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O que preciso saber sobre o rodízio de clínica médica?

O que preciso saber sobre o rodízio de clínica médica?

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Tudo que você precisa saber para se destacar no rodízio de clínica médica. Continue a leitura do texto e fique por dentro das dicas feitas para você!

A clínica médica é a especialidade da medicina que é responsável pelo diagnóstico, prevenção e tratamento clínico das patologias. Ela é constituída de conhecimento de diversas áreas e especialidades não cirúrgica.

Costuma-se dizer que a clínica médica é a base da medicina. Na maioria das faculdades, essa matéria faz parte da grade curricular ao longo de todo o ciclo clínico e uma parte do internato, proporcionando grandes experiências e aprendizados aos alunos.

Continue a leitura desse texto e saiba mais dicas de como se preparar para o rodízio de clínica médica.

A clínica médica

É realmente muito vasto o campo que o rodízio de clínica médica proporciona. Ela requer conhecimento de várias áreas da medicina, principalmente das especialidades clínicas, como:

  • Cardiologia
  • Endocrinologia
  • Gastroenterologia
  • Geriatria
  • Hematologia
  • Infectologia
  • Medicina Intensiva
  • Nefrologia
  • Pneumologia
  • Reumatologia
  • Angiologia e cirurgia vascular
  • Cancerologia clínica

Além dessas, é necessário ter conhecimento básico, principalmente das doenças mais prevalentesde, de especialidades como a otorrinolaringologia, dermatologia, oftalmologia, ginecologia, ortopedia, psiquiatria, neurologia, entre outras áreas.

Todo estudante de medicina fica aterrorizado com a quantidade de doenças clínicas que temos. Parece que é impossível conseguir aprender tudo e lembrar de como conduzir cada patologia.  Mas não se desespere. Podemos te ajudar com isso!

Por onde começar a se preparar para o rodízio de clínica médica? – 1º passo

Na clínica tudo começa com a anamnese e o exame físico. É muito importante o estudante de medicina dominar a semiologia clínica. Ela será a base de todo o atendimento e será fundamental para direcionar o seu raciocínio clínico.

Com a semiologia clínica, o estudante terá o conhecimento dos sinais e sintomas e poderá assim, pensar em um diagnóstico. Logo, converse e crie uma boa relação com o paciente.

Anamnese

Esse é o momento em que o diálogo e a boa relação com o paciente fazem toda a diferença. Quando mais comunicativo e colaborativo for um paciente, mais informações importantes para te direcionar à causa da queixa você terá.

Como você já sabe, a anamnese é composta da seguinte forma:

  • Identificação (ID);
  • Queixa Principal (QP);
  • História da Doença ou da Moléstia Atual (HDA ou HMA);
  • Interrogatório Sistemático (IS);
  • Antecedentes Pessoais: fisiológico, patológico, epidemiológico, medidas de imunidade e ações preventivas;
  • Antecedentes familiares;
  • Hábitos de Vida;
  • História Psicossocial (HPS).

É importante conhecer toda a história do paciente. Questione todas as suas queixas, lembre de escrever de forma cronológica a história da doença e o aparecimento dos sintomas. Em caso de dor, sempre caracterizar em 10 fatores:

  • Localização;
  • Irradiação;
  • Intensidade;
  • Qualidade;
  • Cronologia (início, duração, frequência, horário preferencial, episódios anteriores, evolução);
  • Fator desencadeante, de melhora (se farmacológico ou não) e de piora;
  • Sintomas associados;
  • Repercussão.

Para relembrar como fazer uma anamnese boa, leia o texto: ANAMNESE DE FORMA SIMPLES .

Exame físico

Sabemos que o exame físico completo é bastante demorado. No primeiro momento, sem tanto domínio em relação às suspeitas diagnósticas, é necessário realizá-lo em sua totalidade. Aos poucos, ao conhecer mais sobre as patologias, você conseguirá direcionar a sua conduta.

Lembre-se que o exame de dá de forma craniocaudal e se baseia em 4 ações:

  • Inspeção;
  • Palpação;
  • Percussão;
  • Ausculta.

É importante saber realizar toda a sequência do exame físico, bem como suas manobras e reconhecer os padrões que sugerem patologias.

Para relembrar o exame físico, leia: Exame físico geral – Roteiro. Relembre ainda a semiologia abdominal: Resumo de Semiologia Abdominal: inspeção, palpação, percussão e mais.

Lista de problema, suspeitas diagnósticas e condutas – 2º passo para a preparação do rodízio de clínica médica

Após fazer a anamnese e o exame clínico você terá em mãos todos os problemas, sinais e sintomas do paciente. Mas, o que fazer com isso?

Você deve realizar uma lista de problemas, levantar possibilidade de suspeitas diagnósticas e então abordar condutas.

Lista de problemas e suspeita clínica: passo importante para o rodízio de clínica médica

É importante você saber colocar em ordens e elencar os principais problemas do paciente. Tente ao máximo unir problemas que respondam à uma mesma suspeita clínica. E lembre-se sempre que para todos os problemas, devemos ter uma suspeita e uma conduta.

A elaboração da lista de problema varia de professor e preceptor, mas uma sugestão é a seguinte:

  • P1) Queixa principal + sintomas e sinais que tenham relação com a queixa;

SD1: doença x, doença z

  • P2) Segundo problema mais relevante

SD2: doença y

  • P3) Terceiro problema mais relevante

SD3: doença w secundária à P1

  • ….
  • Pn) Comorbidades e/ou diagnósticos prévios.

Essa é uma forma de conseguir analisar o problema do paciente melhor e raciocinar sobre ele.

