Alergologia e imunologia

Resumo sobre neutrófilos (completo) – Sanarflix

Resumo sobre neutrófilos (completo) – Sanarflix

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SanarFlix

7 min43 days ago

Introdução

Os neutrófilos são células sanguíneas leucocitárias, componentes fundamentais do sistema imune inato. Em conjunto com os eosinófilos e basófilos formam a classe dos granulócitos, apresentando núcleos irregulares e grânulos citoplasmáticos específicos. Normalmente participam dos combates a infecções por fungos e bactérias.

Células do Sistema Imunológico

Existe uma grande heterogeneidade nas células do sistema imune, e a maioria delas se origina das células-tronco hematopoéticas no fígado fetal e na medula óssea no período pós-natal – especialmente nas vértebras, esterno, costelas, fêmur e tíbia.

A heterogeneidade morfológica reflete o fato de que as células do sistema imunológico apresentam uma grande variedade de funções, incluindo:

  • Fagocitose;
  • apresentação de antígeno;
  • lise de células infectadas por vírus e
  • secreção de anticorpos específicos.

Em geral, as células do sistema imune podem ser divididas em duas categoria funcionais amplas que trabalham em conjunto para fornecer a imunidade natural e a resposta adquirida. A imunidade natural representa um sistema de defesa que evolui para reconhecer padrões moleculares conservados que são característicos de diversos patógenos, sendo frequentemente a primeira linha de defesa.

A imunidade adquirida, uma inovação evolucionária mais recente, reconhece moléculas novas produzidas pelos patógenos utilizando um grande repertório de receptores de antígenos específicos.

Grupamento de células

As células fagocitárias do sistema imunológico natural pertencem à linhagem mieloide e incluem:

  • os monócitos: células sanguíneas circulantes;
  • os macrófagos: monócitos diferenciados que residem em diversos tecidos;
  • granulócitos polimorfonucleares (neutrófilos polimorfonucleares, PMN): basófilos e eosinófilos: células sanguíneas circulantes.

Todas as células fagocitárias são envolvidas, principalmente, na defesa contra organismos extracelulares. As células natural killer (NK) estão mais envolvidas principalmente na defesa contra micro organismos intracelulares, sendo responsáveis pela destruição de células infectadas por vírus.

Neutrófilos polimorfonucleares (PMN)

Existem 3 tipos diferentes de granulócitos polimorfonucleares. Neste artigo, abordaremos especificamente os granulócitos polimorfonucleares (frequentemente chamados de granulócitos). Esse grupo consiste basicamente em neutrófilos (PMNs).

Eles são liberados pela medula óssea a uma taxa de 7 milhões por minuto e têm uma vida curta (2-3 dias) quando comparados aos monócitos/macrófagos, que vivem de meses a anos.

Os PMNs, assim como os macrófagos, margeiam (aderem-se às células endoteliais que revestem os vasos sanguíneos) e saem da circulação se espremendo entre as células endoteliais para chegarem ao local de infecção dos tecidos.

Esse processo é denominado diapedese. A adesão é mediada por receptores, nos granulócitos, e seus ligantes, nas células endoteliais, sendo promovida por proteínas quimioatraentes (quimiocinas), como a interleucina-8 (IL-8).

Semelhantes aos monócitos/macrófagos, os neutrófilos também possuem receptores que reconhecem padrões, e os PMNs desempenham um papel importante na inflamação aguda (geralmente sua ação é sinérgica com a de anticorpos e sistema complemento) ao fornecer proteção contra micro organismos. A fagocitose e a destruição de patógenos são o seu papel predominante.

A importância dos neutrófilos é evidente a partir da observação de indivíduos que apresentam um número reduzido de glóbulos brancos ou que tem defeitos genéticos raros que previnem o extravasamento de granulócitos em resposta a estímulos quimiotáticos. Esses indivíduos apresentam uma susceptibilidade acentuada a infecções bacterianas e fúngicas.

