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ABCDE do Trauma

ABCDE do Trauma

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Sanar Pós Graduação

8 minhá 17 dias

O atendimento ao paciente politraumatizado deve ser feito de forma rápida, sistematizada e sem pular etapas, de modo que não negligencie a condição do paciente nem os riscos relacionados ao atendimento.

Dessa forma, o primeiro passo para iniciar o atendimento é estruturar o tipo de conduta a ser feita, iniciando-se pelo que leva o paciente a óbito mais rápido.

Você também pode saber mais sobre a história SAMPLA no atendimento ao politraumatizado ou ler sobre o Atendimento inicial ao politraumatizado de forma geral.

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Objetivos do atendimento inicial ao paciente politraumatizado

  • Avaliar a condição do paciente de forma rápida e segura
  • Definir prioridades no atendimento e reanimação – ABCDE
  • Determinar as necessidades do paciente
  • Providenciar transferência responsável
  • Evitar dano adicional

Antes do ABCDE

  • Cena deve estar segura
  • Equipe paramentada
  • Estabilizar cervical
  • Apresentar-se ao paciente (Ex.: Olá, meu nome é fulano de tal. Estou aqui para ajudá-lo. Qual o seu nome? O que aconteceu com você?)

Avaliação primária

A– Vias aéreas e controle da coluna cervical

B– Respiração

C– Circulação

D– Avaliação neurológica

E- Exposição

A- Vias aéreas e controle da coluna cervical

  • Evitar hipóxia
    • Garantir via aérea pérvia (paciente falando? gasping? queimadura de vibrissas?);
    • Procurar sinais de obstrução;
    • Manejo escalonado caso não tenha via aérea pérvia
  • Manobras básicas
    • Jaw Thrust ou Chin Lift
    • Aspiração
    • Cânula de Guedel
    • Ventilação ou Máscara Não-Reinalante de O2, se necessário
  • Manobras avançadas:
    • Intubação orotraqueal e Cricotireoidostomia
  • Exame físico da face e do pescoço [Afastar Pneumotórax Hipertensivo]
    • Palpar enfisema subcutâneo
    • Traqueia móvel, centralizada?
    • Estase de jugular?
    • Crepitações em face?
    • Corpos estranhos?
    • Feridas, Hematomas?
    • Dor a palpação cervical?
Resultado de imagem para jaw thrust
Fonte: https://www.sanarmed.com/abcde-do-trauma

B – Respiração


• Realizar IPAP: Inspeção, Palpação, Ausculta (Pulmonar e Cardíaca) e Percussão
• Avaliar Ventilação (Evitar a hipercapnia).

Uma via aérea pérvia não necessariamente garante uma boa troca gasosa.
No atendimento ao paciente politraumatizado, lembre-se de ofertar oxigênio. Algumas ferramentas podem ser utilizadas como: cateter nasal, máscara de Venturi e máscara não reinalante com reservatório de O2.

Lesões que ameaçam a vida de imediato:


• Lesões da árvore traqueobrônquica
• Pneumotórax Hipertensivo
• Pneumotórax Aberto
• Hemotórax Maciço
• Tamponamento Cardíaco

O diagnóstico é clínico, não precisa de confirmação radiológica.

Pneumotórax hipertensivo

Sinais e sintomas:

  • Dispneia
  • Taquicardia
  • Hipotensão
  • Desvio de traqueia
  • Estase de jugular
  • Hipóxia
  • Murmúrio vesicular (MV) ausente

Tratamento:

  • Toracocentese de Alívio (Gelco)
    • Não é tratamento definitivo
    • 5º Espaço intercostal, entre linha axilar anterior e linha axilar média
  • Drenagem de Tórax (Dreno com Selo D’agua)

Pneumotórax aberto

Tratamento:

  • Curativo de três pontos

Hemotórax maciço

Sinais e sintomas:

  • Choque hipovolêmico
  • Desconforto respiratório
  • MV diminuídos ou ausentes no lado afetado
  • Macicez à percussão
  • Hipóxia
  • Jugulares colabadas

Tratamento:

  • Reposição volêmica e drenagem torácica
  • Autotransfusão do sangue drenado
  • Toracotomia se:
    • Saída imediata de 1500 mL de sangue ou em choque que drena 200 a 400ml de sangue nas próximas 2 a 4 horas e não estabiliza hemodinamicamente.

