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Fobias Específicas: tudo o que você precisa saber

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Entenda o que são as Fobias Específicas e seu tratamento! Boa leitura!

Medo versus Fobia

Apesar do que se pode imaginar, o medo e a fobia são reações distintas ao meio em que estamos.

Com isso, entende-se que o medo é um estado emocional que resulta da consciência de um perigo ou ameaça, mesmo que essa seja real, imaginária ou, ainda, hipotética.

Já a fobia se trata de um medo, porém, exagerado e desproporcional à ameaça. Para o indivíduo com fobia, não é necessário nem mesmo entrar em contato com o objeto ou situação, beirando o ataque de pânico.

O que são Fobias Específicas?

As fobias específicas são um tipo de transtorno de ansiedade. Nele, certas situações ou objetos causam medo ou uma ansiedade persistente, irracional e intensa.

Dentro dos transtornos de ansiedade, podemos ter as ansiedades generalizadas ou as paroxísticas. Considerando esta última, encontramos por sua vez as ansiedades paroxísticas espontâneas (ataques de pânico) e as situacionais. É dentro das situacionais que estão as fobias específicas.

Pensando nisso, fica fácil concluir que ter esse tipo de transtorno ansioso não é fácil. Isso porque os causadores desse medo podem ser absolutamente qualquer coisa, desde objetos inanimados a lavar o carro com mangueira. Mas como comentado acima, via de regra, essa medo é desproporcional à ameaça oferecida ao indivíduo.

Ainda, é importante ressaltar que as fobias específicas são diferentes da fobia social, como o medo de falar em público, por exemplo.

Epidemiologia das Fobias Específicas

É interessante pontuar que, diferente de outras psicopatologias, as fobias específicas não necessariamente se originam de um evento traumático.

Considerando que as fobias específicas podem de diversas causas, tanto crianças quanto adultos podem apresentar o quadro. Apesar disso, as prevalências entre adultos são maiores. Dentre crianças, o quadro costuma ter início entre os 7 a 11 anos de idade.

Pensando na prevalência da doença na cidade de São Paulo, por exemplo, estima-se que cerca de 12,4% da população apresente o quadro. Isso faz da fobia específica o transtorno psiquiátrico de maior prevalência na megalópole paulista.

Apesar disso, poucos são os que buscam assistência médica para lidar com o quadro.

Tipos Fobias Específicas

Como dito, as fobias específicas podem ser várias. Por isso, o DSM-5 organiza os causadores de fobias em cinco grupos distintos por medos relacionados a:

1. Animais, como aranhas, cães, insetos;
2. Ambiente natural, como alturas, tempestades, incêndio;
3. Questões médico-hospitalares, como sangue, lesões ou problemas médicos, como injeções, ossos quebrados, quedas;
4. Situações específicas, e aqui podemos incluir o medo de voar, dirigir ou ficar em um espaço fechado, como elevadores;
5. Vários outros medos avulsos, como o medo de palhaços, contrair uma doença específica, e aqui chamamos atenção para o COVID-19, por exemplo. Nessa categoria existe uma infinidade de estímulos ou situações que podem desencadear fobias.

Não há uma lista oficial de fobias além destas descritas acima pelo DSM, portanto, clínicos e pesquisadores criam nomes para eles conforme a necessidade.

Isso geralmente é feito combinando um prefixo grego ou latino que descreve a fobia com o sufixo -fobia. Por exemplo, o medo da água seria nomeado combinando hidro (água) e fobia (medo).

Estudar fobias específicas é um processo complicado. Como a maioria das pessoas não procura tratamento para essas condições, os casos não são tão relatados. Essas fobias também variam com base em experiências culturais, gênero e idade.

fobias específicas
As fobias resultam em um comportamento evitativo de tudo o que representa ameaças.

Causas Fobias Específicas

Os mecanismos de aquisição das fobias ainda são foco de discussão, ou seja, ainda não se descobriu exatamente o mecanismo para essa psicopatologia.

Pensando nisso, existem evidências de que alguns medos sejam adquiridos por condicionamento ou outras formas de aprendizado, como ser ensinado pelos pais a ter um comportamento evitativo diante de alguma situação. Outros, porém, surgem de forma espontânea ou não associativa.

A forma não associativa de aquisição de medos tem sido considerada como indicação de que certas fobias teriam uma origem inata e estariam ligadas a situações ou estímulos considerados aversivos em termos evolutivos.

