Psiquiatria

Resumo de TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo): diagnóstico, tratamento e mais!

Resumo de TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo): diagnóstico, tratamento e mais!

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Sanar

7 min há 112 dias

Definição

O Transtorno obsessivo-compulsivo, TOC, é caracterizado por obsessões –  impulsos, imagens ou pensamentos egodistónicos (intrusivos) e indesejados que são vivenciadas de maneira recorrente e persistente – e compulsões – manifestações comportamentais ou atos mentais repetitivos, excessivos e irracionais. As últimas costumam ser respostas às primeiras.

Epidemiologia do TOC

A prevalência de TOC na população (em geral) é estimada em 2-3% e são consideradas consistentes. Alguns pesquisadores concluíram que o mesmo é visto em até 10% dos pacientes ambulatoriais de clínicas psiquiátricas e estudos na Europa, Ásia e África confirmaram esses números (em diferentes culturas). Isso faz com que o TOC seja o 4º diagnóstico mais comum, vindo apenas depois da fobia, de transtornos relacionados a substâncias e do transtorno depressivo maior.

 Normalmente, homens e mulheres adultos são afetados igualmente, em adolescentes a prevalência é em meninos. A idade média de início é perto dos 20 anos e é mais comum que homens apresentem inicialmente por volta dos 19 anos, já as mulheres aos 22 anos (aproximadamente). Mas também pode-se iniciar durante a infância (já houveram casos os 2 anos de idade) e adolescência.

Os sintomas de 2/3 (em média) das pessoas afetadas começam antes dos 25 anos e em menos de 15% dos afetados os sintomas se iniciam após os 35 anos. A maioria dos afetados costumam ser solteiros, o que pode refletir a dificuldade de pessoas com TOC manterem um relacionamento. Ocorre com menor frequência em negros, mas essa variação talvez seja explicada pelo acesso à assistência médica e não a diferenças de prevalência.

Etiologia 

A fisiopatologia do TOC ainda não é muito elucidada, mas algumas teorias tentam explicar a etiologia desse transtorno com fatores biológicos, comportamentais e psicossociais.

Fatores Biológicos

  • Sistema serotonérgico: Dados mostram que fármacos serotonérgicos são mais eficazes no tratamento do TOC que fármacos destinados a outros neurotransmissores e muitos ensaios clínicos apontam que a desregulação da serotonina influencia a formação dos sintomas obsessivos e compulsivos, mas ainda não é confirmado.
  • Sistema noradrenérgico: Não há muitas evidências sobre a disfunção do sistema noradrenérgico no TOC, mas há dados informais que mostram melhoras em sintomas do TOC com o uso de fármacos que reduzem a quantidade de norepinefrina liberada dos terminais nervosos pré-sinápticos.
  • Neuroimunologia: A infecção estreptocócica do grupo α-β hemolítico pode causar febre reumática e com isso,10-30% dos pacientes desenvolvem coreia de Sydenham e mostram sintomas obsessivos-compulsivos.
  • Estudos de tomografia cerebral: Estudos de tomografia por emissão de pósitrons mostraram atividade aumentada (ex. metabolismo e fluxo sanguíneo)  nos lobos frontais, nos gânglios da base (especialmente caudados) e no cíngulo de pacientes com TOC. Já os estudos de tomografia computadorizada e os de ressonância magnética mostraram caudados bilateralmente menores em pacientes com o transtorno.
Regiões Cerebrais implicadas na fisiopatologia da TOC
Regiões Cerebrais implicadas na fisiopatologia da TOC
FONTE: Caplan,
  • Genética: Os dados genéticos disponíveis sobre o TOC mostram que o transtorno tem um componente genético significativo, mas ainda não é possível distinguir os fatores herdáveis da influência dos efeitos culturais e comportamentais. Em ensaios,familiares de pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo mostraram possuir maiores chances (3 a 5 vezes) de apresentarem características do TOC se comparados à familiares de um grupo controle.

Fatores Comportamentais

Teóricos de aprendizagem afirmam que obsessões são estímulos que anteriormente eram neutros e se associaram com o medo ou a ansiedade por meio de condicionamento replicante – eventos nocivos que produzem ansiedade. Já compulsões são ações (estratégias ativas de evitação) que reduzem a ansiedade associada a um pensamento obsessivo, ou seja, uma forma de controle. Essas ações trazem a ideia de eficiência e com isso se fixam como padrões – os comportamentos compulsivos.

