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Artrite séptica: epidemiologia, etiologia, sinais e sintomas, diagnóstico e tratamento

Resumo de artrite séptica - Sanar

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A artrite séptica é toda infecção por bactéria piogênica na articulação. Geralmente é de origem bacteriana, mas também pode ser causada por vírus, fungos e outros microorganismos. Pode ser classificada como gonocócica e não gonocócica, além de aguda ou crônica. 

A artrite de origem bacteriana é frequentemente uma forma destrutiva de artrite aguda e representa uma emergência médica. A demora em estabelecer o diagnóstico e iniciar o tratamento pode causar destruição articular irreversível e aumentar a mortalidade. 

Epidemiologia da artrite séptica 

Nos Estados Unidos, em 2012, a artrite séptica foi responsável por 16.000 visitas ao departamento de emergência. Não há dados oficiais no Brasil, mas a incidência anual estimada de artrite séptica na população geral é entre 2 a 6 casos/100.000 pessoas, é ligeiramente maior no sexo masculino em relação ao feminino (1,5:1) e sem diferença entre as raças.

Mais comumente, a artrite séptica surge por meio de semeadura hematogênica. A bacteremia tem maior probabilidade de se localizar em uma articulação com artrite pré-existente, como ocorre na artrite reumatóide, osteoartrite, gota, pseudogota, artropatia de Charcot, particularmente se associada com sinovite.  

Fatores de risco bem estabelecidos incluem idade avançada, cirurgia ou injeção recente nas articulações, infecção de pele ou tecido mole, uso de drogas intravenosas, cateteres de demora e Imunossupressão. 

Microbiologia e fisiopatologia    

A artrite séptica geralmente é monomicrobiana. Staphylococcus aureus é a causa mais comum de artrite séptica em adultos. Outros organismos gram-positivos, como estreptococos, também são importantes causas potenciais. 

A artrite séptica por bacilos gram-negativos geralmente ocorre em adultos mais velhos, em pacientes com imunossupressão subjacente ou usuários de drogas intravenosas. Pacientes em uso de imunossupressores têm risco maior de artrite por Pseudomonas,

A artrite gonocócica é causada causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae. O gonococo é causador de infecção sexualmente transmissível (IST) e a artrite gonocócica é considerada uma das formas disseminada da infecção por esta bactéria.

Mais comumente, a artrite séptica surge via disseminação hematogênica da membrana sinovial e envolve mais  comumente grandes articulações. A artrite bacteriana também pode ocorrer via inoculação direta de bactérias na articulação, secundário a trauma, artroscopia ou outra cirurgia e injeção intra-articular. 

Independente da forma de infecção, ocorre proliferação do microorganismo na sinóvia tornando-se infectada, provocando degradação enzimática, neovascularização e desenvolvimento do tecido de granulação.

À medida que elementos purulentos se acumulam, a pressão intra-articular aumenta e o fluxo sanguíneo sinovial fica tamponado, resultando em anoxia dessa cartilagem e contribuindo para a necrose da cartilagem.

Quadro clínico da artrite séptica    

Em geral, os pacientes com artrite infecciosa bacteriana não gonocócica geralmente se apresentam de forma aguda como uma monoartrite, com quadro febril de instalação súbita, calafrios quando há bacteremia e queda do estado geral. 

O joelho está envolvido em mais de 50% dos casos, mas pulsos, tornozelos e quadris também são comumente afetados. A infecção oligoarticular ou poliarticular ocorre em aproximadamente 20% dos pacientes com artrite séptica. 

A artrite gonocócica apresenta uma típica tríade composta por poliartrite, tenossinovite e lesões cutâneas. As lesões cutâneas são indolores, não pruriginosas, caracterizadas como pápulas ou vesículas, às vezes como pústulas hemorrágicas.  podendo não serem percebidas pelos pacientes, e ocorrem em tronco e extremidades, poupando a face. A tenossinovite ocorre com maior frequência em dorso das mãos, dedos e pés.

Lesões de pele em infecção gonocócica disseminada.  Fonte: Livro da Sociedade Brasileira de Reumatologia, 1 ed, 2019
Tenossinovite no dorso das mãos. Fonte: Livro da Sociedade Brasileira de Reumatologia, 1 ed, 2019

Diagnóstico  

O diagnóstico de artrite séptica deve ser suspeitado em pacientes com início agudo de pelo menos uma articulação inchada e dolorida. A artrite séptica pode ser definitivamente estabelecida no cenário de coloração e / ou cultura de Gram de líquido sinovial positiva. 

Em pacientes com líquido sinovial purulento com contagem de leucócitos de 50.000 a 150.000 células / microL, principalmente neutrófilos, mas culturas de líquido sinovial negativas, um diagnóstico presuntivo de artrite séptica pode ser feito. 

Tratamento da artrite séptica

O manejo da artrite bacteriana aguda consiste em drenagem das articulações e antibioticoterapia. Se a coloração inicial de Gram do líquido sinovial mostrar cocos Gram-positivos, o tratamento consiste em vancomicina. 

Se a coloração inicial de Gram do líquido sinovial mostrar bacilos Gram-negativos, o tratamento consiste em uma cefalosporina de terceira geração: ceftriaxona 2 g, endovenosa, a cada 24 horas, cefotaxima 2 g, endovenosa, a cada 8 horas ou ceftazidima 1 a 2 g, endovenosa, a cada 8 horas.

Para pacientes imunocomprometidos e usuários de drogas injetáveis, sugerimos o tratamento com vancomicina mais uma cefalosporina com atividade contra Pseudomonas, como ceftazidima ou cefepima. 

Para pacientes com artrite gonocócica o regime inicial de escolha atualmente é o ceftriaxone venosa ou intramuscular associado com azitromicina oral em dose única. Regime alternativo pode ser feito com ceftizoxima ou cefotaxima intravenoso associadas com azitromicina na mesma dose.

A drenagem cirúrgica geralmente é necessária para articulações como ombro, quadril e joelhos e em casos de infecção associada à presença de prótese articular. Nos casos de artrite séptica de joelho, ombro e punhos, quando se opta pelo método cirúrgico de drenagem, a artroscopia geralmente é preferível. Para quadril a drenagem por cirurgia aberta é a melhor escolha. 

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Referências

  1. Goldenberg, Don L. Sexton, Daniel J. Septic arthritis in adults. Post TW, ed. UpToDate.Waltham, MA: UpToDate Inc.2021
  2. Imboden, Jonh B. Hellman, David B. Stone, John H. Current Reumatologia: diagnóstico e tratamento. 3. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. 
  3. Vasconcelos, José Tupinambá Sousa., et al. Livro da Sociedade Brasileira de Reumatologia. 1. ed. Barueri [SP]: Manole, 2019

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