Dermatologia

Lipoma: definição, fisiopatologia, sintomas e tratamento

Lipoma: definição, fisiopatologia, sintomas e tratamento

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Lipoma: tudo o que você precisa saber para sua prática clínica!

O lipoma é uma das queixas de pele mais comuns nos consultórios dermatológicos. Estima-se que esse problema está presente em cerca de 1% da população geral e tem pico de incidência entre os 40-60 anos de idade.

No geral, os lipomas são formados e localizados no tecido subcutâneo. Contudo, é possível que também haja o acometimento de tecidos mais profundos como nos músculos, nervos, cavidade abdominal e órgãos internos.

O que é um lipoma?

O lipoma é caracterizado como uma tumoração benigna que é formada por tecido adiposo comumente localizado no tecido subcutâneo. É comum que os lipomas tenham um crescimento lento e não causem muitas complicações. Além disso, é raro que esses tumores benignos se transformem em tumores malignos.

Nesses casos, os adipócitos se acumulam dentro de uma cápsula fibrosa. OS locais mais comuns são: 

  • Tronco
  • Ombros
  • Região posterior do pescoço 
  • Axilas

Como os lipomas são classificados?

Histopatologicamente, é possível classificar os lipomas, o que facilita o seu tratamento. Eles podem ser: 

  • Subcutâneo superficial: é o tipo mais comuns, geralmente localizado no tecido subcutâneo
  • Angiolipoma: há presença de proliferação capilar no interior do lipoma. Acometem preferencialmente as mulheres e localizam-se principalmente na coluna torácica
  • Pleomórfico: nesse tipo de lipoma há células fusiformes e presença de pleomorfismo nuclear
  • Hibernoma: é caracterizado por adipócitos maduros entremeados por uma pequena quantidade de células com morfologia similar às do tecido marrom 
  • Célula fusiforme: substituição de gordura por células formadoras de colágeno. É uma variante extremamente rara do lipoma comum. 

Etiologia e fisiopatologia do lipoma

Na literatura, a maioria dos estudos sugerem que o lipoma tem etiologia desconhecida. Contudo, alguns fatores genéticos podem estar envolvidos na formação desses tumores benignos. Pode ocorrer: 

  • Defeito do gene de fusão HMGA2-LPP no cromossoma 
  • Síndromes genéticas
  • Lipomatose múltipla familiar
  • Adipose dolorosa 
  • Neurofibromatose 
  • Neoplasia endócrina múltipla 
  • Síndrome de Gardner 

Essas alterações genéticas em células adiposas faz com que haja a proliferação celular. Com isso, há formação de tumoração repleta de adipócitos maduros preenchidos por gordura. Na fotomicrografia abaixo é de um lipoma convencional, que mostra adipócitos maduros com pouca vascularização:

Fonte: Robbins & Cotran Pathologic Basis of Disease.

Sinais do lipoma e como fazer o diagnóstico

O lipoma se apresenta como uma massa mole e móvel com 2–3 cm, podendo chegar a ser >10 cm. No geral, esse cisto é solitário, indolor e não causam alterações na pele do local.  

Quando essas alterações ocorrem em locais como retroperitoneu, cavidades corporais podem ocorrer efeitos de compressão em órgãos adjacentes. 

Fonte: Sociedade brasileira de dermatologia, 2022

O diagnóstico do lipoma subcutâneo típico é realizado de maneira clínica. Nos casos de lipoma grande (> 5 cm), de forma irregular e com sintomas de envolvimento miofascial, é necessário solicitar exames de imagem como:

  • Ultrassom
  • Tomografia computadorizada (TC) 
  • Ressonância magnética (RNM)

Em casos de suspeita de doença maligna é possível solicitar biópsia com agulha grossa (para lesões profundas/retroperitoneais).

Diagnóstico diferencial

Durante o diagnóstico é necessário que o médico esteja atento a possíveis diagnósticos diferenciais. Entre os principais diagnósticos diferenciais do lipoma é possível citar: 

  • Cisto de inclusão epidérmica
  • Hematoma
  • Vasculite
  • Paniculite
  • Nódulos reumáticos
  • Câncer metastático 
  • Infecções

Como é feito o tratamento do lipomas?

No geral, quando os pacientes são assintomáticos com quadro de lipoma não há necessidade de tratamento. Nesses casos, o médico deve apenas orientar sobre a evolução da massa tumoral.

O tratamento para lipomas subcutâneos é indicado quando há incômodo estético, dor no local e aumento de tamanho. Nos casos citados, é possível realizar  3 opções de tratamento:

  • Excisão
  • Liposucção
  • Lipólise

Excisão

Esse tipo de abordagem é indicado para casos em que o paciente sente dor ou se há incômodo estético. Essa abordagem poderá ser realizada no consultório médico, com anestesia local. 

O profissional deverá realizar uma incisão (habitualmente utilizando lâmina 11) sobre a massa tumoral, seguindo as linhas de Langer. Assim, disseca-se a massa tumoral, e realiza-se a sua enucleação, que é a retirada completa do lipoma.

Em casos de lipomas gastrointestinais, é recomendado realizar a remoção endoscópica se houver algum sintoma obstrutivo. 

Liposucção

É uma opção para lipomas pequenos e maiores. Esse tipo de metodologia tem um melhor aspecto estético, contudo há um risco de recorrência do lipoma. Para lipomas pequenos, pode-se utilizar um jelco 16 com seringa e anestesia local. Já no caso de lipomas maiores, é necessária a intervenção em centro cirúrgico com aparelho de lipoaspiração 

Lipólise

Nesse método utiliza-se corticosteróides para desencadear a lipólise. É possível que o médico use essa forma de tratamento para lipomas de até 2,5cm. 

A resposta para esse tratamento ocorre em 3-4 semanas. Contudo, a recorrência também é comum, já que não é possível a análise histopatológica.

Quando o lipoma pode reincidir? 

Apesar do lipoma ter opções de tratamento, é possível que ocorra reincidência desses tumores benignos. Esses fatores podem ocorrer devido a: 

  • Não houve retirada completa da cápsula fibrosa
  • Susceptibilidade do paciente para o desenvolvimento de lipomas

Dessa forma, é necessário que o médico realize o procedimento de forma eficaz, estando sempre atento às necessidades do paciente. 

Referência bibliográfica

  • Kumar, V., Abbas, A. K., Aster, J.C., (Eds.). Robbins & Cotran Pathologic Basis of Disease (10th ed., p. 1209). Lipoma. Elsevier, Inc.
  • Nickloes, T.A. (2020). Lipomas: Background, pathophysiology, etiologyDisponível aqui. Acesso em 18/01/2023.
  • Sociedade brasileira de dermatologia. Lipoma. Disponível aqui. Acesso em 18/01/2023.
  • Rotunda, A. M., Ablon, G., & Kolodney, M. S. (2005). Lipomas treated with subcutaneous deoxycholate injections. Journal of the American Academy of Dermatology, 53(6), 973–978.

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