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Tudo que preciso saber para mandar bem no internato de psiquiatria

Tudo que preciso saber para mandar bem no internato de psiquiatria

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Muitos alunos não sabem o que esperar do internato de psiquiatria. Leia o texto e fique por dentro do que você precisa saber sobre o assunto.

A psiquiatria é a área da medicina que lida diretamente no diagnóstico, tratamento e reabilitação de transtornos mentais e de comportamentos. O psiquiatra, médico clínico geral, residente, interno e estudante do ciclo clínico, precisa dominar algumas patologias mais comuns dessa especialidade e, ainda, precisa saber como agir na prática médica.

Como agir no internato de psiquiatria

Antes de qualquer coisa, é preciso saber como se portar no ambiente de atendimento psiquiátrico, seja ela em hospital, Centro de Atenção Psicossocial – CAPS, manicômio, clínicas de tratamento, entre outros.

Como todas as áreas da medicina, o profissional deve ser isento de julgamentos. No internato de psiquiatria, o estudante se deparará com muitas confissões, delírios, atitudes que jamais poderia imaginar. Então, é preciso não apresentar juízo de valor sobre o que lhes é apresentado.

É preciso ainda ter uma expressão inicialmente neutra, sem expressar muitas reações até entender quem é aquele paciente que está na sua frente. Alguns possuem mania de perseguição e se você o observar diferente, pode já romper um vínculo e dificultar todo o tratamento. Outros vão necessitar que você acompanhe o seu humor, sua característica. Além disso, evite também olhar diretamente no olho do paciente nesse primeiro momento.

O tom de voz deve ser calmo, baixo e empático. É importante demonstrar interesse pelo que a pessoa está falando e não se deve confrontar as informações que estão sendo dadas.

Uma característica que o interno deve desenvolver é de ser bom observador. Deve saber analisar tanto a oratória, como jeito, estilo, forma de se vestir, pintar unha, uso de objetos, etc. Porém, isso deve ser feito da forma mais discreta possível.

Anamnese psiquiátrica no internato de psiquiatria

O objetivo da entrevista é a formulação diagnóstica, de prognóstico e de planejamento terapêutico. Nela, é onde o interno e/ou profissional vai criar o vínculo com o paciente.

Como você sabe, quase nunca o paciente vai falar na ordem que a gente deseja e nem mesmo dizer todas as informações que se precisa com uma única pergunta. Então, é importante seguir algumas sugestões:

  • Deixe o paciente falar livremente no primeiro momento e depois pergunte especificamente o que necessita;
  • Saiba quando interromper o paciente, sem cortar o raciocínio dele;
  • Evite perguntar abertas, amplas e de resposta sim e não;
  • Sempre que o paciente falar termos como “nervoso”, “deprimido”, etc, questione o que isso significa para ele.

A estrutura da anamnese psiquiátrica é bem parecida com o aluno está bastante habituado a realizar:

  • Identificação;
  • Queixa principal;
  • Motivo do atendimento;
  • História do doença atual, patológica pregressa, fisiológica, pessoal (personalidade, infância, adolescência, sexualidade…), social, familiar.

Exame psíquico

No internato, o aluno já chega dominando a anamnese e o exame clínico geral. Porém, para o internato de psiquiatria, é preciso dominar ainda o exame psíquico. Este pode ser chamado de exame mental, exame psicopatológico, exame psiquiátrico e exame do estado mental.

O exame psíquico é o que comparamos com o exame físico. Na avaliação psiquiátrica, o que é relatado pelo paciente deve ser incluído na anamnese, enquanto o que é observado pelo examinador representa o exame psíquico.

Ele pode ser divido didaticamente em algumas partes:

  1. Coleta de dados sociodemográficos, histórico de saúde e biografia do paciente;
  2. Exame do Estado Mental:
    1.  Deve-se realizar uma avaliação geral da pessoa: analisando a aparência, postura e atitudes, sentimento, biotipo, volição, juízo de realizade.
    1. Deve-se ainda realizar o exame das funções mentais: analisando a consciência, orientação, atenção, memória, inteligência, pensamento, linguagem, sensopercepção, humor, afeto, psicomotricidade.
  3. Avaliação de funções psicofisiológicas.

Para te ajudar a relembrar como deve ser feito o exame psíquico, acesse nosso Guia para realização do exame psíquico na psiquiatria.

Ao final do exame, é importante escrever a súmula psicopatológica, onde o interno e/ou médico deve fazer um resumo do que foi encontrado no exame psíquico.

Exames complementares no internato de psiquiatria

Os exames complementares auxiliam em muitas formulações diagnósticas. Entretanto, em psiquiatria, quase nunca é necessário a solicitação de exames.

Segue abaixo a lista de alguns exames que podem ser solicitados e que o interno de medicina precisa saber analisar. Logo, vale a pena estudá-los previamente. São eles:

  • Hemograma;
  • Bioquímica sanguínea;
  • Sorologia para sífilis;
  • Exame do líquor;
  • Neuroimagem cerebral;
  • Eletroencefalografia;
  • Estudos genéticos;
  • Dosagens hormonais;
  • Testagem neuropsicológica e psicodiagnóstico.

Cuidado ao abordar paciente agitado no internato de psiquiatria

Outra dica que temos aqui para vocês interno é: como abordar um paciente agitado. Sabemos que esse é um dos medos que os alunos têm ao longo do rodízio de psiquiatria.

No caso desse tipo de paciente, é preciso ter alguns cuidados. Incialmente o entrevistador deve se manter em um ambiente com saída fácil. Deve ainda manter distância segura de aproximadamente 1 metro.

O médico e/ou interno deve ter um tom de voz calmo, baixo. Não deve confrontar esse paciente e deve estar bastante atento aos sinais de agressividade que ele apresentar.

Caso esse paciente não se acalme ao longo da conversa, será necessário a contenção física. Nesse momento será necessário chamar a ajuda de 5 pessoas para ficarem ao redor do paciente e, caso haja necessidade, no comando do médico, cada um segurará um membro e a cabeça. Deve-se colocar esse paciente em maca fica e em uso de faixas de contenção até ser utilizado algum medicamento para acalmá-lo.

Tratamento

Existem algumas classe de medicamentos que os psiquiatras usam na sua rotina. Os principais são:

É preciso também que o interno em psiquiatria domine a posologia, indicação, mecanismo de ação, farmacocinética e farmacodinâmica de cada um deles.

Psicofármacos: principais classes e usos na clínica

Patologias mais comuns na rotina da psiquiatria

Sabemos que o mundo da psiquiatria é muito amplo. O interno se deparará com muitas patologias e doenças que precisará ir estudando ao longo do internato. Entretanto, algumas delas são bastante recorrentes e devem ser estudadas antes, proporcionando preparo na condução dos casos. São elas:

Temos ainda algumas emergências psiquiátricas que são de extrema importância saber como manejar o quadro com rapidez e assertividade. Para isso, sugerimos que leia nosso texto Emergências psiquiátricas: como manejar?.

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Sugestão de leitura complementar

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Referências

  1. CHENIAUX JUNIOR, E. Manual de psicopatologia. 5.ed – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015.
  2. HERRMANN, A. P.; PIATO, A.; LINCK, V. M. Descomplicando a Psicofarmacologia: Psicofármacos de Uso Clínico e Recreacional. 1ª ed. São Paulo: Blucher, 2021.