Dermatologia

Resumo sobre celulite infecciosa (completo) – Sanarflix

Resumo sobre celulite infecciosa (completo) – Sanarflix

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SanarFlix

6 min há 306 dias

Definição

A celulite é uma infecção cutânea que compromete uma parte maior dos tecidos moles, estendendo-se profundamente através da derme e tecido subcutâneo. Seus principais agentes são Staphylococcus aureus e o Estreptococos beta-hemolíticos do grupo A (SBHGA).

Sinais e sintomas são dor, eritema e calor no local da lesão, mas pode ocorrer manifestações sistêmicas como febre e mal-estar. As principais complicações incluem abscesso e septicemia. 

Epidemiologia da celulite infecciosa      

A celulite é observada com mais frequência entre adultos de meia-idade e idosos. A incidência de celulite é de cerca de 200 casos por 100.000 pacientes-ano e, em regiões não tropicais, tem uma predileção sazonal por meses mais quentes. 

Os fatores predisponentes mais importantes para o desenvolvimento dessa infecção são o ruptura da barreira cutânea devido a trauma (como abrasão, ferida penetrante, úlcera de pressão, úlcera venosa da perna, picada de inseto, uso de drogas injetáveis), inflamação (eczema, radioterapia), infecção de pele preexistente (impetigo, tinea pedis),  insuficiência venosa, edema devido à drenagem linfática prejudicada, obesidade e imunossupressão (como diabetes ou infecção por HIV). O fato de muitas vezes ele ser de pequeno tamanho dificulta o diagnóstico precoce e a prevenção do quadro infeccioso.   

Fisiopatologia da celulite infecciosa

Celulite é o processo que atinge derme profunda e tecido subcutâneo e nem sempre é clara a distinção entre tecido infectado e não infectado. Os agentes etiológicos mais comuns são os  estreptococos beta-hemolíticos (grupos A, B, C, G e F), mais comumente Streptococcus do grupo A ou Streptococcus pyogenes. O S. aureus é uma causa notável, principalmente quando há lesão purulenta. Em pacientes imunocomprometidos, o espectro de patógenos potenciais é muito mais amplo e a consulta de doenças infecciosas é necessária. 

A infecção cutânea, frequentemente, surge em decorrência de ruptura da integridade da pele. A infecção instala-se com a invasão da derme e do subcutâneo pelo patógeno e mecanismos inflamatórios são elicitados como resposta à invasão. Uma vez estabelecida, a infecção se propaga através de espaços teciduais e planos de clivagem por ação das hialuronidases, fibrinolisinas e lecitinases. Há, também, a propensão de invasão de vasos linfáticos e sanguíneos, resultando em linfangite, linfadenite, bacteriemia e septicemia. A produção local de exotoxinas, no sítio de infecção pelo S. aureus, pode resultar em síndrome da pele escaldada estafilocócica (SPEE) e a síndrome do choque tóxico (SCT). 

Quadro clínico

A lesão primária é extremamente dolorosa e infiltrativa, com bordas mal delimitadas que se estende ao tecido subcutâneo. Há presença de sinais flogísticos como eritema e calor locais importantes. À medida que a infecção se estende, graus variáveis de sinais e sintomas sistêmicos surgem, como febre, calafrios, mal-estar, confusão mental e leucocitose. Em alguns casos podem se formar bolhas ou necrose, resultando em extensas áreas de descolamento epidérmico e erosões superficiais. 

A infecção pode se localizar nas partes moles com formação de abscesso dérmico e subcutâneo, ou fasceíte necrosante. Linfadenopatia regional pode estar associada à celulite de extremidades. Como consequência da celulite pode advir supuração profunda e septicemia. O curso da doença costuma ser mais indolente com predomínio de complicações locais, contudo, os efeitos sistêmicos aparecem à medida que a infecção não tratada se agrava.

Diagnóstico da celulite infecciosa 

O diagnóstico da celulite é baseado fundamentalmente nas manifestações clínicas. O diagnóstico diferencial principal é a erisipela, uma subtipo de celulite. A principal forma de diferenciação entre elas está na observação das margens da lesão. Enquanto que na celulite é elevada e bem delimitada, na erisipela mostra-se indistinta, gradualmente se misturando com as áreas de pele normal.

Medidas auxiliares no diagnóstico como hemocultura, aspirados e biópsias não se mostram úteis em casos leves de infecções, mas mostram-se importantes ferramentas diagnósticas quando os pacientes apresentam toxicidade sistêmica, envolvimento extenso da pele ou comorbidades . Pacientes com complicação para abscesso drenável devem ser submetidos a incisão e drenagem, com cultura e teste de sensibilidade do material desbridado. Radiografias são úteis para o diagnóstico de exclusão na suspeita de abscessos e osteomielite.

Tratamento da celulite infecciosa 

Em geral, os pacientes com infecção leve podem ser tratados com um regime de antibióticos orais de maneira empírica e  terapias não medicamentosas. A pele deve manter-se hidratada para evitar que a mesma resseque e forme novas lesões. Pacientes com fatores de risco para quadros de repetição como linfedema e insuficiência venosa, devem tratar esses fatores juntamente com a antibioticoterapia.

Deve-se diferenciar entre celulite purulenta e não purulenta e os esquemas terapêuticos são os utilizados no período de 5 a 10 dias.: 

Celulite não purulenta: 

  • Dicloxacilina 500 mg VO de 6/6 horas 
  • Cefalexina 500 mg VO de 6/6 horas
  • Clindamicina 300-450 mg VO a cada 6-8 horas

Celulite purulenta (deve cobrir S. aureus resistentes à meticilina (MRSA):

  • Dicloxacilina 500 mg VO de 6/6 horas 
  • Cefalexina 500 mg VO de 6/6 horas 
  • Clindamicina 300-450 mg VO a cada 6-8 horas

Pacientes com infecção que justifica terapia parenteral, como quadro severo de celulite, comorbidades importantes ou limitações para um adequado manejo ambulatorial, são geralmente tratados por um período total de 5 a 14 dias. Assim que houver sinais de melhora clínica sem evidência de toxicidade sistêmica, os antibióticos podem ser transferidos da terapia parenteral para a oral. As opções terapêuticas endovenosas são:

  • Cefazolina 1-2 g EV de 8/8 horas 
  • Oxacilina 2g EV de 4/4 horas
  • Clindamicina 600-900 mg EV de 8/8 horas

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