Medicina da Família e Comunidade

Tosse seca persistente: como manejar na APS?

Tosse seca persistente: como manejar na APS?

Compartilhar
Imagem de perfil de Sanar Pós Graduação

Saiba como manejar a tosse seca persistente na APS com base nas causas! Boa leitura!

A tosse seca é uma manifestação muito incômoda que pode ser decorrente de uma série de causas bases. Sendo ela uma tosse seca persistente, torna-se uma das maiores causas de busca pela Atenção Primária à Saúde.

Quais são os principais pontos sobre a tosse seca persistente?

A tosse seca é uma expulsão ruidosa forçada dos pulmões ou vias aéreas superiores. Como comentado, uma das maiores queixas em consultórios e no ambiente de Atenção Primária de Saúde.

Devido a muitas posíveis causas bases, há chances de essa tosse seca evoluir para uma tosse produtiva.

Quanto às complicações de uma tosse persistente, considerando a causa base, podem ser:

  • Colapso de vias aéreas;
  • Atelectasia;
  • Hipóxia;
  • Fratura de costelas;
  • Hemorragia conjuntival;
  • Rompimento de aneurismas.

É importante que essas complicações sejam muito bem explicadas ao paciente. Isso porque, apesar de existirem e merecerem atenção do médico, são mais comuns na presença de infecções das vias respiratórias.

Alergia respiratória e a tosse persistente

As alergias respiratórias, em muitos casos, se manifestam com uma tosse seca persistente.

Devido ao contato com alérgenos, como poeira, pelo de animais, produtos de limpeza ou perfumes a reação exacerbada ao conteúdo é iniciada. Além disso, essa manifestação costuma ser mais comum em determinadas épocas do ano, como outono/inverno, e sensíveis às mudanças de temperatura.

Como resultado isso, a tosse persistente e seca é deflagrada como um mecanismo de defesa, que possui características emblemáticas.

Pensando nisso, características comuns da tosse alérgica são:

  • Associada à irritação da garganta;
  • A tosse acontece ao longo de todo o dia;
  • Piora durante à noite.

Quanto a duração dos episódios, entende-se que a tosse aguda alérgica pode durar por até 3 semanas. Já considerando a tosse subaguda, de 3 a 8 semanas e a crônica mais de 8 semanas.

Como manejar a alergia respiratória?

É importante, antes de tudo, entender quais são os agentes que provocam a tosse persistente no paciente.

Com isso, através de uma anamnese muito bem colhida, entende-se que, a depender dos mecanismos envolvidos, se trata de uma tosse alérgica.

A partir disso, é importante orientar o paciente a evitar o contato com os gatilhos da alergia.

È comum que, associada à alergia, esteja presente rinite ou sinusite, merecendo investigar sintomas que possam também estar afetando o seu paciente.

Por fim, questionando o paciente sobre possíveis alergias medicamentosas, a prescrição de medicamentos anti-histamínicos para o alívio dos sintomas.

Assim sendo, é válido que o médico explique brevemente ao paciente o mecanismo de ação e que ele não o isenta de se abster do contato com os gatilhos da alergia.

Tabagismo com manifestações da tosse persistente

Segundo o Ministério da Saúde, o risco de doenças das VAS aumenta exponencialmente na presença do tabaco quando comparada à exposição de outros agentes químicos.

A partir do uso do tabaco por um tempo prolongado, as suspeitas diagnósticas para a tosse seca associada ao tabaco podem incluir:

Manejando a tosse persistente associada ao tabagismo

Pensando no paciente com enfisema pulmonar, é importante ofertar broncodilatadores, anti-inflamatórios corticoesteróides, terapia com oxigênio. Em casos graves, é possível pensar em um transplante pulmonar.

Para a bronquite crônica, antitussígenos, medicamentos inalatórios broncodilatadores e a fisioterapia respiratória mostram-se úteis no seu tratamento.

Considerando o manejo do paciente em DPOC, o ideal é evitar a hipóxia tecidual e reverter a hipercapnia e acidose. Para isso, o paciente deverá ter um fornecimento de oxigênio suplementar, reduzindo a vasoconstrição pulmonar.

Além disso, devem ser prescritos broncodilatadores, como o Formoterol e o Salbutamol Spray, β2-agonistas.