Fatores psicossociais

  • Fatores de personalidade: A maioria das pessoas com TOC não têm sintomas compulsivos pré-morbidos (que são encontrados no transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva) e os mesmos não são necessários e nem suficientes para o desenvolvimento do transtorno obsessivo-compulsivo. Apenas 15-30% dos pacientes com TOC possuem esses traços obsessivos pré-mórbidos.
  • Fatores psicodinâmicos: Os sintomas do TOC podem ser biologicamente motivados, mas também alguns sinais psicodinâmicos podem estar associados. Pacientes podem se sentir motivados a manter a sintomatologia em razão dos ganhos secundários (mais atenção e cuidado, por exemplo). Com relação às dimensões interpessoais, o pensamento psicodinâmico reconhece precipitadores que iniciam ou exacerbam os sintomas –  as dificuldades interpessoais e estressores ambientais podem aumentar a ansiedade do paciente e com isso, sua sintomatologia.

Quadro clínico do TOC

O TOC tem 4 padrões principais de sintomas:

  • Contaminação, que faz com que haja a necessidade de limpeza, lavagem ou evitação compulsiva do objeto que está contaminado (presumido). O objeto em questão costuma ser difícil de evitar (ex. fezes, urina, pó ou germes). A resposta emocional mais comum é a ansiedade, mas vergonha e nojo obsessivos (pelo objeto) também são evidentes e os indivíduos costumam acreditar que a contaminação é espalhada objeto/objeto ou pessoa/pessoa com mínimo contato.
  • Dúvida patológica, caracteriza-se por uma obsessão de dúvida e é acompanhada pela compulsão de ficar verificando. Os indivíduos sempre se sentem culpados – acreditam que esqueceram ou cometeram algo – e duvidam obsessivamente de si mesmos.
  • Pensamentos intrusivos, existem pensamentos intrusivos sem uma compulsão acompanhada. Essas obsessões tendem a ser pensamentos repetitivos de atos agressivos ou sexuais, que são repreensíveis pelo indivíduo. Ideias suicidas também podem ser obsessivas e por isso uma avaliação cuidadosa sobre os riscos de suicídio deve sempre ser feita.
  • Simetria é a necessidade de simetria ou precisão, o que pode acarretar uma compulsão de lentidão. Os indivíduos podem demorar horas para realizarem atos por conta dessa necessidade (ex. fazer a barba)

Existem outros padrões de sintomas compulsivos: puxar o cabelo, roer as unhas, obsessões religiosas, acúmulo, masturbação, etc.

Diagnóstico de TOC

Para o diagnóstico de TOC, o DSM-V institui os critérios a seguir:

Critérios Diagnósticos TOC
Critérios Diagnósticos TOC
FONTE: DSM-V

Tratamento do TOC

Estudos bem controlados mostram que a farmacoterapia , a terapia comportamental, ou uma combinação de ambas, possuem ação efetiva, resultando numa redução significativa dos sintomas de pacientes com TOC. A decisão sobre qual terapia usar se baseia no julgamento e na experiência médicos, além de na aceitação do paciente das várias modalidades.

 Os fármacos mais utilizados são Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (fluoxetina, fluvoxamina (Luvox), paroxetina, sertralina, citalopram), clomipramina (a dosagem deve ser titulada para cima por 2 ou 3 semanas) – ambos possuem melhores desfechos de combinados com a terapia comportamental. Caso o tratamento não obtenha sucesso, normalmente há o aumento da primeira droga com a adição de valproato, lítio ou carbamazepina. Outras drogas podem ser experimentadas como: venlafaxina, pindolol e os IMAOs, especialmente fenelzina.

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Referências:

KAPLAN, Harold I., SADOCK, Benjamin J., GREBB, Jack A. Trad. Dayse Batista. Compêndio de psiquiatria: ciências do comportamento e psiquiatria clínica. 7.ed. 2007

A nova classificação Americana para os Transtornos Mentais – o DSM-5. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-55452014000100007

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