lento da peridural oferece maior segurança, junto ao menor risco de hipotensão. Além desta, quando há situações nas quais exista alta probabilidade de evolução para cesárea, em consideração a confiabilidade do posicionamento do cateter peridural é maior nessa técnica.  

– Analgesia raquiperidural (duplo bloqueio) se baseia na associação entre a anestesia peridural e raquidiana, objetivando o bloqueio motor imediato ofertado pela raquidiana, aliviando a dor, simultaneamente a peridural oferece maior durabilidade anestésica.

A técnica de bloqueio combinado raquipedural, utiliza dose inicial de anestésicos locais e/ou opioides no espaço subaracnoide e a subsequente associação da analgesia peridural, com posicionamento do cateter nesse espaço, para administração das complementações necessárias. O uso do bólus intratecal resulta em rápido alívio da dor e redução significativa do bloqueio motor, e além disso não resulta em prejuízo a motricidade, dando a parturiente a possibilidade de continuar a deambulação.

A técnica mais usual é a dupla punção, conhecida como agulha através de agulha.

Indicada em casos de parto normal, por possibilitar a manutenção do trabalho de parto até o momento expulsivo do bebê sem que a gestante sinta dores. Além disso, também é muito eficaz em aumentar o efeito anestésico da cesárea.

Possui vantagens nítidas quando é feita no final do 1° ou 2° período do parto, quando o alívio da dor precisa ser rápido e a analgesia perineal é mais requisitada.

As principais complicações são: o risco de migração do cateter peridural, a passagem de drogas através do ponto de punção da dura-máter e maior possibilidade de implicações infecciosas, tais como a meningite em razão da invasão do espaço subaracnoide.

Analgesia em casos de conversão de parto normal para cesárea

Existem casos de evolução desfavorável do parto normal, a complementação anestésica para operação cesariana pode ser feita com:

– Bupivacaina a 0,5%.

– Lidocaína a 2% : usualmente a mais eleita por conta do início de ação mais rápido e da menor duração do bloqueio motor no pós-operatórias .

– Ambas podem ser combinadas com adrenalina.

– Doses intermitentes de 5 mL a intervalos de 5 minutos podem ser empregados em ambos os anestésicos locais, sendo suficiente 10 a 15 mL de volume total.

Analgesia obstétrica para cesárea

As técnicas mais indicada para tal são as regionais, raquidiana ou peridural. A anestesia geral só é indicada em situações de contraindicação das demais.

As condições clínicas da paciente e o tempo cirúrgico previsto determinam a escolha entre a técnica raquidiana e peridural. A anestesia raquidiana é a escolhida por envolver menor volume de anestésico, maior segurança, ou seja menor toxicidade do anestésico local, maior rapidez na instalação e melhores condições operatórias para o obstetra.

Em casos de previsão de tempo cirúrgico, a melhor indicação é a peridural.

– O útero quando não está sofrendo contrações, torna a extração fetal muito trabalhosa, em razão de não se ter o segmento do útero, tornando o contorno do bebê com o espaço em que se encontra muito impreciso.

– A indução do parto auxilia o corpo a produzir corretamente as contrações uterinas, propiciando assim mudanças no colo do útero e o desencadeamento do trabalho de parto efetivo. Ela pode ser feita inicialmente com métodos naturais, ainda antes da internação hospitalar e/ou com o uso de medicamentos no hospital.

As formas naturais de induzir o parto

– Banhos quentes.

– Acupuntura e homeopatia.

– Estimulação da mama.

– O uso de chás estimulantes.

As formas mecânicas/farmacológicas de induzir o parto

• Descolamento das membranas. Ato baseado em estímulo tátil no colo do útero durante o exame de toque, objetivando descolar as membranas da bolsa do orifício do colo, auxiliando a síntese de hormônios locais e o consequente desencadeamento do trabalho de parto.

• Método de Krause. Ato caracterizado pela colocação de uma sonda no colo do útero para ajudar no preparo do colo para o parto.

• O uso de medicamentos, tais como o Misoprostol, comprimido composto de prostaglandina colocado na vagina em intervalos regulares para induzir o parto. A ocitocina, também é muito usada, sendo um hormônio sintético colocado no soro para induzir as contrações uterinas.  

