Residência Médica

Rotina da residência de Dermatologia

Rotina da residência de Dermatologia

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Sanar Residência Médica

11 minhá 138 dias

A residência em Dermatologia demanda muito tempo de estudo e, principalmente, de atuação. Afinal, não se pode esperar menos da especialidade que cuida do maior órgão humano, a pele. 

O Brasil possui 8.317 dermatologistas (2,2% de todas as especialidades). A residência em Dermatologia é a primeira opção para 5,2% dos recém-formados em Medicina. 647 médicos eram residentes da especialidade, que possuía 831 vagas autorizadas. Os dados são da Demografia Médica no Brasil 2018, do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Quem vai falar mais sobre a residência de Dermatologia para você são as médicas Nandara Cristina Paiva, que concluiu a residência em 2019 na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), e Ivana Diniz Lírio, que por sua vez finaliza a residência em fevereiro de 2021, no Hospital Sírio-Libanês, na cidade de São Paulo.

São muitas coisas que você precisa saber antes de escolher a residência em Dermatologia. Portanto, veja todos os detalhes para escolher bem a sua especialidade!

Por que escolher a residência em Dermatologia?

Nandara fez a graduação em Medicina na UERJ e, por gostar da instituição, fez a especialização no mesmo lugar. O sistema de cotas da UERJ foi outro diferencial para a escolha de onde fazer a residência. Em relação à Dermatologia em si, foi no último ano da graduação que ela se interessou pela especialidade. “Quando vi os professores dando diagnósticos de doenças de pele, vi que gostaria de fazer o mesmo. Foi em um diagnóstico de lúpus dado por um professor por meio da pele do paciente que percebi como queria seguir para Dermatologia”, afirma.

Um aspecto importante para a médica dermatologista é sentir-se útil por meio dos conhecimentos adquiridos na especialidade. “O que me fez gostar de atuar sobre lesões de pele e queda de cabelo é que esses e outros problemas de pele trazem estigmas e podem abalar a autoestima das pessoas. Me sinto muito bem em tratar essas lesões e levar alívio aos pacientes”, conta.

Ivana graduou-se na Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública e preferiu Dermatologia em vez de Pediatria. A escolha aconteceu no último ano, diante da rotina diversificada da especialidade, que lida com diferentes doenças também. O Sírio-Libanês foi escolhido por ser uma instituição reconhecida, após conversas com professores. “Mesmo a residência sendo nova, não tive medo de fazer”, afirma.

Como a residência é dividida 

A residência em Dermatologia tem duração de três anos e carga horária de 60 horas semanais. O acesso, por sua vez, é direto e o título é obtido após aprovação em exame teórico-prático da instituição do residente (que, por sua vez, deve estar credenciada junto à Sociedade Brasileira de Dermatologia).

A Matriz de Competências definida pela Comissão Nacional de Residência Médica divide os três anos de Dermatologia da seguinte maneira:

  • R1: conhecimento teórico-prático com fundamentos e princípios da Dermatologia, além de familiarização com ferramentas e métodos clínicos, treinamento para manejo clínico e cirúrgico de doenças cutâneo-mucosas, anexos e fâneros prevalentes. Domínio de embriologia, estrutura, funções e relação da pele com órgãos internos, domínio de bases da imunologia e biologia molecular, entre outras;
  • R2: consolidação de conhecimentos e atitudes no exercício da Dermatologia, com aumento da complexidade do treinamento e acréscimo de novos conhecimentos e habilidades, com destaque para realização de pronto-atendimentos, técnicas de biópsias cutâneas, diagnóstico, tratamento e orientações de medidas preventivas para doenças prevalentes em ambulatórios, atendimento a internados e atendimento cosmiátrico básico e intermediário, entre outras;
  • R3: indicação das terapêuticas medicamentosa, física e cirúrgica das doenças dermatológicas genéticas, inflamatórias (infecciosas e não infecciosas) e neoplásicas, suas eficácias, segurança e custo, domínio de aparelhos para tratamentos físicos como crioterapia e fototerapia, exames dermatoscópicos, análise em micologia, em dermatopatologia e em tricologia, indicações dos tratamentos mais complexos em dermatologia, como o uso de agentes imunossupressores, terapias alvo e imunobiológicos, entre outras.

Leia também: As melhores residências em Dermatologia

“O R1 a atuação era basicamente em Clínica Médica, com passagens em reumatologia, endocrinologia, infectologia, hematologia e outras. Principalmente para verificar as alterações de pele relacionadas à doenças dessas especialidades”, lembra Nandara.

Na sequência, o segundo ano foi um diferencial para a especialista. “No R2, vi Cirurgia Dermatológica e também atuei no ambulatório de dermatopediatria. Foi o ano em que, de fato, entrei de verdade na Dermatologia, pois mudou muito a minha cabeça. Foi quando aprendi a olhar as pessoas ‘com a mão’, tocando nos pacientes”, diz. O R3 também teve atuação em ambulatórios, cirurgias e também cosmiatria, mais voltada a estética.

Ivana também passou por Clínica Médica, Reumatologia, Infectologia e também Nefrologia no primeiro ano. No R2, viu dermatologia geral em consultas e atuou em pequenos procedimentos e enfermaria. “No R3, estou vendo mais especialidades, além de cirurgias maiores, e também dermatopediatria”, revela.

Alinhando as principais expectativas

“Tinha expectativas de que daria diagnóstico em absolutamente todas as doenças de pele só de olhar”, diz Nandara. Apesar da alta expectativa, ela conta que hoje, de fato, tem uma capacidade de diagnóstico maior do que imaginaria. 

