Fisiologia

Resumo sobre inflamação crônica: etiologia, células, mediadores e mais!

Resumo sobre inflamação crônica: etiologia, células, mediadores e mais!

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Definição

A inflamação crônica é o termo que refere-se a tempo (cronologia), significando que a inflamação é de longa duração. A inflamação crônica pode ser precedida por uma fase aguda em que não há cura, ou mais freqüentemente, ter desenvolvimento insidioso. 

Algumas alterações são marcas da inflamação crônica devido a presença de lesões persistentes, como angiogênese e fibrose. Dependendo das características pode ser granulomatosa ou não.  

Etiologia da inflamação crônica

A inflamação crônica ocorre em infecções persistentes por microrganismos difíceis de erradicar como ocorre com as micobactérias, Treponema pallidum, na esquistossomose e alguns vírus e fungos.  

Algumas doenças inflamatórias imunomediadas evoluem para inflamação crônica muitas vezes, como artrite reumatoide, doença inflamatória intestinal, úlcera péptica crônica, entre outras. 

A exposição prolongada a agentes potencialmente tóxicos cursam com inflamação crônica, como a sílica particulada que, quando inalada, pode induzir uma resposta inflamatória crônica nos pulmões e agentes endógenos, como os cristais de colesterol, que podem contribuir para a aterosclerose. 

Componentes da inflamação crônica  

Ao contrário da inflamação aguda, que é caracterizada pelas alterações vasculares, edema e infiltrado predominantemente neutrofílico, a inflamação crônica caracteriza-se por um conjunto de alterações. 

  1. Infiltração de células mononucleares, incluindo macrófagos, linfócitos e plasmócitos. 
  2. Destruição tecidual, francamente induzida pelos produtos das células inflamatórias.
  3. Reparo, envolvendo proliferação de novos vasos (angiogênese) e fibrose. 

Como já foi dito, a inflamação aguda pode progredir para inflamação crônica. Essa transição ocorre quando a resposta aguda não pode ser resolvida ou devido à persistência do agente lesivo ou por causa da interferência com o processo normal de cura.

Fonte: Robbin. Patologia básica, 2013.

Células e mediadores da inflamação crônica  

Os macrófagos, as células dominantes da inflamação crônica, são células teciduais derivadas dos monócitos do sangue circulante, após sua emigração da corrente sanguínea. Estes são ativados por duas principais vias, a clássica e a alternativa. 

Os macrófagos classicamente ativados produzem enzimas lisossômicas, NO e ERO, todas aumentando sua habilidade em destruir organismos fagocitados e secretando citocinas que estimulam a inflamação. Ao contrário, o papel dos macrofagos ativados alternativamente é no reparo tecidual. 

Vias de ativação dos macrófagos
Vias de ativação dos macrófagos.  Fonte: Robbin. Patologia básica, 2013. 

A ativação de linfócitos B e T é parte da resposta imune adaptativa em infecções e doenças imunológicas e são mobilizados sob a manifestação de qualquer estímulo imune específico (p. ex., infecções), bem como na inflamação não mediada imunologicamente (p. ex., devido a necrose isquêmica ou trauma) e são os principais orientadores da inflamação em muitas doenças autoimunes e inflamatórias crônicas. 

Os linfócitos T e B migram para os locais inflamatórios usando alguns dos mesmos pares de moléculas de adesão e quimiocinas que recrutam outros leucócitos. Nos tecidos, os linfócitos B podem se desenvolver em plasmócitos, que secretam anticorpos, e os linfócitos T CD4+ são ativados para secretar citocinas.

Linfócitos e macrófagos interagem de modo bidirecional, e essas interações têm um papel importante na inflamação crônica. Os macrófagos apresentam os antígenos às células T, expressam moléculas de membrana (chamadas coestimuladoras) e produzem citocinas (IL-12 e outras) que estimulam as respostas da célula T. 

Os linfócitos T ativados, por sua vez, produzem citocinas, descritas anteriormente, que recrutam e ativam macrófagos e depois promovem mais apresentação do antígeno e mais secreção de citocinas.

Interações macrófago-linfócito na inflamação crônica.
Interações macrófago-linfócito na inflamação crônica. Fonte: Robbin. Patologia básica, 2013. 

Por mais que neutrófilos, eosinófilos e mastócitos são células clássicas da inflamação aguda, muitas formas de inflamação crônica podem continuar a mostrar extensos infiltrados dessas células, como resultado da persistência do agente agressor.

Reparo tecidual 

Se a lesão do tecido é grave ou crônica e resulta em dano às células do parênquima e do tecido conjuntivo ou se células que não se dividem forem lesadas, o reparo não pode ser feito apenas por regeneração, mas sim por substituição com tecido conjuntivo e formação de cicatriz. 

O reparo por deposição de tecido conjuntivo consiste em um processo sequencial que segue a resposta inflamatória com formação de novos vasos (angiogênese), migração e proliferação de fibroblastos, formação do tecido de granulação e maturação e reorganização do tecido fibroso (remodelamento) para produzir uma cicatriz fibrosa estável. 

O reparo por tecido conjuntivo começa com a formação de tecido de granulação (formado por fibroblastos junto com a abundância de vasos e leucócitos dispersos, tendo aparência granular e rósea) e termina com deposição de tecido fibroso. Múltiplos fatores de crescimento estimulam a proliferação dos tipos celulares envolvidos no reparo, incluindo TGF-b, PDGF e FGF. 

reparo por tecido conjuntivo após infecção ou lesão
Fonte: Robbin. Patologia básica, 2013.

Inflamação crônica granulomatosa  

A inflamação granulomatosa é um padrão distintivo de inflamação crônica clássica, caracterizada por agregados de macrófagos ativados com linfócitos esparsos.

O reconhecimento do padrão granulomatoso é importante devido ao número limitado de condições: em respostas persistentes de células T a certos microorganismos como Mycobacterium tuberculosis, T. pallidum, Schistosoma spp. ou fungos; em algumas doenças inflamatórias imunomediadas, como doença de Crohn e granulomatose de Wegener; ou em condições de etiologia desconhecida, como sarcoidose

O granuloma isola o agente agressor, sendo um mecanismo útil de defesa. Entretanto, o agente pode ser resistente a destruição e, em algumas doenças, como a tuberculose, a inflamação granulomatosa, com fibrose subsequente, pode ser a principal causa da disfunção do órgão. 

Típico granuloma, resultante de infecção crônica com Mycobacterium tuberculosis
Típico granuloma, resultante de infecção com Mycobacterium tuberculosis, mostrando área central de necrose caseosa, macrófagos epitelioides ativados, células gigantes e acúmulo periférico de linfócitos. Fonte: Robbin. Patologia básica, 2013.

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Referências:

  1. ABBAS, Abul K.; PILLAI,Shiv; LICHTMAN, Andrew H.. Imunologia:Celular e Molecular. 9 ed. Rio De Janeiro: Editora Elsevier Ltda, 2019. 
  2. Robbins, patologia básica / Vinay Kumar… [et al] ; [tradução de Claudia Coana… et al.]. – Rio de Janeiro : Elsevier, 2013. 
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