Parto Pélvico

• Situação que indica que o bebê se encontra “sentado”, ou seja este não fica de cabeça para baixo no final da gestação. Situação oriunda provavelmente de gestações anteriores ou de gêmeos, alterações morfológicas do útero, placenta prévia e excesso ou déficit de líquido amniótico a qual dificulta ou até impede a mobilidade fetal.

• Há situações em que o profissional consegue reverter essa apresentação fetal. Através da manobra chamada “Versão cefálica externa” feita entre a 36° e 38° semana gestacional, a qual o médico manualmente coloca as mãos na barriga da gestante, virando lentamente o bebê para a posição correta. Mas, quando não se obtém êxito, é necessário discutir acerca do parto pélvico ou até a opção por uma cesariana.

• O parto pélvico têm maior possibilidade do bebê ficar preso no canal vaginal, estando sujeito à hipóxia e até anóxia, além do risco da cabeça e ombros ficarem retidos nos ossos pélvicos maternos.

• A opção por uma cesariana muitas vezes é feita, em razão de prematuridade, sensibilidade, grande diâmetro cefálico, bacia materna desfavorável e maior anseio pelo maior desfecho de trabalho de parto.  

Autor(a): Lanna do Carmo Carvalho

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências

Parto vaginal: https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://docs.bvsalud.org/biblioref/2020/02/1050694/femina-2018-466-380-404.pdf&ved=2ahUKEwiP9aT9i_HwAhW0HLkGHdnPDE8QFjACegQIAxAC&usg=AOvVaw3BiVn2cYBJTU-xnzoQB898 

Parto de cócoras: https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=http://www.as.saude.ms.gov.br/wp-content/uploads/2019/08/MANUAL-DE-GESTA%25C3%2587%25C3%2583O-DE-ALTO-RISCO-2011.pdf&ved=2ahUKEwiP9aT9i_HwAhW0HLkGHdnPDE8QFjAHegQIChAC&usg=AOvVaw2lzgimKSWFWil_NhKl3QEW

Parto humanizado: https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://atencaobasica.saude.rs.gov.br/upload/arquivos/202001/03091259-nt-gestante-planificasus.pdf&ved=2ahUKEwiP9aT9i_HwAhW0HLkGHdnPDE8QFjAKegQICxAC&usg=AOvVaw2vC3cgez6qodDfuwF0l8mo

Parto cirúrgico ou cesariana: https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://atencaobasica.saude.rs.gov.br/upload/arquivos/202001/03091259-nt-gestante-planificasus.pdf&ved=2ahUKEwiP9aT9i_HwAhW0HLkGHdnPDE8QFjAKegQICxAC&usg=AOvVaw2vC3cgez6qodDfuwF0l8mo

Parto domiciliar: https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://www.tuasaude.com/parto-domiciliar/amp/&ved=2ahUKEwj74oW8jPHwAhXwJrkGHfy_AGMQFjAHegQIFxAC&usg=AOvVaw2LYTAgDIWqoSxxtMPZDb8u&cf=1 

Parto natural: https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://www.gineco.com.br/saude-feminina/gravidez/parto&ved=2ahUKEwjlm7fhjPHwAhXRIbkGHVcDDtsQFjATegQIDRAC&usg=AOvVaw2gRIhzbNcVTBaZl-h7RhcB

Parto pélvico: https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://www.gineco.com.br/saude-feminina/gravidez/parto&ved=2ahUKEwjlm7fhjPHwAhXRIbkGHVcDDtsQFjATegQIDRAC&usg=AOvVaw2gRIhzbNcVTBaZl-h7RhcB

Analgesia obstétrica: https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://www.scielo.br/scielo.php%3Fpid%3DS0034-71672020000200164%26script%3Dsci_arttext%26tlng%3Dpt%23:~:text%3DNo%2520Brasil%252C%2520o%2520direito%2520a,normal(5%252C7).&ved=2ahUKEwjon_D6jPHwAhUjILkGHbhtCFIQFjABegQIBBAF&usg=AOvVaw2so1yQgzKhzITwzciVTIbD 

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