“Fiquei surpresa ao fazer muitos diagnósticos de forma mais rápida. Muito porque tenho segurança nisso. Tudo o que vi na residência era mais sério e raro do que na rotina médica e, dessa forma, você se prepara mais para a realidade”, analisa.

“Gosto muito da rotina do dia a dia”, conta Ivana, que esperava mesmo que fosse gostar da residência. “Acho também que a Dermatologia traz muitos campos de atuação e você pode se direcionar mais para, por exemplo, cirurgia, clínica, cosmiatria”, diz.

O melhor da residência em Dermatologia

Nandara Paiva é enfática ao elencar o que foi melhor na residência em Dermatologia: “a melhor parte foi ter certeza de que eu estava aprendendo, e com professores muito bons. Também atuei no sistema público e aprendi bastante atendendo à população”.

Hoje ela atua em consultório, mas afirma que ter passado por hospitais públicos fez diferença. “Me deu um olhar mais justo sobre as pessoas, para me fazer dar o meu melhor e dar a todos a chance de ter a pele boa, sem precisar gastar milhões de reais. Como dermatologista, posso democratizar os tratamentos de pele”, comenta. Outro aspecto positivo para ela foi passar um mês em estágio no Hollywood Dermatology, em Miami (EUA).

Ivana tem uma opinião similar em relação ao melhor da residência em Dermatologia. “Podemos resolver o problema de um paciente até mesmo sem exame, só olhando. Isso é muito importante, pois em uma primeira consulta podemos resolver doenças que estão diminuindo a qualidade de vida do paciente”.

Além disso, ela diz que sua residência no Sírio-Libanês traz a vantagem de fazer exames, obter resultados rápidos e ter acompanhamento próximo da equipe. “O staff é bem acessível e eles acompanham de perto nosso desenvolvimento”, conta.

O mais difícil 

Uma rotina que envolve trabalho e residência foi a parte mais difícil para Nandara. “Eu trabalhava muito, emendava plantões, então era difícil ter pique para estudar e fazer artigos. Se eu pudesse, teria feito apenas a residência, sem assumir outras responsabilidades”.

Já Ivana afirma que “a principal dificuldade é a cosmiatria. Afinal, existe concorrência de outras especialidades por causa de procedimentos feitos por profissionais que não são dermatologistas. Isso é complicado”, diz.

Expectativa de trabalho e emprego

Quando falamos no mercado de trabalho para Dermatologia, o especialista pode atuar em áreas como Cirurgia, Cosmiatria, Hansenologia, Oncologia Cutânea, Dermatopediatria, entre outras. É possível atuar com vinculação a hospitais e instituições de ensino por meio de indicações ou concursos. Porém, nesse último caso a frequência de certames é menor. Ainda é possível atuar em domicílio ou hospitais.

A rotina principal na Dermatologia é em ambulatório, que permite estabelecer horários próprios. Porém demanda um bom volume de pacientes para gerar renda. Também é possível atuar em procedimentos cirúrgicos de pequena complexidade. 

Para uma carga horária de 14 horas semanais, a média salarial é de R$ 4.358,23, de acordo com o site Salário.com.br, que usa dados oficiais do Novo CAGED, eSocial e Empregador Web. O valor pode variar de acordo com região de atuação, tempo de experiência etc.

Nandara conta que, no começo, o ritmo de trabalho é puxado. Principalmente porque é preciso trabalhar com muitas consultas em clínicas até o profissional ter condições de ir para o seu consultório próprio. Ao mesmo tempo, fazer concursos ou atuar em grandes hospitais é mais difícil. Apesar disso, “o mercado é muito bom. Áreas como implante capilar, unha e harmonização têm grande potencial”, diz.

Ela fez subespecialização em Laser “porque não vi tanto cosmiatria na residência e é uma tecnologia difícil, ainda mais para uso em pele negra. Por isso, quis aprender para ganhar confiança, e faria também especialização em doenças do couro cabeludo”, revela. Por fim, a médica também recebe mentoria da Skin of Color Society, que atua na dermatologia com foco na pele da população negra.

Ivana ainda não escolheu uma subespecialidade e atua de forma exclusiva na residência. “Quem conheço que já terminou Dermatologia, já está no mercado, mesmo que com um salário inicial ainda baixo. Por isso, continuam dando plantão. Porém, o mercado tem boas possibilidades”, afirma.

Conclusão sobre a rotina da residência em Dermatologia

Ivana Lírio diz que é importante conhecer a especialidade, seja em estágio na faculdade ou em conversa com professores. Além disso, para ela todo o esforço para passar na prova de residência e para fazer a especialidade compensa. “Conheça bem a especialidade, não fique com medo da concorrência e estude, que vai dar certo”, afirma.

“A residência em Dermatologia me deu segurança em diagnósticos. Me deu confiança e me deixou mais próxima da população. Afinal, todo mundo precisa ou vai precisar de um dermatologista”, diz Nandara Paiva.

Ela recomenda que quem pretende fazer a residência em Dermatologia não entre apenas por estética, mas também para diagnóstico, tratamento de doenças e a relação de outras doenças com a pele. 

“É uma formação acadêmica muito boa, mas é preciso ter proximidade com todos esses pontos. Pois as consequências de um mau diagnóstico por doença de pele podem ser graves para a vida de uma pessoa. A pele é o cartão de visitas de alguém, o dermatologista é quem olha para a pele, e me sinto muito honrada de fazer isso”, finaliza.

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