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Gravidez molar: o que é, tipos, sintomas e tratamento

Gravidez molar: o que é, tipos, sintomas e tratamento

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Neste artigo, saiba tudo sobre a gravidez molar! Aqui, você entenderá o que é, quais são os sintomas, exames e tratamento da gestação molar.

A Doença Trofoblástica Gestacional (DTG), uma anomalia da gestação, pode ser classificada benignamente em Mola Hidatiforme e, de forma maligna, em Mola Invasora, coriocarcinoma, tumor trofoblástico do sítio placentário
e tumor trofoblástico epitelioide.

A gravidez molar é o que consideramos de apresentação benigna da DTG. Ainda não há uma explicação científica exata as suas causas, mas indicadores apontam estar relacionada à fecundação de dois espermatozoides simultaneamente, ou seja ganetogênese imperfeita. 

Neste artigo, vamos explicar tudo sobre a gravidez molar: seus tipos, sintomas, exames e tratamento. 

O que é gravidez molar?

A Gravidez Molar, também conhecida como mola hidatiforme ou gravidez em mola, é uma anomalia placentária. Sua característica é o agrupamento de tecidos anormais das vilosidades coriônicas, formando um emaranhado celular, sendo muitas vezes comparado com um cacho de uva. 

Essa complicação da gravidez acompanha grande proliferação trofoblástica, apresentando hiperplasia variável e focal do cito e sinciciotrofoblasto. Com isso, ela possui uma alta capacidade para evolução tumoral maligna. D

Epidemiologia 

Segundo dados da publicação da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) de 2019, a prevalência da mola hidatiforma varia de 23 a 1.300 casos por 100.000 gravidas. Dentre as GT, elas são as mais prevalentes, sendo os casos malignos bastante raros. 

No Brasil, a estimativa é de que essa doença ocorra na proporção de 1 caso em cada 200-400 gestações. 

Tipos de gravidez molar

Existem dois tipos de gravidez molar: completa e parcial.

Na forma da Gravidez Molar Completa, o tipo mais frequente e de maior risco, o óvulo não possui núcleo ativo. Além disso, os cromossomos do espermatozoide se duplicam. Sendo assim, não há a formação de tecidos placentários impossibilitando a evolução fetal. 

Esse tipo se caracteriza por hidropsia difusa e hiperplasia trofoblástica da superfície da vilosidade coriônica. Em geral, ela acontece devido à uma fertilização de um oócito desprovido de material genético por um espermatozoide haploide que duplica seus cromossomos, resultando em diploidia. 

Dessa forma, podemos considerar que esta doença tem origem genética paterna exclusivamente. 

A outra forma, mais rara, é a Gravidez Molar Parcial ou incompleta, resultante da concepção triploidia, ou seja, entre dois espermatozoides e um óvulo de núcleo ativo, formado células com 69 cromossomos.

Fatores de risco

Os principais fatores de risco para o densevolvimento de uma gravidez molar é: 

  • Idade materna superior à 35 anos e história prévia de DGT;
  • Mulheres com história prévia de gravidez molar.

Quais são os sintomas da gravidez molar?

Nas últimas décadas, houve grandes avanços no diagnóstico, tratamento e acompanhamento da gestação molar, possibilitando a descoberta precoce. Desta forma, a gravidez molar passou a ser mais detectada antes mesmo da apresentação clínica da doença. 

No início da doença, os sintomas são iguais de uma gravidez normal: 

  • Náuseas
  • Vômitos
  • Aumento do útero
  • Dores lombares
  • Inchaço abdominal. 

Sintomas mais característicos da doença são: 

  • Sangramento transvaginal de repetição e intensidade variável;
  • Útero aumentado de volume para a idade gestacional;
  • Cistos Tecaluteínicos;
  • Hipertireoidismo;
  • Sinais de pré-eclâmpsia antes da 20ª semana de gestação;
  • Eliminação de vesículas hidrópicas pela vagina, de entremeio com o sangue. 

Alguns sinais como elevados níveis de gonadotrofinas coriônica humana, beta-HCG excessivamente alto ou o útero com volume maior que o normal, é indicativo para ser realizada uma avaliação médica.

O aborto espontâneo pode ocorrer entre 6ª à 16ª semanas de gravidez, algumas vezes só após levar o material abortado para análise laboratorial, é que descobre que se tratava de um caso de gravidez molar.

Diagnóstico

A paciente vai apresentar os sintomas acima. Dos descritos, o sangramento vaginal é um dos mais prevalentes. Este costuma a ser indolor e se apresenta entre a 4ª e a 16ª semana. 

