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Oxigenoterapia: Manual dos Dispositivos de Oxigenação

Oxigenoterapia: Manual dos Dispositivos de Oxigenação

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7 min há 581 dias

Dispneia é um dos sinais e sintomas mais comuns na emergência! Muitos pacientes que dão entrada com desconforto respiratório precisa de oxigenoterapia através algum dispositivo de oxigenação. Logo, o manejo adequado da via aérea é uma das competências básicas de um médico, e tem como objetivo promover uma boa ventilação e oxigenação pro paciente.

Conceitos

Antes de abordar o manejo da oxigenoterapia de fato, é necessário ter alguns conceitos consolidados:

  • Ventilação: entrada e saída de ar entre as unidades funcionais dos pulmões, alvéolos, e o meio externo.
  • Oxigenação: participação do oxigênio molecular no processo de obtenção de oxigênio. Este conceito se relaciona, dentre outros fatores com a saturação de oxigênio.
  • Saturação de Oxigênio (SatO2): porcentagem de hemoglobina que está ligada a moléculas de oxigênio.
  • Fração inspirada de O2 (FiO2): porcentagem de oxigênio no ar inspirado. Em ar ambiente, ao nível do mar, temos uma FiO2 de 21%.

Didaticamente, dividimos a oxigenoterapia entre os dispositivos entre os de oxigenação, utilizados para aumentar a FiO2 em pacientes em ventilação espontânea; e os de ventilação, para aqueles em que a ventilação está ausente ou insuficiente.

Nos pacientes que possuem ventilação espontânea, a definição por qual dispositivo usar não obedece a uma regra. Itens do exame clínico, físico e complementares podem ajudar na escolha. Sabemos que a dispneia é uma queixa subjetiva, sendo importante para o médico quantificar a relevância e gravidade da possível insuficiência respiratória, avaliando o padrão respiratório, uso de musculatura acessória, dados de monitorização (saturação de oxigênio) e gasometria arterial. A escolha dos dispositivos de vias aéreas dependerá do julgamento do médico diante dos parâmetros citados.

Dentre os dispositivos de oxigenação, podemos citar:

  • Catéter nasal;
  • Máscara de oxigênio simples;
  • Máscara de venturi;
  • Máscara não-reinalante.

Cateter/Cânula nasal

A cânula nasal é o dispositivo mais utilizado, tanto pela disponibilidade quanto pela facilidade do uso. Ela é um dispositivo simples, de baixo fluxo, suportando um fluxo de até 6 L/min, fornecendo uma FiO2 de, no máximo, 45%. Um aumento maior no fluxo não é transmitido em aumento da FiO2

O que precisa se ter em mente é:

A cada 1 L/min corresponde a um acréscimo de 3-4% na FiO2 do ar ambiente.

Sua principal indicação é hipoxemia leve, conseguindo reverter a hipoxemia na maioria dos casos em que se há uma diminuição leve da SatO2 (92-94%).

Sua principal desvantagem é que o uso prolongado ou aplicação de fluxos altos podem levar a ressacamento da mucosa nasal ou até lesões na mucosa.

cateter nasal
Catéter nasal
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Máscara simples

A máscara simples pode aumentar a FiO2 até 60%, ela deve ser usada com um fluxo mínimo de 5 L/min para prevenir retenção de dióxido de carbono (CO2).

Tem uma vantagem de ser mais acessível e leve (podendo ser utilizada até em casa, porém não tem garantia de selamento, além de precisar ser removido se o paciente precisar falar ou se alimentar.

máscara simples
Máscara de oxigênio simples

Máscara de Venturi

A Máscara de Venturi possui um sistema de válvulas que possibilita um controle exato da FiO2 a ser fornecida ao paciente. Cada válvula tem uma cor e na válvula tem escrito tanto o fluxo quanto a FiO2 ofertado por ele, que varia de de 24 a 50%.

Seu benefício está em situações em que se busque um desmame da oferta de oxigênio ou nas quais uma oferta exagerada e/ou descontrolada pode ser prejudicial, como em pacientes com DPOC. Também é muito usado em crianças e em paciente em desmame de oxigenoterapia

máscara de venturi
Máscara de Venturi

Máscara não reinalante

A máscara não-reinalante destaca-se pelo reservatório de oxigênio e por um sistema de válvulas expiratória e inspiratória que conferem a capacidade de fornecer uma fração inspirada de oxigênio de até 100% (fluxo de 12-15 L/min), sendo amplamente utilizada em setores de emergência e UTI.

É utilizada principalmente do trauma (quando a intubação não está indicada) e em situação de emergência clínica em que há uma hipoxemia moderada-grave que não conseguiu ser revertida com cânula e que ainda não há uma indicação de intubação ou ventilação-não-invasiva.

Sua utilização prolongada pode ser desconfortável devido ao peso do equipamento e a vedação necessária.

máscara não reinalante

Considerações finais sobre Oxigenoterapia

Em suma, os dispositivos de oxigenação são os recursos mais acessíveis e de fácil manejo para oxigenoterapia nos ambientes de emergência. Reconhecer a insuficiência respiratória do paciente e ofertar O2  de forma adequada é um dos pré-requisitos do médico plantonista.

Além desses dispositivos, existem os dispositivos de ventilação, dentre outros dispositivos de manejo de via aérea, como a máscara laríngea e o combitube. Mas esses ficam para outros posts, tranquilo?

Quer saber sobre esses dispositivos de ventilação? Corre no Yellowbook Emergências, temos dois capítulos que vão te dar toda informação necessária para sua prática clínica.

DISPOSITIVOFiO2FLUXOCONSIDERAÇÕES
Cânula nasalAté 45%Até 6L/minA cada 1L soma 3-4% na FiO2. Valores de fluxo altos causam desconforto.
Máscara simplesAté 60%Mínimo de 5 L/minNão é tanto utilizada na prática.
Máscara deVenturi24-50%2 até 15 L/minÚtil em pacientes com DPOC e em desmame de oxigenação
Máscara-nao-reinalanteAté 100%Até 15 L/minPacientes em dispneia moderada a grave que não tem indicação de VNI e VM

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