Urgência e Emergência

Resumo de Suporte Básico de Vida (SBV)

Resumo de Suporte Básico de Vida (SBV)

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Sanar

6 min há 15 dias

O Suporte Básico de Vida (SBV) consiste em um conjunto de medidas voltadas à redução do dano ou do risco de morte associado a eventos cardiovasculares, em especial, à parada cardiorrespiratória (PCR) não traumática, tanto no ambiente extra hospitalar como no ambiente intra hospitalar.

Podendo ser utilizado por socorristas leigos ou profissionais, o SBV orienta medidas de suporte às vítimas até a chegada dos Serviços Médicos de Emergência ou da Equipe de Suporte Avançado de Vida.

No ambiente intra hospitalar, a parada cardiorrespiratória geralmente está associada a quadros circulatórios ou respiratórios que se agravam e pode ser prevista e evitada através da vigilância e de medidas de prevenção e tratamento precoce, além do acionamento da equipe de ressuscitação.

Já no ambiente extra hospitalar, a maioria das PCR acontecem de forma súbita e em decorrência de problemas cardíacos subjacentes. A chance de sobrevivência nesses casos está associada ao rápido reconhecimento da PCR, acionamento do serviço médico de emergência,  início das manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) e uso do desfibrilador externo automático (DEA), quando disponível, pelo socorrista leigo.

Apesar dos avanços recentes, a American Heart Association (AHA) estima que menos de 40% dos adultos em PCR recebem RCP iniciada por socorristas leigos e menos de 12% têm um DEA aplicado antes da chegada do serviço médico de emergência.

Cadeia de sobrevivência da AHA na parada cardiorrespiratória extra hospitalar (PCREH) em adultos

Cadeia de sobrevivência da AHA na parada cardiorrespiratória extra hospitalar

Na cadeia de sobrevivência da PCREH, geralmente iniciada por socorristas leigos ou pessoas não treinadas, o elemento principal é o reconhecimento de uma possível PCR e acionamento do serviço médico de emergência.

Na sequência, as compressões de alta qualidade devem ser iniciadas na vítima inconsciente e em uma suposta PCR, com o uso do DEA se disponível.

Como atualização, em 2020, a AHA passa a recomendar o início da RCP pelo socorrista leigo no atendimento a toda suposta PCR, pois o risco de dano ao paciente é baixo se o mesmo não estiver em PCR.

Após a chegada do serviço médico de emergência, o paciente deve ser transportado e as medidas de Suporte Avançado de Vida (SAV) instituídas. Quanto menor o tempo de início das medidas de suporte, melhor o prognóstico.

Cadeia de sobrevivência da AHA na parada cardiorrespiratória intra hospitalar (PCRIH) em adultos

Cadeia de sobrevivência da AHA na parada cardiorrespiratória intra hospitalar (PCRIH) em adultos

Na cadeia de sobrevivência da PCRIH, é fundamental que se estabeleça a vigilância e medidas de prevenção da PCR, bem como o acionamento rápido da equipe ou time de ressuscitação, que se inicie a RCP de alta qualidade e se proceda com a desfibrilação, quando aplicável.

Após o retorno da circulação espontânea, a vítima deve ser monitorada, receber os cuidados pós-parada, ofertados por equipe multidisciplinar, e seguir uma rotina de acompanhamento mesmo após a alta hospitalar, com vistas a prevenir um novo evento cardiovascular evitável.

Sequência do SBV em adultos

No atendimento à pessoa em PCR, o mnemônico CAB ou CABD descreve a ordem das intervenções. Essas medidas visam a restabelecer o quanto antes a circulação espontânea, a perfusão dos órgãos vitais e a chegada da equipe de ressuscitação. Vejamos:

  1. C – (check) Checagem: Checar a segurança do local, checar a responsividade da vítima, checar o pulso e a respiração, chamar por ajuda e iniciar as compressões. As compressões devem ser feitas em ciclos de 30 compressões, intercalados com a ventilação, ou contínuas, na frequência de 100 a 120 compressões por minuto, com uma profundidade de 5cm, permitindo o retorno do tórax após cada compressão. O socorrista que está realizando a compressão deve ser substituído a cada dois minutos ou antes, se houver cansaço;
  2. A – (airway) Abertura da via Aérea: A abertura da via aérea pode ser feita com a inclinação da cabeça para trás e elevação do queixo (manobra de Chin-Lift) ou com a anteriorização da mandíbula (manobra de Jaw-Thrust). 
  3. B – (breath) ventilação: A oferta da ventilação pode ser feita utilizando um dispositivo bolsa-válvula-máscara (ambu) ou uma máscara de bolso (pocket-mask), na frequência de 2 ventilações a cada 30 compressões. É importante observar se durante a ventilação existem sinais de permeabilidade aérea, como a expansibilidade torácica ou abdominal durante a ventilação. Caso o socorrista não se sinta seguro para realizar a ventilação, a prioridade é a compressão de alta qualidade.  
  4. D – Desfibrilação: o uso de um DEA ajuda o socorrista a identificar se a vítima está em PCR, se é um ritmo chocável e, quando é o caso, aplica o choque na tentativa de reverter a PCR.  

Quando interromper a RCP no SBV

As manobras de ressuscitação cardiopulmonar podem ser interrompidas por exaustão dos socorristas, se a cena se tornar insegura, se o paciente acordar, tossir ou houver retorno da circulação espontânea. 

Situações em que as medidas de SBV não estão indicadas

Em algumas situações, não é indicado realizar as medidas de SBV, como:

  • Em caso de cena insegura para o socorrista, como área com risco de desmoronamento, fiação elétrica exposta, rua onde não seja possível interromper o fluxo de carros, dentre outras. Se não for possível modificar a cena de modo a garantir segurança para o socorrista, as equipes de resgate e salvamento devem ser acionadas na tentativa de socorrer as vítimas.
  • Em caso de vítima carbonizada, decapitada, em rigor mortis ou com grande evisceração.
  • Em pessoas que apresentam consciência preservada ou respondem aos estímulos.

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Referências:

AMERICAN HEART ASSOCIATION. ACLS Advanced Cardiac Life Suport: provider handbook. Las Vegas: Satori Continuum Publishing, 2016.

AMERICAN HEART ASSOCIATION. Suporte Básico de Vida: manual do profissional. Mesquite: Integracolor LTD, 2016.

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