Apesar disso, a medida mais importante a ser tomada é orientar o paciente a parar de fumar. Para isso, devem ser indicadas medidas que colaborem com o processo, bem como fornecer suporte psicoterapêutico.

Tosse seca persistente
Parar de fumar é a medida mais incentivada para pacientes com tosse persistente. Fonte: Ministério da Saúde.

Distúrbio do refluxo gastroesofágico (DGRE) e a tosse persistente

A tosse seca persistente é um sintoma comum em pacientes com a doença do refluxo gastroesofágico. (DGRE).

Essa manifestação costuma acontecer quando o refluxo é suficiente para afetar a mucosa da laringe e traqueia, levando à irritação e à tosse. Juntamente à tosse, os pacientes com refluxo podem descrever um quadro de rouquidão e dor na garganta.

Quanto à tosse, especificamente, costuma ocorrer logo após as refeições, quando a presença de ácido clorídrico no estômago se torna mais intensa. À noite, ao dormir, a tosse também pode ser mais intensa.

O que fazer pelo paciente com o DGRE e tosse persistente?

Como a tosse seca persistente é um sintoma da DRGE, o principal é que a causa base seja tratada. Assim sendo, as medidas que aliviarão a tosse nesses pacientes incluem o tratamento para o próprio refluxo.

As medidas de cuidados com o refluxo é comportamental, sobretudo. Com isso, elas devem ser individualizadas para cada paciente, na medida em que se orienta sobre hábitos de vida e alimentares.

É importante que o paciente, caso esteja em sobrepeso, seja orientado a redução ponderal por dieta, sendo explicada a importância dessa mudança de vida. Além disso, quanto à alimentação, deve-se evitar alimentos com ricos em gordura, condimentos ou cítricos.

Outra bebida muito comum na cultura brasileira é o café, que deve ser ingerido com moderação pelo paciente com DGRE ou, até mesmo, suspenso. Assim como ele, alimentos como chocolate, bebidas gaseificadas e alcoólicas devem ser ponderadas.

Por fim, uma orientação fundamental ao paciente com DGRE evite refeições próximas ao deitar, especialmente à noite. Esse comportamento favorece o retorno do conteúdo gástrico para próximo da valva cárdia estomacal, proporcionando a tosse seca incômoda.

Assim, é recomendado que o paciente realize suas refeições cerca de duas horas antes de se deitar.

Medidas que podem aliviar a tosse seca persistente do seu paciente

É possível que a tosse seca não seja sanada em um curto período de tempo. Contando com isso, o paciente deverá lidar com o incômodo da presença desse sintomas.

Pensando nisso, oferecer orientações que, pelo menos, amenizem a tosse podem ser cruciais durante o tratamento da causa base da doença. Algumas medidas incluem:

  • Ingestão hídrica aumentada.
    • Essa medida leva à lubrificação das vias aéreas superiores, tornando-as menos irritativas.
  • Evitar fontes ambientes muito secos, como refrigerados por ar condicionado, por exemplo;
  • Usar um umidificador de ambientes. Caso não haja, pode-se usar uma toalha molhada ou bacia;
  • Dormir com um travesseiro mais alto;
  • Tomar chás ou infusões mornas, com mel e canela, para diminuir a irritação na garganta;

Posts relacionados

Perguntas frequentes

  1. A tosse seca persistente é um sintoma de quais possíveis condições base?
    Pode estar relacionado à uma variedade de doenças, como as tosses alérgicas, bem como o tabagismo e o DRGE.
  2. Na presença do tabagismo, a tosse seca persistente tem qual principal indicação de tratamento?
    Em condições como bronquite crônica, enfisema pulmonar e DPOC o principal é incentivar o paciente a cessar o hábito do fumo.
  3. Quando associada ao DRGE, a tosse seca tem uma repercussão significativa?
    Sim. Cerca de 20% dos brasileiros possuem refluxo gastroesofágico, o que favorece que a tosse seca seja manifestada.

Referências

  • Approach to chronic cough. Anne B Chang, MBBS. UpToDate
  • Manifestações extra-esofágicas da doença do refluxo gastroesofágico. Richard Ricachenevski Gurski. Scielo.