Diagnóstico fobias específicas

O paciente com fobia específica pode ter fobia a apenas um objeto ou situação específica, ou mais de um. Nesse caso, o DSM-5 descreve como fobias múltiplas.

Critérios Diagnósticos para F40.2 – 300.29 (CID-10) Fobia Específica
A. Medo acentuado e persistente, excessivo ou irracional, revelado pela presença ou antecipação de um objeto ou situação fóbica (por ex., voar, alturas, animais, tomar uma injeção, ver sangue).
B. A exposição ao estímulo fóbico provoca, quase que invariavelmente, uma resposta imediata de ansiedade. Ele pode assumir a forma de um Ataque de Pânico ligado à situação ou predisposto pela situação.
Nota: em crianças, a ansiedade pode ser expressada por choro, ataques de raiva, imobilidade ou comportamento aderente.
C. O indivíduo reconhece que o medo é excessivo ou irracional.
Nota: Em crianças, esta característica pode estar ausente.
D. A situação fóbica (ou situações) é evitada ou suportada com intensa ansiedade ou sofrimento.
E. A esquiva, antecipação ansiosa ou sofrimento na situação temida (ou situações) interfere significativamente na rotina normal do indivíduo. Ou seja, no funcionamento ocupacional (ou acadêmico), nas atividades ou relacionamentos sociais existe acentuado sofrimento acerca de ter a fobia.
F. Em indivíduos com menos de 18 anos, a duração mínima é de 6 meses.
G. A ansiedade, os Ataques de Pânico ou a esquiva fóbica associados com o objeto ou situação específica não são melhor explicados por outro transtorno mental.
Especificar tipo: animal. ambiente natural (por ex., alturas, tempestades, água), sangue-injeção-ferimentos, situacional (por ex., aviões, elevadores, locais fechados). Outro Tipo (por ex., esquiva fóbica de situações que podem levar a asfixia. Como exemplo: vômitos ou a contrair uma doença. Já em em crianças, esquiva de sons altos ou personagens vestidos com trajes de fantasia).
Tabela de Critérios Diagnósticos para Fobias Específicas segundo o DSM-5.

Tratamento Fobias Específicas

O tratamento para as fobias específicas é mediado principalmente por terapia cognitivo-comportamental. Por outro lado, os pacientes costumam ser pouco beneficiado pelo tratamento medicamentoso, apenas em caso de acontecer previamente à exposição.

Pensando nisso, otratamento medicamentoso de curto prazo é feito com benzodiazepínicos, cerca de 1 a 2 horas antes da exposição que não pode ser evitada, como um vôo marcado.

  •  Lorazepam 0,5 a 1,0 mg por via oral
  • Betabloqueadores, como propranolol costuma ser preferido — 10 a 40 mg por via oral)

Terapia de Exposição para Fobias Específicas

Um exemplo de linha terapêutica é a “terapia de exposição“.

Nela, Com estrutura e suporte de um profissional que prescreve tarefas de exposição, os pacientes procuram, confrontam e mantêm-se em contato com o que temem e evitam. Como resultado disso, o grau de ansiedade tende a diminuir.

O tratamento pode ser seguido pelos seguintes passos:

  1. Estabelecer um objetivo com a terapia;
  2. Explicar o funcionamento da técnica para o paciente;
  3. Construir uma hierarquia de fobias e prioridades em sua vida, visto a possível necessidade de ter contato com o objeto ou situação;
  4. Proceder uma exposição gradual, repetida e prolongada;
  5. Diário com escore de ansiedade frente à situação;
  6. Passar para outra cena apenas quando houver melhora de pelo menos 50% da ansiedade.

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Perguntas Frequentes:

1 – O que é?

Transtornos fóbicos específicos consistem em medos persistentes, irracionais e intensos (fobias) de situações, circunstâncias ou objetos específicos. Os medos provocam ansiedade e esquiva. As causas das fobias são desconhecidas. Os transtornos fóbicos são diagnosticados com base na história. O tratamento é principalmente com terapia de exposição.

2 – Como é feito o diagnóstico?

Os transtornos fóbicos são diagnosticados com base na história clínica usando o DSM-5 e seus critérios.

3 – Qual o tratamento?

O tratamento é principalmente com terapia de exposição.

Referências

  • Specific phobia in adults: Epidemiology, clinical manifestations, course and diagnosis. Randi E McCabe, PhD. UpToDate
  • Psicopatologia. Perspectivas clínicas dos transtornos psicológicos. Halgin, 7ªed.
  • Hospital das Clínicas-USP, Dr. Lucas Naufal Macedo.

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