Clínica Médica

CURB-65 e CRB-65 para avaliação de gravidade para pneumonia comunitária | Colunistas

CURB-65 e CRB-65 para avaliação de gravidade para pneumonia comunitária | Colunistas

Compartilhar

Lavínia Prado

7 min há 390 dias

Bem-vindo, se você está aqui, possivelmente queira relembrar os princípios dessa incrível ferramenta utilizada na pneumologia ou, então, possa ser também que você NUNCA ouviu falar sobre ela, bem,  seja qual for o razão de você ter entrado nesse artigo, saiba que vou tentar te explicar de forma sucinta o que é o CURB-65 e espero que ao final dele você consiga aplicá-lo corretamente.

Iniciarei falando sobre a Pneumonia Adquirida na Comunidade, essa será a patologia explorada nesse escore, posteriormente será dado uma história resumida do CURB-65 e o porquê de sua necessidade e, por fim, eu irei aplicar o conhecimento que você adquiriu através de uma questão comentada de residência. Vamos começar?

Afinal, o que é a pneumonia adquirida na comunidade (PAC)?

A definição clássica do termo pneumonia é doença com sinais e sintomas consistentes por infecções no trato respiratório baixo, ligada a uma alteração da radiografia de tórax, associada a infiltração, na ausência de outra doença presente.

A pneumonia adquirida na comunidade é aquela que acomete o paciente fora do ambiente hospitalar ou que surge nas primeiras 48 horas de internação hospitalar.1

Um breve conto sobre o escore CURB-65 e CRB-65

Antes do desenvolvimento dessa ferramenta, a mortalidade pela PAC era descrita por outros escores como o Escore de Gravidade de Pneumonia- PSI (Pneumonia Severity Index) e o PORT (Patient Outcome Research Team) – também conhecido como escore de gravidade de pneumonia, porém ambos eram muito extensos e de difícil – ou quase impossível – memorização para uso no dia a dia.

Havendo essa necessidade de praticidade, a Sociedade Torácica Britânica (British Thoracic Society)publicou um novo critério, sendo esse usado para determinar a mortalidade para a PAC dentro de 30 dias1.

A ênfase desse mnemônico é identificar pacientes graves, embora seja limitada justamente por ser mais simples, não devendo ser utilizado isoladamente na tomada de decisão para internação2.

Para facilitar ainda mais a vida do profissional de saúde, simplificou-se a CURB-65 para CRB-65, excluindo o nível de ureia, também sendo validada pela mesma sociedade3, e diversos estudos foram feitos separadamente para validar essa regra, podendo ser mais utilizado na área da atenção primária da saúde.

A facilidade dessa segunda ferramenta é a independência de um exame laboratorial, podendo definir a conduta somente com a pontuação referente aos dados propedêuticos recolhidos no momento da anamnese e do exame físico.

Aplicando a CURB-65

Os critérios para CURB-65 são3:

  1. C – Nível de consciência;
  2. U – Ureia > 50 mg/dl;
  3. R – Frequência respiratória ≥ 30 ipm;
  4. B – Pressãosanguínea (blood pressure): PAS < 90 mmHg e/ou PAD ≤ 60 mmHg.
  5. 65 – Idade maior que 65 anos.

Somatória4:

  • 0-1: mortalidade baixa (1,5%) – baixo risco de mortalidade, é preferível o tratamento ambulatorial;
  • 2: mortalidade intermediária (9,2%) – considerar tratamento hospitalar.
  • ≥ 3: mortalidade alta (22%) – portador de PAC grave, necessidade obrigatória de internação.

Aplicando a CRB-65

São utilizados os mesmos critérios anteriores, agora excluindo o item de ureia plasmática acima de 50 mg/dl.

Somatória4:

  • 0: mortalidade baixa (1,2%) – provável tratamento ambulatorial.
  • 1-2: mortalidade intermediária (8,15%) – avaliar o tratamento hospitalar.
  • 3-4: mortalidade alta (31%) – hospitalização urgente.