Lesão da árvore traqueobrônquica

Sinais e sintomas:

  • Tosse
  • Dispneia
  • Hemoptise
  • Enfisema subcutâneo
  • Fratura de ossos do tórax (costela, escápula, clavícula, esterno)

Tratamento:

  • Tratamento conservador
  • Toracotomia

Tamponamento cardíaco

Sinais e sintomas:

  • Tríade de Beck: estase de jugular, abafamento de bulhas e hipotensão
  • Choque

Tratamento:

  • Pericardiocentese de alívio
  • Toracotomia

C – Circulação

  • O exame físico da circulação do paciente deve ser direcionado a identificar o choque e manter a circulação
    • Avaliar: Pele, Pulso, Perfusão e Sangramento externo
    • Identificar local de sangramento
      • Tórax, abdome, pelve, ossos Longos, sangramentos externos
  • Sangramento externo: parar o sangramento é a prioridade
    • Hemostasia por compressão direta
    • Balonete inflável ou cateter foley
    • Sangramento com risco a vida → Torniquete
  • Avaliar Abdome: Marca de Cinto de segurança? Doloroso?
    • Abdome → USG FAST
      • Janela Subxifóide (Para visualizar Cava Inferior)
      • Janela Hepatorrenal (Espaço de Morrison)
      • Janela Esplenorrenal (Sangue entre baço e diafragma)
      • Janela Pélvica
  • Avaliar estabilidade pélvica
    • K.E.D. Invertido
    • Lençol ou cinta pélvica a nível do trocânter e fêmur
    • Juntar os pés ajuda no paciente com fratura de pelve em livro aberto
  • Palpação das pernas para avaliar presença de fraturas de ossos longos
  • Identificar Choque e Realizar Reposição Volêmica (500 em 500 mL)
    • Sem traumatismo cranioencefálico (TCE)→ Manter PAS > 90 mmHg → Até 1 Litro de SF 0,9%
    • Com TCE → Manter PAM > 80 mmHg → Até 1,5 Litro de SF 0,9%
    • Avaliar necessidade de Hemotransfusão
      • 1:1:1 (CH:PFC:Plaq) → Protocolo Canadense
      • 1:1 (CH:PFC) → Caso não tenha Plaquetas
Tabela de classificação do choque hemorrágico. Fonte: ATLS 9ªed

D- Avaliação neurológica

  • Avaliação neurológica inicial
    • Escala de coma de Glasglow
    • Pupilas
  • Hipertensão Intracraniana (HIC)
    • Tríade de Cushing:
Tríade de Cushing
  • Tratamento HIC
    • Tratamento cirúrgico
    • Monitorizar a PIC
    • Soluções hiperosmolares para reduzir PIC:
      • Manitol 20% 1g/kg em 05 min
      • Solução salina Hipertônica
Fonte: ATLS 9ªed.

Pacientes com pontuação na escala de coma de Glasgow abaixo de 8 está indicado a realização da intubação orotraqueal por conta da provável incapacidade de manutenção da via aérea.

Indicação de TC de crânio

A obtenção de tomografia de crânio (TC) não deve retardar a transferência do paciente para um centro de trauma.

A TC deve ser realizada apenas se o paciente estiver hemodinamicamente estável.

Indicações de TC crânio no paciente politraumatizado

E- Exposição


▪ Avaliar Fraturas → Palpar Pulso → Estabilizar Fratura → Palpar Pulso
▪ Síndrome Compartimental → Fasciotomia
▪ Se não houver nenhuma contra-indicação, o paciente deve ser rolado para avaliação do dorso
▪ Para controle da hipotermia, usar soro aquecido e cobrir o paciente com cobertores ou manta térmica.

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Referências

Advanced Trauma Life Support (ATLS). 10ª edição. 2018.

American College of Surgeons. Suporte Avançado de vida no Trauma (ATLS). 9ª edição. Chicago, 2012.

Martins HS, Neto RA, Velasco IT. Medicina de emergências: abordagem prática. 14. ed. rev. e atual. Barueri, SP: Manole, 2020.

Créditos

Família foto criado por wavebreakmedia_micro – br.freepik.com

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