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Tudo que preciso saber para mandar bem no internato de ginecologia e obstetrícia

Tudo que preciso saber para mandar bem no internato de ginecologia e obstetrícia

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Você sabe o que esperar e como se preparar para o internato de ginecologia e obstetrícia? Acesse o texto e saiba como mandar bem!

A expectativa do internato de ginecologia e obstetrícia é alta por parte dos internos. Independente da afinidade pela área, é curiosidade da maioria dos alunos em realizar um parto. Porém, essa é apenas uma das competências que o aluno vai aprender e colocar em prática nesse período.

Existem muitas outras, que vai desde o acompanhamento de mulher não grávidas, às que querem engravidar e depois do parto. E, por parte da ginecologia, cuidar do aparelho reprodutor feminino a fim de diagnosticar, evitar e tratar as principais doenças que acometem mulheres.

Pensando em te ajudar a se preparar melhor para o internato de ginecologia e obstetrícia, a Sanar planejou algumas dicas para você! Continue a leitura e confira.

Como agir no internato de ginecologia e obstetrícia

Saber os conteúdos, condutas e manejo é de grande importância. Porém, saber lidar com os pacientes é algo que pouco se ensina na faculdade de medicina e faz toda a diferença para o êxito da consulta médica.

Tanto na ginecologia, como na obstetrícia, a mulher paciente está em uma situação não muito confortável. Os exames físicos costumam ser invasivos, as perguntas nas consultas também acabam questionando muito a intimidade da pessoa.

Por isso, é muito importante que o estudante que esteja atendendo tente criar ao máximo uma relação com aquela paciente. Nunca deve vulgar e nem expressar juízo de valor sobre o que lhe é informado ao momento da consulta.

Além disso, ao realizar o exame físico, sempre lembrar de pedir licença, explicar o que vai fazer, cobrir as partes do corpo à medida que os exames forem sendo feitos. Ou seja, criando medidas para deixar a paciente o mais confortável possível no momento da consulta.

A rotina do estudante no internato de ginecologia e obstetrícia

Como já falamos, o parto é apenas uma das atividades que o estudante de medicina vai realizar durante seu internado de ginecologia e obstetrícia.Além das aulas teóricas sobre os assuntos, terá plantões na maternidade, atendimento em ambulatório e enfermarias.

Assim, será necessário que o estudante tenha capacidade de realizar anamnese, diagnóstico clínico, laboratorial, radiológico e ecográfico das principais patologias clínicas e cirúrgicas ginecológicas obstétricas.

Vai ainda ser necessário aprender e realizar parto normal, fazer toque para diagnóstico de trabalho de parto ou abortamento, fazer e interpretar cardiotocografia basal e intra-parto.

Esse estudante deve saber conduzir um pré-natal de baixo risco, saber sobre as diretrizes de prevenção de HIV e sífilis na gestação, cuidar de mulheres com sangramento e outras hemorragias, entre outras competências.

História clínica

Tudo que você fizer em medicina, não importa a área, especialidade ou lugar, você tem que saber fazer uma boa coleta de história clínica.

A base da anamnese é sempre uma só, que você já está acostumado a fazer desde o início do seu ciclo clínico, entretanto, existem algumas especificidades e perguntas que não podem deixar de serem feitas em cada área especifica.

Anamnese ginecológica

No interrogatório sistêmico, questionar mais a fundo sobre os sinais e sintomas do sistema gênito-urinário:

  • Prurido;
  • Corrimento (cor, odor, frequência, quantidade, textura);
  • Dispareunia;
  • Secreção;
  • Lesões;
  • Diminuição da libido;
  • Sangramento entre os ciclos menstruais ou após o ato sexual.

É importante fazer alguns questionamentos mais específicos sobre os antecedentes pessoais fisiológicos, questionando sobre:

  • Menarca;
  • Ciclo menstrual (fluxo, regularidade, tempo de duração, presença ou não de dismenorreia e a data da última menstruação);
  • Menopausa, seus sintomas e uso de terapia de reposição hormonal;
  • Atividade sexual;
  • Gestação, parto e aborto;
  • Uso de preservativos e contraceptivos;
  • Orientação sexual;
  • Se tem parceiro fixo ou não.

Deve-se ainda questionar sobre diagnóstico prévio de alguma patologia e de doenças sexualmente transmissíveis. Saber sobre a rotina de realização de exames preventivos e o conhecimento dos resultados desses exames.

Anamnese obstétrica

Caso a paciente que procure a consulta esteja grávida ou desejando engravidar, é importante questionar tudo que foi falado acima e mais:

  • Doenças anteriores e atuais;
  • Uso de fármacos;
  • Uso de álcool, drogas ilícitas e cigarros;
  • Atividade física ou sedentarismo;
  • História família de doenças.

Caso a paciente esteja grávida, questione também se existe presença de sinais e sintomas como sangramento vaginal, perda de líquido, cefaleia, edemas e qualquer outra alteração que ela possa ter percebido.

