Psiquiatria

Intoxicação por uso de substâncias psicoativas

Intoxicação por uso de substâncias psicoativas

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Sanar Pós Graduação

5 min há 26 dias

Em caso de intoxicação por uso de substâncias psicoativas, é necessário avaliar o paciente e investigar quanto o uso prévio dessas substâncias.

Deve-se perguntar sobre: substância utilizada, estimativa da quantidade, frequência, duração do uso e último consumo (para estimar tempo de aparecimento de sintomas de abstinência).

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Algumas informações podem ser obtidas por familiares, amigos ou quem prestou assistência. Além disso, exames toxicológicos podem ser úteis no momento da avaliação.

Sintomas psiquiátricos associados à intoxicação por uso de substâncias psicoativas

  • Ideação e tentativas de suicídio e homicídio;
  • Episódios de agitação psicomotora;
  • Síndromes psicóticas, maníacas, depressivas e ansiosas;
  • Coma, convulsões, alterações hemodinâmicas.

Intoxicação aguda

Os efeitos provocados pela intoxicação variam de acordo com a substância utilizada:

Depressores do sistema nervoso central (álcool, benzodiazepínicos)

Sinais e sintomas

  • Hipotensão;
  • Bradicardia;
  • Depressão respiratória.
  • Há maior risco quando há potencialização dos efeitos pela associação de substâncias.

Manejo

  • Monitorar sinais vitais e manter hidratação;
  • Proporcionar um ambiente tranquilo e seguro;
  • Posicionar o paciente em decúbito lateral para evitar aspiração de vômito;
  • Realizar exame neurológico cuidadoso (investigar hematomas subdurais, pois esses pacientes têm maior risco de queda);
  • Descartar hipoglicemia e intoxicação por outras substâncias em pacientes comatosos;
  • Em caso de agitação psicomotora e/ou comportamento agressivo, pode ser utilizado o haloperidol, 5mg, VO ou IM.

Psicoestimulantes (cocaína e outros)

Sinais e sintomas

  • Hipertensão arterial;
  • Taquicardia;
  • Taquipnéia;
  • Hipertermia;
  • Xerostomia;
  • Midríase;
  • Alterações comportamentais, ansiedade, crises de pânico, quadros psicóticos, com delírios paranoides, alterações de senso percepção, alucinações auditivas e visuais.

Manejo

  • Explicar ao paciente que os sintomas irão desaparecer em algumas horas, mantendo-o em ambiente tranquilo, sem estímulos.
  • A contenção mecânica deve ser usada se o paciente se tornar violento.
  • Em casos de ansiedade muito intensa, em que o manejo não farmacológico for insuficiente:  diazepam 10 a 30mg VO ou 10 a 12mg IV.
  • Se depressão do sensório com depressão respiratória: Flumazenil 0,2mg IV, aplicando durante 30 segundos.
  • Em reações psicóticas graves, resistentes a benzodiazepínicos: haloperidol, 2 a 5mg VO ou IM, por 4 dias.
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Opióides

Sinais e sintomas

  • Miose;
  • Bradicardia;
  • Depressão respiratória;
  • Estupor;
  • Coma.

Manejo

  • Adequado suporte cardiorrespiratório com intubação e ventilação mecânica, em unidades de terapia intensiva, nos casos de overdose.
  • Antagonista opioide: Naloxona, 0,8mg para 70 kg de peso corporal, EV, lentamente.
  • Sinais de melhora: aumento da frequência respiratória e dilatação das pupilas. Se não houver melhora prontamente após uso do antagonista, pode ser administrada nova dose de naloxona após alguns minutos.
  • Se boa resposta, administrar a dose de 0,4mg/hora durante 12 horas, para atuar sobre os opioides de meia-vida longa.

Ecstasy

Sinais e sintomas

  • Taquicardia;
  • Triismo;
  • Bruxismo;
  • Sintomas depressivos;
  • Os efeitos graves incluem falência hepática, crises de pânico, hiperpirexia, falência de múltiplos órgãos, síndrome serotoninérgica.

Manejo

  • Administrar carvão ativado se a ingestão foi recente ao atendimento;
  • Monitorar sinais vitais por, no mínimo, quatro horas.

Solventes

Agrupa uma variedade de substâncias com mecanismos de ação variados. Possuem efeitos depressores sobre o sistema nervoso central.

Sintomas

  • Euforia e desinibição (inicialmente);
  • Ataxia;
  • Risos imotivados;
  • Fala pastosa;
  • Confusão mental;
  • Alucinações;
  • Disritmia cardíaca.

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Referências

  1. American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
  2. ASTETE DA SILVA, A.; BRAGA, M.C; PEREIRA SOUZA, M e colaboradores. Diretoria de Política de Urgência e Emergência: Protocolo de manejo das urgências. Curitiba, 2015.
  3. SADOCK, BJ; SADOCK, V; RUIZ, P. Compêndio de psiquiatria: ciência do comportamento e psiquiatria clínica. 11. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
  4. SCHMITT, R; COLOMBO T. Programa de atualização em psiquiatria: emergências psiquiátricas. 2012;2(1): 119-164.

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