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O que é edema agudo de pulmão? | Colunistas

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Joana Menezes

5 min7 days ago

Definição

O edema agudo de pulmão (EAP) é uma síndrome clínica que pode ser definida como um acúmulo de líquido extravasado dos capilares para o interstício pulmonar, capaz de causar dificuldade para o acontecimento das trocas gasosas entre o capilar e os alvéolos pulmonares. Pode ser identificado no paciente quando este apresenta um aumento na pressão capilar pulmonar e, consequentemente, aumento de líquido no espaço intersticial e alveolar do pulmão. Esse quadro gera no paciente dispneia súbita e intensa ao repouso, com saturação de O2 menor que 90% à respiração ambiente (hipoxemia), diminuição da complacência pulmonar, trabalho respiratório aumentado e relação ventilação-perfusão anormal.

Fisiopatologia de edema agudo de pulmão

Comumente, em casos de EAP, ou há um desequilíbrio nas forças das trocas de fluidos intravasculares e intersticiais, ou há uma ruptura de membrana alveolocapilar; independentemente disso, uma vez que um alvéolo é inundado, haverá algum grau de ruptura e a sequência pode ser dividida em três estágios:

  • Elevação do fluxo de líquidos dos capilares para o interstício, sem que se detecte, ainda, aumento do volume intersticial pulmonar devido ao aumento paralelo e compensatório de drenagem linfática;
  • O volume que é filtrado pelos capilares ultrapassa a capacidade de drenagem linfática máxima e inicia-se o acúmulo de líquido no interstício; inicialmente, este ocorre de modo preferencial junto aos bronquíolos terminais, onde a tensão intersticial é menor;
  • Aumentos adicionais do volume, no interstício, terminam por distender os septos interalveolares e consequente inundação dos alvéolos.

É importante salientar que existe uma classificação do EAP segundo sua fisiopatologia, que se dá de acordo com o desbalanço das forças de Starling, alteração da permeabilidade alveolocapilar, insuficiência linfática ou de etiologia desconhecida.

Classificação

Desse modo, existem duas classificações relativas à etiologia do edema agudo de pulmão, que são:

  • Cardiogênica: quando a pressão capilar pulmonar excede a pressão padrão normal, aumentando a filtração transcapilar, de modo a ocorrer normalmente em casos em que há má aderência e uso incorreto de medicação, elevada ingesta hídrica, síndromes coronarianas agudas, miocardites agudas, emergências hipertensivas, taquiarritimias e miocardiopatias crônicas (como as isquêmicas, hipertensivas ou valvares);
  • Não cardiogênica: neste tipo de origem de EAP, costumam ocorrer alterações na permeabilidade alveolocapilar, permitindo rápido extravasamento de líquido para o alvéolo e para o interstício, acontecendo em situações que envolvam: liberação de endotoxinas pela membrana externa de bactérias Gram negativa, embolia pulmonar, síndrome do desconforto respiratório agudo, anafilaxia, acidente ofídico, manipulação das vias aéreas por pressão negativa, edema agudo neurogênico, pré-expansão pós-pneumotórax, exposição a altas altitudes e infecções virais.

Sinais e sintomas

Sabe-se que as manifestações dependem do volume de líquido. A partir disso, para diagnosticar um edema agudo de pulmão, é necessário avaliar a história e o exame físico do paciente. Sabe-se, dessa forma, que os sintomas do EAP envolvem, principalmente, tosse seca ou tosse produtiva, ortopneia, fadiga e dispneia paroxística noturna, podendo também estar presentes uma certa turgência das jugulares, edema de membros inferiores, cianose de extremidades, estertores crepitantes (progressivo da base para o ápice); além de bulhas B3 e B4 na ausculta cardíaca e diminuição ou abolição da ausculta pulmonar (em casos de derrame pleural). No quadro clínico em geral, os sinais vitais trazem frequência respiratória, frequência cardíaca e pressão arterial aumentadas. Há ainda presença de sibilos devido a edema na parede brônquica e alteração no nível de consciência, em casos extremamente graves.

Diagnóstico

Como já mencionado, o diagnóstico é essencialmente clínico, a partir da história e do exame físico. Porém, é válido salientar a necessidade da avaliação de exames complementares como o ECG, que é um exame fundamental na síndrome coronariana aguda (SCA) e para detectar presença de arritmias. Outro exame é a radiografia de tórax para analisar, por exemplo, progressão do caso, edemas, congestões e derrames. Pode-se solicitar ainda um BNP (brain natriuretic peptide) para identificar se a origem do EAP é cardiogênica ou não.

Tratamento de edema agudo de pulmão

Antes de tudo, é importante estar ciente de que o paciente com EAP precisa ter suas vias aéreas avaliadas e ser monitorado com frequência. O tratamento é basicamente medicamentoso e conta com a suplementação de oxigênio – e de VMNI (ventilação mecânica não-invasiva) em casos mais graves –, terapia diurética imediata (como a furosemida), além de rápida sedação com o intuito de reduzir o esforço respiratório. É indicada também a terapia vasodilatadora precoce (como a nitroglicerina, em casos de SCA, e o nitroprussiato de sódio para vasodilatação arterial). O uso de morfina (por conta de sua ação venodilatadora), possui dados duvidosos então deve ser evitado.

Prognóstico de edema agudo de pulmão

Apesar dos inúmeros avanços diagnósticos e terapêuticos, o edema agudo de pulmão continua a apresentar implicações prognósticas sérias devido ao grande número de mortes intra-hospitalares relatadas. Deste modo, sendo uma das mais sérias urgências clínicas a desafiar o médico, necessita de diagnóstico e tratamento imediatos.

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Autoria: Joana D’arc S. Menezes, graduanda em Medicina.

Instagram pessoal: @joanamenezess

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