Como aplicar corretamente o critério?

Para esses critérios serem aplicados corretamente, deve-se fazer um julgamento clínico amplo, ponderando sobre idade, comorbidades, bem como os fatores econômicos e sociais onde o paciente encontra-se inserido: o paciente terá acesso aos medicamentos prescritos? O paciente entendeu claramente o entendimento de prescrição? Alguém mais está acompanhando o paciente ou ele não possui família ou cuidador?

Há certas contraindicações ao tratamento ambulatorial que se somam para definir o julgamento, caso o paciente esteja com hipoxemia (SatO2 < 90% em ar ambiente), instabilidade hemodinâmica, condição ativa com necessidade de hospitalização ou incapacidade de tolerar antibioticoterapia via oral, é aprovada a internação3.

Por fim, busque lembrar também de outro mnemônico: COX, não significa cicloxigenase, mas sim:

  1. Comorbidades;
  2. Saturação de oxigênio;
  3. Radiografia de tórax: verificar se há velamento bilateral, derrame pleural suspeito para empiema ou outro achado importante.

Como eles aparecem na prova de residência?

Vale ressaltar que darei uma aplicação real de como aparece os escores em uma prova, porém existem outras formas de aplicação dos mesmos, as questões geralmente irão se remeter ao cálculo bruto, qual será a sua decisão a partir do valor que lhe será dado do CURB/CRB-65 ou a associação entre a PAC e o escore.

Fonte: Concurso Público para Médico Generalista, Estado do Paraná (2013), seção de conhecimento específicos, questão 31:

Homem de 63 anos refere início há 6 dias de tosse produtiva, dor torácica ventilatório-dependente e calafrios, evoluindo com piora progressiva mesmo em uso de dipirona.

Exame físico: consciente, orientado, sonolento, temperatura de 38,2 °C, frequência respiratória de 32 rpm, frequência cardíaca de 104 bpm, pressão arterial de 85×55 mmHg e estertores crepitantes na ausculta pulmonar. Com relação à avaliação clínica desse paciente, com pneumonia adquirida na comunidade, assinale a alternativa que representa a indicação do provável local de tratamento.

Com relação à avaliação clínica desse paciente, com pneumonia adquirida na comunidade, assinale a alternativa que representa a indicação do provável local de tratamento.

  1. O paciente deve ser internado para início do tratamento, por ter no mínimo 2 pontos no escore de prognóstico “CURB-65”.
  2. O paciente deve ser internado se apresentar comorbidade, conforme recomendação do escore do prognóstico “CURB-65”.
  3. O paciente apresenta baixa pontuação no índice de gravidade PE do escore “PORT”, sendo indicado permanecer internado para tratamento.
  4. O paciente pode ser tratado em nível ambulatorial, por apresentar baixa pontuação no escore de prognóstico “CURB-65”.
  5. Aguardar o resultado da radiografia de tórax, hemograma, glicemia, ureia e gasometria arterial.

RESPOSTA: Letra A, não é necessário esperar a chegada de exames, uma vez que recolhida uma boa anamnese e exame físico, o escore PORT, para ser utilizado, necessitaria de mais informações. Vale lembrar que, apesar da questão enfatizar o uso do escore CURB-65, não é apresentada uremia:

  1. C: como o paciente está consciente, ele não ganha 1 ponto nesse quesito.
  2. U: não temos dados.
  3. R: frequência superior a 30 ipm, logo, paciente ganha 1 ponto.
  4. B: pressão – PAS < 90 mmHg ou PAD ≤ 60 mmHg, paciente ganha 1 ponto.
  5. 65: idade de 63, logo, não ganha 1 ponto.

Somatória CRB-65: C (0) +) + R (1) + B (1) + 65 (0) = 2 pontos, considerar tratamento hospitalar.

Confira o vídeo:

Posts relacionados:

Compartilhe com seus amigos:
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.