Representação dos neutrófilos

Os neutrófilos apresentam um núcleo multilobulado característico. Agentes quimiotáticos que atraem os neutrófilos para os locais de infecção incluem:

  • fragmentos proteicos liberados quando o complemento é ativado (por exemplo, C5a);
  • fatores derivados dos sistemas fibrinolítico e das cininas;
  • produtos de outros leucócitos e plaquetas;
  • produtos de determinadas bactérias.

Os neutrófilos possuem um grande arsenal de enzimas e proteínas antimicrobianas armazenadas em dois tipos principais de grânulos:

  • os grânulos primários (azurófilos) são lisossomos que contém hidrolases ácidas, mieloperoxidase e muramidase (lisozima); eles também contém proteínas antimicrobianas, incluindo as defensinas, seprocidinas, cetelicidinas e proteína indutora de permeabilidade bacteriana (BPI) e
  • grânulos secundários (específicos dos neutrófilos) contém lactoferrina e lisozima.

Durante a fagocitose, os lisossomos contendo as proteínas antimicrobianas se fundem com os vacúolos contendo os micro organismos ingeridos (chamados de fagossomos), formando os fagolisossomas, onde ocorre a destruição dos organismos.

Os neutrófilos também liberam grânulos e substâncias citotóxicas no meio extracelular quando são ativados por complexos imunes (anticorpos ligados a seus antígenos específicos) através de seus receptores Fc. Esse é um exemplo importante de colaboração entre os sistemas imunes natural e adquirido, sendo um mecanismo importante em doenças de complexo imunes (hipersensibilidade tipo III).

Desenvolvimento dos neutrófilos

Monócitos e neutrófilos se desenvolvem a partir de uma célula precurssora em comum, a célula UFC-granulócito macrófago (UFC-GM). A mielopoiese (o desenvolvimento das células mieloides) se inicia no fígado do feto humano por volta da 6ª semana de gestação.

As UFC-GMs amadurecem sobre a influência dos fatores estimuladores de colônias (CSFs) e diversas interleucinas. Esses fatores, que são relevantes para a regulação positiva da hematopoiese, são:

  • derivados, principalmente, das células do estroma (células do tecido conjuntivo) na medula óssea;
  • também são produzidos pelas formas maduras de células mieloides e linfoides diferenciadas.

Expressão dos neutrófilos

O marcador de célula tronco hematopoiética não diferenciada, o CD34, como outros marcadores iniciais dessa linhagem, não existe nos neutrófilos e células fagocitárias mononucleares maduras. Outros marcadores também podem ser perdidos ao longo da diferenciação por uma via, mas ser mantidos em outra.

Por exemplo, o precursor comum de monócitos e neutrófilos, a célula UFC-GM, expressa moléculas II do complexo principal de histocompatibilidade (MHC), mas apenas os monócitos continuam a expressar níveis significativos desse marcador.

Importante salientar que as UFC-GM passam por diversos estágios de diferenciação até se tornarem neutrófilos. Conforme a UFC-GM se diferencia na via dos neutrófilos, podemos distinguir diversos estágios morfológicos distintos. Os mieloblastos se diferenciam em pro-mielócitos e mielócitos, que amadurecem e são liberados na circulação como neutrófilos.

A via única de diferenciação da UFC-GM em neutrófilos maduros resulta da aquisição de receptores específicos para fatores de crescimento e diferenciação em estágios progressivos do seu desenvolvimento. Os marcadores de superfície de diferenciação desaparecem ou são expressos nas células conforme elas se desenvolvem em granulócitos. Por exemplo, moléculas do MHC classe II são encontradas na UFC-GM, mas não tem neutrófilos maduros.

É difícil avaliar a atividade funcional dos diferentes estágios de desenvolvimento dos granulócitos, no entanto o mais provável é que apenas quando as células estão maduras o seu potencial funcional está completo.

Existe algumas evidências de que a atividade do neutrófilo, medida pela fagocitose e quimiotaxia, é mais baixa na vida fetal do que na vida adulta. No entanto, isso pode ser parcialmente devido a níveis mais baixos de opsoninas no soro do feto e não devido a características das células.

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