É importantíssimo questionar a história obstétrica dessa paciente caso ela já tenha gestado alguma vez. Deve-se assim, perguntar sobre quantas gestações já teve, como foram os partos, se tive algum aborto (se sim, em qual semana de gestação, se induzido ou espontâneo), se teve alguma complicação como diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, malformação congênitas, feto natimorto.

Orientação sobre o pré-natal

É importante que a gestante tenha orientação de como realizar seu acompanhamento pré-natal. A consulta inicial se da entre a 6ª e a 8ª semana. Posteriormente a isso, deve ser realizada consultas de acompanhamento que ocorrem da seguinte forma:

  • Até a 28ª semana, intervalos de 4 semanas de cada consulta;
  • Entre a 28ª e 36ª semanas, intervalos de 2 semanas;
  • De 36ª até o parto, semanalmente.

Exame físico no internato de ginecologia e obstetrícia

O exame clínico sempre te ajuda a investigar sinais que possam construir e colaborar para as suspeitas diagnósticas.

Exames da ginecologia no internato de ginecologia e obstetrícia

Devemos avaliar as mamas, abdome e pelve.

Mama

A avaliação dos sistemas reprodutor e urinário, além das mamas, é realizada em pacientes do sexo feminino ou transgênero.

Deve-se iniciar pelas mamas. A paciente pode estar em pé ou sentada, com os braços ao redor do corpo ou com os braços apoiados na cabeça. Faz-se a inspeção e a palpação, a fim de observa:

  • Simetria;
  • Como se encontra a pele que recobre a mama;
  • Forma e posição dos mamilos;
  • Achados de massas, nódulos, ou alguma alteração registrando a localização, tamanho, consistência, limites e mobilidade.

No momento da palpação é importante continuar a avaliação pelas axilas e região supraclavicular também.

Abdome

No abdome devemos realizar a inspeção, ausculta, percussão e palpação.

Leia nosso texto sobre o assunto e fique por dentro da semiologia do abdominal:  Resumo de Semiologia Abdominal: inspeção, palpação, percussão e mais.

Pelve

Nesse momento é importante que a paciente esteja com a bexiga vazia. Deve-se usar uma mesa de exame ginecológico que contenham perneiras para que a paciente, em decúbito dorsal, consiga apoiar seus pés. O interno deve usar luvas.

O exame começa com a inspeção dos órgãos externos: monte pubiano, grandes lábios, pequenos lábios, períneo e região perianal. Deve-se observar a simetria das estruturas, presença de lesões, tumorações, pele da região.

Posteriormente existem alguns exames que devem ser realizados como avaliação de prolapsos genitais caso a paciente tenha queixas pertinentes e o exame pélvico bimanual. Este é a melhor maneira de se ter uma “visão” melhor da pelve da mulher, ajudando a identificar algum problema que essa mulher venha a ter.

Exames na obstetrícia

É importante fazer um acompanhamento do peso, IMC, pressão dessa futura mãe. Deve-se ainda fazer o exame pélvico bimanual e especular a fim de verificar presença de lesões ou corrimento e observar consistência do colo.

É importante também avaliar a no tamanho uterino, batimentos cardíacos fetais. Deve-se ainda observar se tem algum sangramento ocorrendo ou perda de algum líquido.

É importante orientar o pré-natal

Exames complementares solicitados no internato de ginecologia e obstetrícia

Alguns exames complementares podem ser solicitados:

Na ginecologia:

  • Citologia oncótica ou Papanicolau;
  • Colposcopia, teste de Schiller e teste do ácido acético;
  • Hemograma;
  • Sorologias para HIV, hepatites, sífilis;
  • Glicemia de jejum;
  • USG transvaginal;
  • USG de mama.

Na obstetrícia:

  • Hemograma;
  • Tipagem sanguínea e níveis de anticorpos Rho(D) – 26-28ª semana de gestação;
  • Sorologia para hepatite B, HIV, sífilis;
  • Imunidade contra rubéola e varicela;
  • Sumário de urina;
  • USG pélvica;
  • Glicose em jejum e triagem para diabetes – 24-28ª semana, sendo mais precoce em mulheres de alto risco.

Patologias e assuntos mais prevalentes no internato de ginecologia e obstetrícia

A ginecologia e obstetrícia é um mundo. Existem muitos assuntos, particularidades e doenças. Aos poucos é possível ir se familiarizando e adquirindo o conhecimento necessário para se tornar um médico melhor.

Entretanto, existem alguns conteúdos que são necessários todo médico generalista e clínico saber, bem como o interno que estiver rodando nesse rodízio. São eles:

Assim, vale a leitura e o estudo dessas patologias a fim de conhecer como se maneja o quadro.

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Sugestão de leitura complementar

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Referências

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Exame preventivo do câncer de colo uterino (Papanicolau). Acesso em 20 de maio de 2021.
  2. BEREK, J. S. Berek & Novak – Tratado de ginecologia, 15ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
  3. MARTINS, M. A. et al. Semiologia Clínica. 1ed, Santana de Parnaíba (SP): Manole, 2021.
  4. MONTENEGRO, C. A. B.; REZENDE, J. Rezende – Obstetrícia fundamental, 13ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.