Residência Médica

Rotina na residência de Cardiologia

Rotina na residência de Cardiologia

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Sanar Residência Médica

8 min há 238 dias

Conhecer a rotina da residência de Cardiologia é muito importante para escolher essa especialidade com segurança. Isso porque é uma residência que exige dedicação e muitos anos de estudo.

Cardiologia é a 8ª especialidade com mais profissionais, que somavam 15.516 em 2018 (4,1% do total de especialistas), informa a Demografia Médica no Brasil 2018, do Conselho Federal de Medicina (CFM). O mesmo estudo indica que 1.073 médicos cursavam essa residência médica, que é a primeira opção para 3,1% dos recém-formados. Por fim, a Cardiologia possuía 2.133 vagas autorizadas na mesma época.

Quem vai contar agora como é a rotina da residência em Cardiologia é Leonardo Sanches, que termina a especialidade em fevereiro de 2021 na Santa Casa da Bahia, em Salvador.

A instituição foi escolhida tanto porque foi onde ele fez Clínica Médica (requisito para Cardiologia) quanto por que o Hospital Santa Izabel é referência na área e participa de estudos com outras instituições ao redor do mundo.

“Além disso, apesar de ser um hospital particular, a residência acontece no SUS, com todo o acesso à tecnologia e com bom fluxo de pacientes. Ou seja: você tem tudo de melhor do sistema privado e do sistema público”, opina.

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São muitas coisas que você não pode deixar de saber ao escolher a sua residência em Cardiologia. Então leia mais e veja como escolher bem a sua especialidade!

Como a residência é dividida

A residência de Cardiologia dura dois anos e tem carga horária de 60 horas semanais. A divisão das competências ocorre da seguinte maneira: Unidade de internação (30% da carga horária anual), ambulatório (20%), urgência e emergência (15%), métodos diagnósticos não invasivos e hemodinâmica (5%), e UTI, incluindo unidade coronariana (10%). Além disso, pós-operatório de Cirurgia Cardiovascular e Cardiologia Pediátrica são estágios obrigatórios. Por fim, entram atuações com instalações e equipamentos, hemodinâmica diagnóstica e terapêutica, marca-passo e outras.

No R1, “Fiz o trabalho mais ‘burocrático’ em enfermarias e UTIs, além de enfermaria ou hemodinâmica”, conta Leonardo. Já no segundo ano, ele passou por departamentos de imagem, ressonância, teste ergométrico e atuou em enfermaria de forma mais consultiva. Ao mesmo tempo, sua atuação aprofundou-se em arritmia, UTI e UTI cirúrgica de pós-operatórios, por exemplo.

Alinhando as principais expectativas

Uma das expectativas de Leonardo era ter um relacionamento próximo com pessoas, e esse foi um dos motivos que o fez escolher a especialidade. “Grande parte dos pacientes têm o cardiologista como o seu médico pessoal. Quando você pergunta ao paciente ‘para quem você liga quando tem um problema?’, muita gente indica o cardiologista”, afirma. Além disso, a especialidade “é a área mais intervencionista da Clínica Médica em relação a estudos com a qual lidei, e isso só se confirmou na residência de Cardiologia”, diz.

Porém, “é um caminho longo, é uma residência puxada como qualquer outra. Roda em UTI, emergência cardiológica, enfermarias, ambulatórios, modalidade hemodinâmica e muito mais”, complementa Leonardo.

O melhor da residência em Cardiologia

“Você pode seguir vários caminhos”, responde Leonardo sobre o melhor da residência de Cardiologia. “É possível clinicar, fazer hemodinâmica, ir para arritmias para implantar marca-passo, fazer teste ergométrico como ergoespirometria, então a área é muito ampla”, diz.

Além disso, “a melhor coisa que vi na residência de Cardiologia foi que os tratamentos são efetivos. Você pode pegar um paciente que está muito ruim e deixar ele muito bem. Apesar das exceções, existem muitos casos em que pacientes jovens, debilitados com uma doença de válvula em que é preciso trocá-la, por exemplo, e o paciente fica bem. Ou mesmo pacientes com dores de infarto, que demandam ação naquele momento (caso contrário, terão sequelas ou podem falecer), e você entra com todo o arsenal da Cardiologia e consegue salvar aquela pessoa. Isso é o que tem de mais bonito na Cardiologia”, opina Leonardo.

O mais difícil 

A Cardiologia exige muito estudo, conta Leonardo. “O conteúdo teórico precisa ser mais forte, pois são muitos estudos científicos e diretrizes”, afirma.

Ainda neste quesito, o médico lembra que, para a formação completa, “são pelo menos quatro anos, e se tiver subespecialidade, são mais um ou dois”, diz. Porém, “o mais difícil da Cardiologia são os plantões. No início da carreira, você vai dar muito plantão, até adquirir qualidade de vida”, complementa.

Expectativa de trabalho e emprego

O cardiologista pode atuar em prevenção, intervenção diagnósticas, em cuidados clínicos e outras áreas, como estimulação cardíaca, tomografia, ressonância magnética, transplantes, hipertensão arterial e cardiopatias congênitas. Ainda é possível seguir para subespecialidades como Cardiologia Intervencionista, Ecocardiografia e outras, nas frentes de Atuação Clínica, Diagnóstica e Intervencionista.

A média salarial é de R$ 6.084,89 para carga horária de 22 horas semanais, mostra pesquisa do site Salário.com.br. Existe carência de profissionais, então tanto na rede pública quanto na privada, a oferta de vagas é boa. Ao mesmo doenças cardiovasculares causam cerca de um terço de todas as mortes no mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2019. Isso mostra que o cardiologista terá bastante trabalho. “Boa parte das pessoas, em alguma parte da vida, vão precisar da Cardiologia”, resume Leonardo Sanches.

Em sua visão, é difícil ver um cardiologista desempregado, por mais que possa demorar para ele se estabelecer em consultório ou hospital privado. “O mercado sabe que o cardiologista é um profissional qualificado. Isso facilita a entrada no mercado. E enquanto você dá plantões, constrói o seu nome para ir para consultórios”, afirma. Ele também afirma que o mercado de trabalho é bom não apenas nas capitais, mas também no interior, onde existe alta demanda por profissionais.

Leonardo deseja especializar-se em Ecocardiograma, e enxerga possibilidades para quem conclui a residência em Cardiologia: atuação em intervenções, em áreas clínicas ou em exames de imagens. “Escolhi exames de imagem porque enxergo maior qualidade de vida e liberdade de atuação”

Conclusão sobre a rotina da residência em Cardiologia 

Mesmo com a rotina de estudos puxada e os plantões, “a Cardiologia abre as suas possibilidades de atuação. Você pode ser cirurgião, médico de UTI ou ir para o interior desbravar caminhos. Pode fazer imagem, lidar com tecnologias como ressonância cardíaca, em consultório ou trabalhar no setor esportivo. O melhor da Cardiologia é poder abrir possibilidades e ter liberdade”, afirma Leonardo.

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