Residência Médica

Rotina da residência em Medicina de Emergência

Rotina da residência em Medicina de Emergência

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Sanar Residência Médica

8 min há 289 dias

A rotina da residência em Medicina de Emergência, como pode se esperar, é intensa. Além disso, tem o fato de que a especialidade é recente no Brasil, pois o seu reconhecimento como especialidade médica no país tem aproximadamente três anos.

A Demografia Médica no Brasil 2020, do Conselho Federal de Medicina, indica que apenas 52 médicos possuíam o título na especialidade. Além disso, 239 cursavam a residência em Medicina de Emergência, que por sua vez atua na abordagem e manejo de situações que representam risco imediato à vida dos pacientes.

Para que você saiba como é a rotina da residência em Medicina de Emergência por dentro, a Sanar Residência Médica conversou com Julia Melo, que está finalizando o primeiro ano da residência no Hospital de Pronto-Socorro de Porto Alegre. 

Após a graduação na Escola Bahiana de Medicina em 2019, ela conta que buscou a instituição em Porto Alegre por ser referência. “A residência em Medicina de Emergência é nova no Brasil, porém em Porto Alegre existe desde 1996 como especialização. É o serviço mais antigo do país e, na cidade, a quantidade de emergencistas é absurda. A especialidade aqui é estabelecida e respeitada. Temos muitos chefes que são emergencistas por formação”, revela. 

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Como a residência é dividida 

Com carga horária de 60 horas semanais e duração de três anos, a residência em Medicina de Emergência é de acesso direto. Julia revela que a divisão entre R1, R2 e R3 é abrangente e envolve uma série de atendimentos por parte dos residentes.

“No R1, passamos seis meses na emergência em si, quatro meses no Hospital de Pronto-Socorro atendendo a todos os tipos de emergência (com destaque para Trauma, acidentes com animais peçonhentos, queimados e outros) e também dois meses no Hospital das Clínicas, que é referência em praticamente tudo”, explica a residente. “Também passamos na emergência na sala verde, amarela e vermelha”.

Já no segundo e terceiro anos, “a carga horária semanal é semelhante, mas o número de plantões diminui um pouco”, diz Julia. “Em todos os anos você passa por UTI, emergências, vê estágios específicos em emergência ginecológica obstétrica, neuro, cardiologia e também anestesiologia, emergência pediátrica e outras áreas específicas”, revela.

Alinhando as principais expectativas

Julia Almeida diz que escolheu a residência em Medicina de Emergência porque “é a especialidade em que você tem a oportunidade de mudar o pior dia da vida de uma pessoa. Ela não escolhe você: ela chega na emergência, é atendida por quem estiver lá e você é o médico capacitado para atendê-la no pior momento dela”, exemplifica.

Além disso, a rotina é diversa: “nunca um dia é igual ao outro. Você atende desde bebês até gestantes e idosos, e também atende a todos os tipos de emergências. Quando alguém precisa de um médico em qualquer lugar, é em uma emergência”.

Julia estava com muitas expectativas no começo. “Me falaram que seriam os 1000 dias mais intensos da minha vida, e tem sido assim. Estamos sempre 100% no plantão, dando nosso melhor. A curva de aprendizado é muito grande e você é exposto a todos os pacientes de emergência em um ambiente seguro, sempre com um R+ do seu lado e chefes para dar suporte”, revela. 

O melhor da residência em Medicina de Emergência

“A melhor parte da residência em Medicina de Emergência é o trabalho em equipe, pois você não faz nada sozinho. Faz muita diferença ter uma boa equipe com você, e no Hospital de Pronto-Socorro todos estão preparados para atuar e sabem o que fazer, ao mesmo tempo em que se respeitam e sabem o seu papel na hora do atendimento de emergência. Em outros lugares, nem sempre é assim e fica claro que falta preparo”, explica Julia.

Da mesma maneira, outra vantagem diz respeito à diversidade de casos e, para Julia, a falta de rotina. “Sou uma pessoa que não gosta de rotina, e na residência um dia é sempre diferente do outro. Fazemos tanto procedimentos como intubação, dreno de tórax e outros, até abordagem de pacientes clínicos. Ainda existe uma parte de raciocínio na qual, no primeiro momento, você não busca o diagnóstico: busca o tratamento de causa aguda que pode ser fatal. Só depois você olha para o problema de base”, conta.

O mais difícil 

“Não tenho nada para reclamar”, crava a residente. “Na residência, você tem prioridade para todos os procedimentos e atendimento, e por estar no R1, ainda está aprendendo. Mesmo que, no início, você possa ficar com receio de atuar numa sala vermelha, por exemplo, você recebe todo o amparo da equipe ao chegar”, diz.

A única questão para Julia foi a pandemia, pois a paramentação para atender pacientes graves cansa um pouco e, ao mesmo tempo, a quantidade de atendimentos de emergência diminuiu com o isolamento social. “Ainda assim, ganhamos a chance de estar em atendimento durante uma pandemia e vimos todo o hospital se adaptar e aprender com isso”, revela.

Expectativa de trabalho e emprego

A Medicina de Emergência permite que os profissionais atuem em vários contextos, como baseados em hospitais, unidades de observação, serviços de resposta rápida de emergência, de forma autônoma, entre outros. Ainda não existem informações oficiais a respeito de remuneração.

Julia Almeida afirma que, pelo que vê, o mercado de trabalho é amplo, especialmente em Porto Alegre. “É um lugar que já tem muitos emergencistas e, ainda assim, os residentes sempre têm ofertas de trabalho. Em outros estados, a oferta aumenta mais ainda, afinal são poucos emergencistas. Além disso, é possível atuar em subespecialidades como medicina de desastre, medicina pré-hospitalar, ultrassonografia etc.

Conclusão sobre a rotina da residência em Medicina de Emergência 

A residência em Medicina de Emergência é repleta de desafios diante da rotina variada e, como poderia se esperar, da intensidade na atuação. Diante de tudo isso, Julia afirma que a especialidade faz a diferença na carreira de qualquer médico.

“Se você olha para um emergencista atendendo e para outro profissional que não teve essa especialização, você vê a diferença que faz na vida do paciente. Já vi absurdos e exemplos do que não fazer, e ao conhecer um emergencista, vi que o primeiro atendimento em paciente é outro.

A residência em Medicina de Emergência mostra como você deve atender os pacientes e isso faz muita diferença. Por isso, se você quer atuar em emergência, faça a residência nisso e veja toda a diferença que faz na carreira” finaliza Julia.

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