Coronavírus

Transmissão da covid-19 por aerossóis: alerta da OMS

Transmissão da covid-19 por aerossóis: alerta da OMS

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Comunidade científica reivindica que autoridades de saúde reconheçam transmissão da covid-19 por aerossóis

Existe sim a possibilidade da COVID-19 ser transmitida por partículas microscópicas que ficam suspensas no ar e são liberadas na respiração e na fala. A informação foi revelada pela Organização Mundial da Saúde na última semana, em coletiva de imprensa realizada em Genebra, na Suíça.

A pauta já tinha sido levantada um dia antes do pronunciamento da OMS, em uma carta aberta publicada por um grupo de 239 cientistas de 32 países. Nela, eles pediam o reconhecimento da chamada “transmissão por aerossol” por autoridades de saúde. 

O documento produzido, que contou com a participação do infectologista brasileiro Paulo Saldiva, professor do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP, contém um alerta sobre o distanciamento social.

Segundo os pesquisadores, manter pessoas afastadas de 1 a 2 metros não é eficaz contra o novo Coronavírus, principalmente em locais fechados que não tenham um sistema de renovação do ar.

“Vimos que o coronavírus permanece muito mais tempo no ar e viaja a uma distância maior do que 2 metros em determinados ambientes”, disse o professor. 

Entre os tópicos da carta estão:

  • O Novo Coronavírus pode se acumular no ar em locais fechados;
  • O tempo de permanência no ar do SARS-CoV-2 em locais fechados pode ser de até 3 horas;
  • A transmissão pelo ar ajuda a explicar os superpropagadores. 

A transmissão da COVID-19 por aerossóis

Segundo a OMS declarou em documento atualizado, o novo Coronavírus pode ser transmitido não apenas por gotículas expelidas durante a tosse ou os espirros, mas também por aerossóis.

De acordo com Benedetta Allegranzi, da Unidade Global de Prevenção de Infecções da OMS, estudos, ainda não definitivos, apresentaram evidências para a afirmação.

Um destes estudos utilizou nebulizadores para gerar aerossóis de amostras contaminadas em condições laboratoriais controladas. Os achados encontraram RNA do vírus SARS-CoV-2 em amostras de ar por até 3 horas em um dos estudos, e por 16 horas em outro. 

Entretanto, estes achados foram resultado de geração artificial de partículas e aerossóis, e pode não refletir condições de tosse normal de humanos.

Outros estudos encontraram a presença do RNA do SARS-CoV-2 em ambientes de cuidado de pacientes com COVID-19 sintomáticos, mas onde não havia acontecido geração de aerossol. 

Todavia, a quantidade de RNA detectada era extremamente baixa em largos volumes de ar analisados. Além disso, a detecção de RNA viral pela técnica de PCR não necessariamente indica a presença de vírus viável, capaz de se replicar e infectar uma pessoa. 

Para a especialista da OMS, a possível transmissão aérea “é vista especialmente em condições muito específicas, como lugares com muitas pessoas e pouca ventilação”. 

Fora do ambiente hospitalar, alguns relatos de surtos relacionados à ambientes fechados e aglomerados sugeriram a possibilidade de transmissão por aerossol, combinada com transmissão por gotículas, em locais como restaurantes, corais e academias. 

Porém existe a possibilidade da contaminação em surto nesses locais ser explicada apenas pela geração de gotículas e por contato com fômites, já que há evidências de transmissão dos outros coronavírus através desta última via. 

Procedimentos geradores de aerossóis

A diferença entre aerossóis e gotículas são o tamanho. Cientistas, por vezes, se referem a gotículas com menos de 5 mícrons de diâmetro como aerossóis. A OMS reconheceu que a transmissão aérea por aerossóis pode acontecer durante procedimentos médicos, como Intubação Orotraqueal ou manobras de RCP.

Uma vez que os aerossóis são menores, contêm muito menos vírus do que as gotículas. Entretanto, são mais leves, e, por isso, podem permanecer no ar por horas.

Em um espaço fechado com muitas pessoas, por exemplo, um único infectado pode liberar vírus em aerossol suficiente para contaminar muitas outras naquele momento. 

Segundo Linsey Marr, especialista da Virginia Tech, aerossóis são liberados mesmo quando uma pessoa sem sintomas exala, fala ou canta, por exemplo. 

Ainda de acordo com ela “não está claro com que frequência o vírus é transmitido por essas minúsculas gotículas, ou aerossóis, em comparação com gotículas maiores que são expelidas quando uma pessoa doente tosse, espirra ou é transmitida por contato com superfícies contaminadas”.

A OMS está avaliando, juntamente com outros cientistas, se há possibilidade real do SARS-CoV-2 ser disseminado via aerossóis mesmo na ausência de procedimentos médicos. Existem duas teorias propostas:

  1. Um certo número de gotículas expelidas podem gerar aerossóis pelo processo de evaporação;
  2. Respirar e falar normalmente pode gerar aerossóis. 

Entretanto, em ambos os casos, a proporção de gotículas necessárias para gerar aerossóis, bem como a quantidade viável mínima de SARS-CoV-2 presentes nessas partículas que seria necessário para causar infecção, ainda não são conhecidas, como é o caso para outros vírus já estudados. 

Apesar da dúvida, cientistas alertam que a prevenção é fundamental enquanto os estudos ainda não são conclusivos.

“Neste momento é melhor tomar as medidas necessárias para prevenir esse tipo de contágio”, revelou o infectologista e  vice-diretor de serviços clínicos do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Estevão Portela, em entrevista à BBC News Brasil. 

Prevenção contra transmissão de covid-19 por aerossóis

As pessoas devem fazer o máximo possível para minimizar os riscos de transmissão da covid-19, alertam os especialistas. Mesmo ao ar livre, use máscara. E caso esteja em um ambiente fechado abre suas janelas e portas quando possível. 

Além disso, é fundamental “atualizar filtros nos sistemas de ar condicionado doméstico e ajustar as configurações para usar mais ar externo em vez de ar recirculado”, revela Marr. 

Para os profissionais de saúde, as afirmações da OMS apenas reforçam a extrema necessidade utilização de EPI’s, principalmente no momento de realização de procedimentos médicos geradores de aerossóis. Além disso, é importante manter familiares e visitantes fora da sala durante tais procedimentos.

O distanciamento social segue sendo muito importante, assim como o hábito de lavar bem as mãos e com frequência. 

Confira o vídeo:

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