Cirurgia geral

Resumo de Hérnias Abdominais: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento

Resumo de Hérnias Abdominais: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento

Compartilhar

Definição

As hérnias correspondem a uma protrusão de um órgão ou parte dele, através de um ponto de fragilidade da parede que o contém. As hérnias da parede abdominal podem ser classificadas de acordo com a sua etiologia, em hérnias congênitas ou adquiridas.

As hérnias congênitas são aquelas nas quais o defeito existe desde o nascimento, devido a uma falha no processo de formação da parede abdominal. Já as hérnias adquiridas surgem ao longo da vida, a partir de um enfraquecimento das estruturas musculoaponeuróticas. As hérnias abdominais ainda podem ser classificadas de acordo com a sua localização em hérnias da virilha, pélvicas, ventrais ou dorsais.

Epidemiologia de Hérnias Abdominais

A cirurgia de correção das hérnias é uma das mais realizadas em todo o mundo. Essa patologia acomete cerca de 8x mais o sexo masculino do que o feminino, sendo a faixa etária mais comum entre os 50 e 70 anos de idade. Dentre as hérnias da parede abdominal, a mais prevalente é a hérnia da virilha, sendo 96% delas localizadas na região inguinal e apenas 4% na região femoral.

Fisiopatologia

As hérnias inguinais são as mais prevalentes e podem ser classificadas ainda em direta ou indireta. As hérnias indiretas ocorrem devido a alterações congênitas, que resultam em um defeito no fechamento do conduto peritoneovaginal. Esse conduto corresponde ao trajeto que permite a descida do testículo da cavidade abdominal até a bolsa escrotal. Assim, a falha no fechamento desse trajeto acaba facilitando a passagem das estruturas abdominais, predispondo a ocorrência das hérnias inguinais.

As hérnias diretas, por sua vez, são resultados de defeitos adquiridos, levando ao enfraquecimento da fáscia transversalis – que corresponde a parede posterior do canal inguinal. O fator de risco mais importante para o desenvolvimento desse defeito é o aumento da pressão intra-abdominal, que acontece em pacientes com tosse crônica, gravidez, obesidade ou que praticam atividades físicas com peso excessivo, por exemplo.

Hérnia inguinal - Wikimedia Commons
Imagem: Hérnia inguinal
Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:A_man_with_an_Inguinal_Hernia.png

Quadro clínico de Hérnias Abdominais

As manifestações clínicas vão depender do tamanho e da localização das hérnias. De um modo geral, no exame físico podemos encontrar uma massa palpável, cujo conteúdo pode ou não retornar para a cavidade abdominal.

Além disso, alguns pacientes podem referir desconforto ou dor local e sinais de obstrução intestinal, como parada de eliminação de fezes e gases, vômitos e distensão abdominal.

Diagnóstico de Hérnias Abdominais

O diagnóstico pode ser feito através da história clínica e dos achados do exame físico, e complementado com exames de imagem. A tomografia computadorizada é o melhor exame para identificar o tamanho do defeito e o conteúdo do saco herniário, permitindo um planejamento cirúrgico mais adequado.

Tratamento de Hérnias Abdominais

De um modo geral, o tratamento das hérnias abdominais é cirúrgico. Atualmente, existem diversas técnicas de reparo, sobretudo, para as hérnias da região inguinal. A técnica mais utilizada nos dias de hoje é a de Lichtenstein, que corresponde a uma técnica sem tensão, onde é colocado uma tela de polipropileno para reforçar a parede posterior do canal inguinal. A tela é suturada ao longo do ligamento inguinal, tendão conjunto e sob o músculo oblíquo interno. Essa é a técnica com menor índice de recidiva.

A técnica de Bassini visa a aproximação primária dos tecidos, sem uso de tela, através da sutura do tendão conjunto e das bordas dos músculos oblíquo interno e transverso ao ligamento inguinal. Devido ao alto índice de recidiva, muitos cirurgiões deixaram de realizar esse procedimento.  

Outra técnica de herniorrafia é a de Shoudice. Essa técnica é mais complexa, e visa a reconstrução do canal inguinal através da aproximação de quatro planos, com suturas contínuas.

Além das técnicas abertas, existem também os reparos laparoscópicos. Nesses casos, o defeito herniário é abordado através da sua parede posterior. Os mais utilizados são o reparo de hérnia pré-peritoneal transabdominal (TAPP) e o reparo de hérnia totalmente extraperitoneal (TEP), sendo, nos dois casos, utilizadas telas para reforçar a parede abdominal e diminuir o índice de recidiva.

Posts relacionados:

Referências:

David C Brooks, MD. Overview of treatment for inguinal and femoral hernia in adults: UpToDate, 2021.  Acesso em: 20 mai. 2021. https://www.uptodate.com/contents/overview-of-treatment-for-inguinal-and-femoral-hernia-in-adults

David C Brooks, MDMary Hawn, MD. Classification, clinical features, and diagnosis of inguinal and femoral hernias in adults: UpToDate, 2019.  Acesso em: 20 mai. 2021. https://www.uptodate.com/contents/classification-clinical-features-and-diagnosis-of-inguinal-and-femoral-hernias-in-adults

George A Sarosi, Jr, MDKfir Ben-David, MD, FACS. Laparoscopic inguinal and femoral hernia repair in adults: UpToDate, 2021.  Acesso em: 20 mai. 2021. https://www.uptodate.com/contents/laparoscopic-inguinal-and-femoral-hernia-repair-in-adults

Compartilhe com seus amigos: