A colecistolitíase ou colelitíase corresponde a presença de cálculos na vesícula biliar. Os cálculos biliares podem ser de colesterol ou pigmentados. Os cálculos de colesterol são amarelados e produzidos na própria vesícula.
Já os cálculos pigmentados podem ser pretos, formados principalmente por bilirrubinato de cálcio, e produzidos na vesícula biliar, ou castanhos, que na maioria das vezes, são produzidos no ducto colédoco.
Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:GallbladderAnatomy-pt.svg
Epidemiologia da Colecistolitíase
Os cálculos biliares estão presentes em mais de 10% da população ocidental e tem um predomínio no sexo feminino. A colecistolítiase é geralmente assintomática, entretanto, alguns pacientes podem referir sinais e sintomas devido a complicações associadas a doença, como por exemplo, colecistite, pancreatite e coledocolitíase.
Aproximadamente 25% dos paciente com litíase biliar evoluem com colecistite aguda, que corresponde ao processo inflamatório da vesícula, devido a obstrução do ducto cístico pelo cálculo.
Fisiopatologia
Existem diversos fatores de risco que predispõem a formação de cálculos na vesícula. Pacientes obesos, como apresentam uma síntese aumentada de colesterol, se tornam mais vulneráveis ao surgimento da lítiase biliar.
Outro fator relevante, é a dismotilidade da vesícula, que por não conseguir contrair adequadamente, favorece a estase do seu conteúdo, facilitando a formação dos cálculos.
Gravidez, dieta, fatores genéticos, idade avançada e hormônios, como o estrógeno e a progesterona, também entram como fatores de risco importantes associados ao desenvolvimento da doença calculosa biliar.
Quadro clínico da Colecistolitíase
A maioria dos pacientes com cálculos biliares é assintomática, sendo diagnosticada incidentalmente a partir de algum exame de imagem. Os pacientes que desenvolvem sintomas, geralmente, apresentam alguma complicação da doença.
De um modo geral, a queixa mais comum é a cólica biliar, que corresponde a uma dor contínua no hipocôndrio direito e/ou epigástrio, podendo irradiar para o dorso. Essa dor costuma piorar após uma alimentação gordurosa, já que a vesícula biliar é estimulada a se contrair para eliminar a bile.
A medida que ela vai relaxando, essa dor tende a diminuir gradativamente. Náuseas, vômitos, distensão abdominal e sintomas dispépticos são manifestações inespecíficas e também podem estar presentes nos pacientes com cálculos biliares.
Diagnóstico da Colecistolitíase
O exame físico abdominal não costuma revelar nenhum achado importante, a menos que o paciente apresente alguma complicação. Da mesma forma, exames laboratoriais podem se apresentar inalterados.
O diagnóstico da colelitíase normalmente é feito através da ultrassonografia, que é um exame altamente sensível para detecção de cálculos biliares, além de ser simples, disponível e não expõe o paciente a radiação ionizante.
Como a colelitíase, na maioria dos casos, costuma ser assintomática, o diagnóstico geralmente é feito incidentalmente, a partir de uma ultrassonografia que foi realizada por outros motivos.
Nesse exame, os cálculos são vistos dentro da vesícula como imagens hiperecogênicas, apresentando sombra acústica.
Tratamento da Colecistolitíase
Os pacientes com cálculos biliares assintomáticos, de modo geral, não requerem tratamento. A cirurgia, no entanto, está indicada para os sintomáticos e consiste na colecistectomia, que é a remoção da vesícula biliar.
A cirurgia pode ser realizada através da técnica convencional (aberta) ou por videolaparoscopia, sendo esta última associada a um menor tempo de internação do paciente.
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Referências:
Salam F Zakko, MD, FACP, AGAF. Overview of gallstone disease in adults. UpToDate, 2020. Acesso em: 19 mai. 2021. https://www.uptodate.com/contents/overview-of-gallstone-disease-in-adults
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