À medida que o rodízio avança, mais fácil vai ficando de elaborar a lista e de elencar suspeitas clínicas uma vez que elas são doenças ou patologias, caracterizadas por sinais e sintomas.

Conduta clínica

Para cada problema, você deve elencar uma conduta clínica. Ela pode ser:

  • Uma prescrição de exame para investigar a suspeita;
  • Encaminhamento para um especialista;
  • Prescrição de medicamentos;
  • Orientação sobre algum assunto.

É importante registrar tudo isso no prontuário e, caso esse paciente esteja internado, lembre-se de elaborar uma prescrição hospitalar que diz respeito sobre:

  • Repouso;
  • Dieta;
  • Monitorização;
  • Oxigenoterapia e ventilação;
  • Venóclise;
  • Antibióticos e imunossupressores, medicamentos de uso contínuo e/ou de uso eventual;
  • Profilaxias e outras medidas de suporte.

Leia também sobre a Prescrição Médica Hospitalar: para que serve e como utilizar?.

Assim, vemos que importante que se tenha conhecimento sobre como solicitar e interpretar exames, conhecer a farmacologia e prescrever medicamentos. Revise isso!

Estudar as doenças vista no rodízio de clínica médica – 3º passo

Como já haviámos falados, o rodízio de clínica médica faz parte de todo o ciclo clínico e do internato. Ao longo do caminho o estudante se depara com muitas doenças e, uma forma de conseguir fixá-las é sempre estudar o que foi visto e discutido em cada dia de estágio. A prática em associação com a teoria ajuda bastante a dominar o conteúdo e nunca mais esquecer sobre ele.

Uma outra dica que a Sanar disponibiliza ao estudante do internato é: domine a fisiologia e a patologia. Elas conseguem fazer com que o seu raciocínio clínico seja mais rápido, uma vez que te ajuda a entender como acontece o processo de cada parte do corpo.

Então, sempre ao estudar sobre uma doença, procure entender o mecanismo fisiopatológico dela. Isso vai te ajudar a dominar a clínica e obter um conhecimento vasto.

Sugerismos ainda o estudo através de síndromes clínicas. Essas são conjuntos de sinais e sintomas que ajudam a direcionar o seu raciocínio clínico.

Patologias mais encontradas no rodízio de clínica médica

 Apesar da vasta quantidade de doenças que o estudante de medicina se depara ao longo dos rodízios, existem algumas que o mesmo precisa ir sabendo reconhecer e manejar pois são muito comuns de se encontrar. Confira agora algumas de acordo com as especialidades:

Cardiologia

  • Eletrocardiograma
  • Hipertensão Arterial Sistêmica
  • Dislipidemias
  • Síndrome Coronarianas Agudas
  • Insuficiência Cardíaca
  • Taquiarritmias, bradiarritmias
  • Febre reumática
  • Anticoagulogramas

Endocrinologia

  • Emergências hiperglicêmicas: Cetoacidose diabética e estado hiperglicêmico hiperosmolar
  • Crise tireotóxica e Coma mixedematoso
  • Corticoides e Controle glicêmico

Gastroenterologia

  • Ascite
  • Abdome agudo
  • Diarreia aguda
  • Doença calculosa das vias biliares
  • Hepatite aguda
  • Pancreatite aguda
  • Hemorragia digestiva alta e baixa

Infectologia

  • Dengue e outras arboviroses
  • Tuberculose
  • HIV/AIDS
  • Influenza
  • Endocardite infecciosa
  • Leptospirose
  • Parasitologias
  • COVID-19

Nefrologia

  • Síndrome nefrítica e nefrótica
  • Interpretação de gasometria artéria e distúrbios ácido básicos
  • Distúrbios hidroeletrolíticos
  • Injúria renal aguda (IRA)

Pneumologia

  • Asma
  • DPOC
  • Pneumonia adquirida na comunidade e nosocomial
  • Insuficiência respiratória aguda
  • Tromboembolismo pulmonar agudo

Reumatologia

  • Lupus Eritematoso Sistêmico (LES)
  • Síndrome Antifosfolípide (SAF)
  • Artrite reumatoide
  • Gota
  • Osteoporose
  • Fibromialgia

Neurologia

  • Cefaleias
  • Sedação e analgesia
  • Síndromes epiléticas
  • Delirium
  • Morte encefálica
  • Coma
  • Síndromes demenciais e degenerativas

Hematologia

  • Anemia
  • Indicações transfusionais

Psiquiatria

  • Surto psicótico
  • Risco de suicídio
  • Ataques de pânico

Oftalmologia

  • Ceratites
  • Conjuntivites
  • Edema palpebral
  • Trauma de órbita

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Sugestão de leitura complementar

Referências

  1. FIGUEIREDO, E. T. et al. Manual de Clínica Médica: do diagnóstico ao tratamento. 2ªed, Salvador, BA: Editora Sanar, 2020.
  2. GUSMÃO, C.A. et al. Raciocínio Clínico: diagnóstico diferencial à beira leito. 1ª ed, Salvador, BA: Editora Sanar, 2018.
  3. LIRA, G.V.; FREIRE, T.A.; FREIRE, T.A. Manual de Semiologia Médica. 1ª ed, Salvador,BA: Editora Sanar, 2020.
  4. MONTENEGRO, M. L. Grandes Síndromes Clínicas. 1º ed, Salvador, BA: Editora Sanar, 2021.
  5. OLIVEIRA, C.Q. Yellowbook Como Fazer Todos os Diagnósticos. 1ª ed, Salvador,BA: Editora Sanar, 2020.