No exame físico é comum encontrar o útero aumentado. No exame pélvuico podemos encontrar cistos. A pressão pode estar aumentada, levando a suspeita de pré-eclâmpsia antes da 20ª semana. 

Exames complementares para o diganóstico da gravidez molar

Os exames solicitados são: 

  • Dosagem de gonodotrofina coriônica humana (hCG) – padrão ouro;
  • Ultrassonografia;
  • Exame histopatológico;
  • Genética;
  • Umunoinstoquímica.

Quais são os sinais de gestação molar na ultrassonografia?

Somente metade dos casos de gestação molar possuem características clássicas à ultrassonografia no primeiro trimestre de gestação. Nessa fase podemos observar diversos cistos ou vesículas visíveis e sem embrião.

Durante o segundo trimestre ocorrerá o desenvolvimento máximo do conteúdo molar dentro do útero, com a eventual expulsão.

A reincidência das doenças trofoblásticas gestacionais, são consideradas baixas, sendo que a repetição da gravidez molar é cerca de 1%.

Tratamento

Depois de diagnosticada, é importante  haver o tratamento completo e o acompanhamento com a realização periódica da ultrassonografia e dosagem dos níveis de hCG.

Esse acompanhamento é essencial para verificar se não houve a evolução maligna, uma vez que, as células anormais quando eliminadas, inapropriadamente, sem as técnicas de retirada e esvaziamento adequadas, podem progredir para um tumor instalado na parede uterina.

1. Evitar gravidez

Baseado nisso, após diagnosticada a mola, a gravidez deve ser evitada durante o período de um ano após o tratamento e seguimento da doença, eliminando quaisquer chances de evolução maligna ou recorrências da intercorrências gestacionais.

2. Esvaziamento da cavidade uterina

Quando é dado o diagnóstico da gestação molar, o conteúdo da cavidade uterina deve ser esvaziado, imediatamente, para inibir a evolução maligna ou a possível perfuração do miométrio por células invasoras.

3. Uso de medicamentos

O uso de medicamentos ou drogas que provoquem contrações uterinas deve ser evitado, pois, a estimulação de contrações uterinas antes do processo de esvaziamento da mola, torna mais elevada o risco de evolução para doença persistente e de embolia (fechamento total ou parcial de vasos sanguíneos), principalmente, em vasos pulmonares.

4. Vácuo-aspiração

A técnica usada para o esvaziamento a vácuo-aspiração que tem o objetivo de remover internamente todo o volume molar, evitando a disseminação por outros tecidos e órgãos internos.

5. Curetagem

O esvaziamento da gravidez molar pode ser completado com a curetagem das paredes uterinas para que seja verificada se houve a remoção completa do conteúdo molar.

O material resultante da curetagem é encaminhado para análise histopatológica, para verificar se houve a completa retirada das células molares.

Conclusão

Enfim, pode-se dizer que todas as grávidas estão expostas a ter esta doença. Eentretanto, mulheres com idade inferior a 20 anos ou maior que 40 anos são mais vulneráveis.

Porém, o estado nutricional e histórico reprodutivo com gravidez molar é considerado fatores de risco para ocorrência da gravidez molar.

Para tanto, o ideal é que mulheres, quando estiverem gestantes, busquem o acompanhamento junto ao profissional ou equipe de saúde, sendo possível obter os cuidados pré-natais indispensáveis, e para que seja identificada e tratada não somente a gravidez molar, mas qualquer outra doença, permitindo um prognóstico favorável.

Com isso, as chances dessas mulheres desenvolverem uma gravidez saudável se tornam mais prováveis e possíveis.

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  • Autores: Franci Junior Gomes da Silva* e Lorena Gonçalves Leal**
  • * Acadêmico de enfermagem do 7º período e integrante da LASM
  • ** Docente de enfermagem e coordenadora da LASM

Sugestão de leitura complementar

Confira o vídeo sobre Gestação Gemelar:

Referências

  1. BRAGA, A. et al. Doença trofoblástica gestacional. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo); 2018. (Protocolo Febrasgo – Obstetrícia, nº 23/Comissão Nacional Especializada em Doença Trofoblástica Gestacional).
  2. Ferraz, L. et al. Atualização no diagnóstico e tratamento da gravidez molar. JBM, VOL. 103, Nº2/2015.
  3. TENÓRNIO, P. J.; AVELAR, T. C.; BARROS, E. N. Gravidez molar: do sonho ao luto. Bol. – Acad. Paul. Psicol. vol.39 no.97 São Paulo jul./dez. 2019